Resenha - MK II - Masterplan

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Resenha - MK II - Masterplan


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Um camarada dizia, com propriedade, que disco de heavy metal de banda alemã era igual à pizza: “até quando é ruim, é bom”. Exageros cômicos à parte, o fato é que a Alemanha tem mesmo uma tradição de qualidade no gênero – e o Masterplan, com uma formação que reunia os ex-Helloween Roland Grapow (guitarrista) e Uli Kusch (baterista) e mais o ótimo vocalista norueguês Jørn Lande, fez um trabalho consistente e de ótima qualidade em seus dois primeiros discos “Masterplan” (2003) e “Aeronautics” (2005). Nada revolucionário, mas bacana de fato. Para o terceiro disco, no entanto, Grapow se revoltou (!) e mudou o time inteiro, gerando a sua segunda formação, o seu MK II – denominação que, aliás, dá título à bolacha. O resultado? Simplesmente não dá para comparar. De verdade. É uma banda tão boa quanto, variando de acordo com o seu gosto pessoal. Mas não dá para negar que surgiu um Masterplan completamente diferente.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Quando Dio assumiu os vocais do Black Sabbath, a banda ganhou cara nova. Havia quem gostasse muito mais do baixinho, e também aqueles que choravam pela volta de Ozzy Osbourne. Mas as duas facções concordavam em dizer que aquele era um novo Black Sabbath. O mesmo aconteceu quando David Coverdale foi convocado para os microfones do Deep Purple. E a sensação se repete, guardadas as devidas proporções, ao ouvir Mike DiMeo soltando a voz neste “MK II”.

Comparar o novo frontman com Lande não faz o menor sentido, já que os estilos dos dois são radicalmente diferentes. Quem conhece a voz de DiMeo da época do Riot (não confundir com o Quiet Riot, faz favor) sabe que ele não é um vocalista de metal melódico e/ou power metal. Nada de vocais gritados até as mais altas escalas. O lance aqui caminha no limiar do hard rock e até do metalzão tradicional, indo do rasgado ao emocionado e limpo em poucos segundos. É ele quem consegue, sozinho, dar uma cara diferente a canções como "Warrior's Cry", "Keeps Me Burning" ou "Watching The World" - que, na voz de um vocalista típico do gênero, poderiam soar óbvias e repetitivas, mas que com DiMeo ganharam energia redobrada.

Na bateria, a diferença também é sentida nestes termos. Enquanto Kusch preferia uma sonoridade mais sincopada, aqueles bumbos duplos que o caracterizaram no Helloween, Mike Terrana assume o posto colocando um pouco mais de fúria e agressividade, com mais crueza e menos “melodia”. Resta saber quando tempo ele dura ao lado de Grapow e cia., já que Terrana é conhecido pela freqüência com a qual muda de banda para banda (do Rage, ele veio para o Masterplan e agora foi anunciado como o substituto de Thomen Stauch no Savage Circus. Pára quieto, homem!).

Bom, como não sou homem destas frescuras de ficar em cima do muro, devo admitir que as presenças de DiMeo e Terrana me agradam, pessoalmente, muito mais do que o que pude ouvir do MK I – e, veja, não estou dizendo que aquele primeiro Masterplan era ruim, muito pelo contrário! Mas, enquanto ouvinte, a levada diversa de uma "Take Me Over" e toda a sua agressividade incontida em um refrão penetrante (“I don't see, I don't feel, I can't hear the words you're screaming in my ear”, e por aí vai) me parece mais repleta de personalidade e ganha muito mais do que a melodia-padrão de "Heroes", com Michael Kiske e tudo. E olha que estamos falando de uma das minhas vozes metálicas favoritas em uma de suas brilhantes performances costumeiras!

"MK II" consegue levar o Masterplan por paisagens bem interessantes. Em "Call The Gypsy", DiMeo parece ir buscar influência em cantores do rock pesado dos anos 70, enquanto o guitarrista faz questão de descer a mão nas seis cordas sem piedade. O refrão de "Enemy" carrega um jeitão bem mais hard rock do que qualquer outra coisa que o Masterplan (ou mesmo o próprio Grapow, possivelmente) sequer tenha arriscado fazer na vida. E na faixa que ganhou o próprio nome da banda, não é que o líder do grupo arrisca uns riffs mais sujos e distorcidos no meio da música, acompanhado pelas baquetas porradeiras de Terrana e dando um arzinho até meio thrash - combinando perfeitamente com a voz quase gutural que evoca o grito de guerra (MAS-TER-PLAN!) ideal para um estádio lotado?

Destaque também para o ótimo single "Lost and Gone", climático e com um excelente trabalho de teclados, no qual a coisa toda começa a cheirar de maneira diferente e você recebe as pistas certas para perceber que está diante de uma outra banda.

Como se não bastasse o batismo do álbum, Grapow parece querer marcar ainda mais a mensagem da mudança ao acrescentar uma introdução instrumental de título sintomático: "Phoenix Rising". Menos, meu caro, menos. Ainda falta um tanto de azeite para esta formação MK II do Masterplan, verdade seja dita, para unificar as referências díspares de seus principais integrantes em uma única direção e para poder justificar o paralelo exagerado com uma "ave que renasce das cinzas". Mas "MK II", o disco, prova que eles estão no caminho certo. E que, se fizerem o trabalho assim tão direitinho, podem até ofuscar o brilho da antiga banda de Grapow no panteão sagrado dos headbangers germânicos. Quem sabe? A briga vai ser boa!

Line-Up:
Mike DiMeo - Vocal
Roland Grapow - Guitarra
Jan S. Eckert - Baixo
Mike Terrana – Bateria
Axel Mackenrott - Teclado

Tracklist:
1. Phoenix Rising
2. Warrior's Cry
3. Lost and Gone
4. Keeps Me Burning
5. Take Me Over
6. I'm Gonna Win
7. Watching the World
8. Call the Gypsy
9. Trust in You
10. Masterplan
11. Enemy
12. Heart of Darkness

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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