Masterplan: mudanças e novo gás

Resenha - MK II - Masterplan

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Por Maurício Dehò
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Mudanças na formação sempre levam os fãs ao desespero, pelo menos até que se pegue o CD, aperte o play e se confirme que a qualidade que a banda tinha anteriormente não foi perdida. E o que dizer de uma banda que possuía o fantástico Jorn Lande no vocal e que ainda perdeu o baterista fundador Uli Kusch (ex-Helloween). É de deixar os cabelos em pé. Mas os substitutos Mike DiMeo (ex-Riot), vocal, e Mike Terrana (ex-Rage e tantas outras), bateria, possuem nomes que transbordam talento, por suas experiências passadas.
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E deu certo na nova banda? Sim, deu muito certo, aliás, dando um gás para o Masterplan, que teve um início muito bom, no debut auto-intitulado, mas que poderia ter ido além no segundo disco, “Aeronautics”. Em “MKII”, referência àquela forma pela qual as formações que passaram pelo Deep Purple foram chamadas, o grupo deu um passo de volta ao som de que não deveria ter saído – e causador de tanta discussão entre Lande e Grapow – e que os coloca novamente no nível que se espera daquelas grandes bandas de Metal alemãs.

O guitarrista Roland Grapow já tem sua qualidade conhecida e não faz feio mais uma vez, seja nos solos, seja nas bases, que muitas vezes são bem pesadas. Outros dois remanescentes, o baixista Jan S. Eckert e o tecladista Axel Mackenrott não aparecem como grandes destaques mas são efetivos em suas funções. Quanto aos estreantes, o maior destaque fica pela voz de DiMeo. É difícil superar um cara como Jorn Lande, que já criou sua personalidade na história do Metal, mas, tendo em vista isso, é notável que o americano fez um trabalho pra lá de bom. O vocalista explora mais os agudos que seu antecessor, mas ainda varia bastante, com trechos mais voltados ao blues, com mais ‘drive’.

Já Mike Terrana, de qualidade mais do que conhecida por qualquer alma viva que curta Metal, faz seu trabalho direitinho. Direitinho? Pois é, esperava mais do americano após o trabalho fantástico que ele fez ao lado de Peavy e Smolski no Rage, mas talvez seja culpa do som e das composições para o “MKII”, que, ao menos na bateria ficaram mais diretas.

Entre as faixas, algumas se destacam. “Phoenix Rising” (nome um tanto óbvio) abre o disco, que já começa em velocidade acelerada. “Warrior's Cry” vem com um ritmo bem marcado e é bem pesada, lembrando um pouco o tempo do “The Dark Ride”, do Helloween, mais sombrio. Outra nesta linha é “Watching The World”, com teclados bem dark. Claro que essa mistura da melodia com partes mais pesadas descamba para refrões grudentos, como em “Keep Me Burning”, que ficam na cabeça. Mas se você gosta de Power Metal e Hard Rock, isso não é problema algum, não é?! Outra boa é a épica “Heart Of Darkness”, fechando o trabalho.

Surpresa mesmo é “Masterplan”, faixa que chega só no terceiro disco levando o nome da banda. Ao invés de ser uma síntese do grupo, aquele tipo de faixa que você apresentaria a um amigo que não conhece o som e diria “isso aqui é o Masterplan, saca?”, ela é, na verdade, bem diferente do que a banda costuma trazer: muito rápida, virtuosa (isso não é novidade, em se falando de Grapow), pesada e com um coral bradando o nome do grupo no refrão. Resultado diferente, mas para melhor.

Vale destacar a bela arte gráfica, se bem que há um grande lado negativo – ao menos na cópia que chegou em minhas mãos. No interior, o trabalho foi excelente, com figuras ilustrando certas letras. Já a capa também é bem legal, o problema é que, aparentemente, foi usada uma imagem em baixa definição, que ficou toda quadriculada e prejudicou assim a apresentação – oras, a capa é a primeira coisa que qualquer ouvinte vê no CD.

Como o que importa é a música... Se as mudanças trazem certo receio, são as próprias que podem trazer um gás novo para uma banda. Por sorte, ou melhor, competência, o Masterplan ficou com a segunda opção. Tomara que siga neste caminho, já que “Aeronautics” não chegou a decolar...

Formação:
Mike DiMeo - Vocal
Roland Grapow - Guitarra
Jan S. Eckert - Baixo
Mike Terrana – Bateria
Axel Mackenrott - Teclado

Tracklist:
1. Phoenix Rising
2. Warrior's Cry
3. Lost and Gone
4. Keeps Me Burning
5. Take Me Over
6. I'm Gonna Win
7. Watching the World
8. Call the Gypsy
9. Trust in You
10. Masterplan
11. Enemy
12. Heart of Darkness

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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