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Reality In Chaos - Heavenfalls

Por Maurício Gomes Angelo | Em 26/12/05
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Acho que estes cariocas erraram de abordagem. Primeiro, o nome da banda. Heavenfalls. Segundo, a arte tipicamente obscura do primeiro CD. Por último, uma mulher no vocal. “Ah, já sei! Mais uma banda de gothic metal, certo?” ERRADO! A não ser que você considere Running Wild, Armored Saint e Metal Church referências para uma banda de gothic.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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É tremendamente gratificante ver uma mulher cantando heavy metal. E mais recompensador ainda verificar que Sabrina Carrión acerta o tom. Acertos, inclusive, são o que não faltam aqui. A arte gráfica é estupenda. O esmero com a capa, o encarte, fotos, fontes, disposição das letras, informações, créditos, tudo resulta num conjunto muito harmonioso. A produção, 100% brasileira, é de dar orgulho. Acho perigoso chamar o Heavenfalls de “metal brasileiro tipo exportação”. Perigoso porque, antes de tudo, tal coisa já evoca a idéia de que o que vem de fora é melhor.

2005 foi, possivelmente, o melhor ano do metal nacional. Nunca houve tantas bandas com tantos álbuns excelentes em mãos. O nível das produções (tanto sonora quanto do produto) subiram vertiginosamente, alcançando o profissionalismo almejado há tempos. E foi nesse crescimento que o Heavenfalls veio junto. Se os bangers brasileiros querem outras bandas além de Angra, Shaaman, Korzus, Krisiun e Sepultura para idolatrar, pode colocar o Heavenfalls no pacote. Eles, o Thuatha de Dannan, o Eterna, Akashic, Fates Prophecy, Khallice, Destra, Tribuzy, Andralls, Avec Tristesse, Imago Mortis, Chakal, Drowned, Dr. Sin, Eminence, Torture Squad...pode parar?

“Reality In Chaos” tem muito potencial para estourar lá fora, o que eu espero que aconteça aqui dentro imediatamente. Dou-lhe três motivos de cara: “No Sorrow”, “Masquerade Down” e “Evolution”. Saboroso ver que eles têm o DNA bem definido: metal tradicional, de riffs ultrasônicos, solos apoteóticos e cozinha operária, trabalhando sem parar. Apimente com um pouco de thrash, prog e pronto. Temos músicas como “First Breath”, de lacrimejar. Use as palavras “feeling” e “punch” a reveria para definir qualquer música deste trabalho. Irá acertar em todas.

Instrumental azeitado, grupo também e profissionalismo idem. Mais tempo de estrada, uma aperfeiçoada nas idéias e falta pouco para um nota 10. A “síndrome do segundo disco” já foi superada, e com louvor. Alguém duvida que eles vão além?

Formação:
Sabrina Carrión (Vocal)
Victor Montalvão (Guitarra)
Pedro Mota (Guitarra)
Carlos Jannarelli (Baixo)
André Andrade (Bateria)
José Luiz Faulhaber (Teclado)

Site Oficial: www.heavenfalls.com.br

Hellion Records – 2005.

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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