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Antes do Fim, Depois do Fim - Dorsal Atlântica

Por Maurício Gomes Angelo | Em 21/10/05
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Ok. É muito fácil vir aqui e dar nota 10 para o “Antes do Fim”. Todo mundo vai te amar. Todo mundo vai achar que você é o cara mais "true" do mundo. Foda-se . Não se trata de convenção. Não se trata de louvar o álbum porque ele é clássico, porque foi o primeirão do Dorsal Atlântica e instalou a mistura de metal com hardcore na América Latina. É mais que isso. Muito mais.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Sabe o que difere isto aqui? Ele tem ALMA! Tem sangue, sêmen, lágrimas, neurônios, demência, negritude, suingue, é preto até o osso. O Carlos Lopes já cansou de dizer isto. E ele tem toda razão. Chega um momento em que você percebe que toda a magia do rock 'n' roll vem do elemento negro que ele tem. Isto é essencial! É a origem, a característica indispensável por excelência. Sem isso, não é rock, não é metal, não tem como ser! E por isso que o metal de hoje é tão plástico, tão superficial, tão sonolento. E é por isso que, com toda certeza, ao ouvir “Antes do Fim” você vai notar essa aura diferente, esse lance anos 80, as notas encharcadas de autenticidade, paixão, essa coisa estúpida que, se bobear, te leva às lágrimas. E, não se engane, você não precisa ter 50 anos para ser arrebatado por músicas como “Álcool”, “Guerrilha” ou “Joseph Mengele”. Eu não precisei ter esta idade para sentir que a vida valia a pena quando ouvia Cream, Ten Years After ou Thin Lizzy. Nunca morre, bicho, nunca morre. Tudo passa, essas coisas ficam. São imortais. O rock, o verdadeiro rock n’ roll, é imortal. Ninguém vai se lembrar de Rhapsody daqui a trinta anos, não permanece. Agora isto aqui...

O álbum de 1986 foi renomeado para “Antes do Fim, Depois do Fim”. E, quer saber? Está mais metal, mais hardcore, violento, sexy, ofensivo, nostálgico, atual, verdadeiro, insano, técnico, veloz, pesado, espiritual, profano e pegajoso. São 10 hinos. Todas. Todas são ótimas. É um daqueles disquinhos que você ouve num fôlego só. Que lhe dá a impressão de estar progredindo de qualidade a cada faixa. E tu fica pensando: “vai cair, vai cair, não é possível!”. É. Não cai. A gravação, obviamente, está melhor. O encarte foi turbinado. As letras continuam pungentes e relevantes como sempre foram.

O único disco do Dorsal não lançado em CD chega às lojas em pleno 2005. Parabéns a Encore Records. Parabéns ao Carlos Lopes, por conseguir superar todos os incontáveis fatores históricos e sentimentais que envolvem o “Antes do Fim” e o próprio Dorsal Atlântica. Compre. E tenha a oportunidade de conferir como a música de verdade sobrevive ao tempo.

Formação (deste relançamento):
Carlos Lopes (Vocal, Guitarra e Baixo)
Américo Mortágua (Bateria)

Site Oficial do Dorsal Atlântica

Material Cedido Por:
Encore Records
http://www.encorerecords.com.br

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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