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Assim como muitos de seus contemporâneos, o Uriah Heep vivenciou o auge (anos 70, com David Byron (V) e Ken Hensley (K)), a decadência (início dos anos 80, com várias mudanças na formação e discos irregulares) e a volta por cima (final dos 80 e início dos 90). E, se existe um responsável por essa virada de mesa, essa pessoa se chama Bernie Shaw (V). O cara entrou na banda tendo como estréia um disco ao vivo (‘Live In Moscow’, 86), tendo que conviver com a pressão do mercado musical, que na época investia no glam rock (os dois álbuns seguintes, ‘Raging Silence’ (89) e ‘Different World’ (91), evidenciam o fato) e, ainda por cima, tendo que conviver com o fantasma carismático de Byron, fator determinante para o insucesso dos outros vocalistas que passaram pela banda. Esse emaranhado de problemas, no entanto, teve efeito contrário no trabalho do Uriah Heeep, que solidificou a formação com Box, Shaw, Lee Kerslake (D), Phil Lanzon (K) e Trevor Bolder (B) e lançou dois bons álbuns de estúdio (‘Sea Of Light’ (95) e ‘Sonic Origami’ (98)).
‘Acoustically Driven’ só vem a coroar a competência da banda ao longo dos anos. Gravado em Londres, no Mermaid Theatre, este disco faz parte de um projeto ousado idealizado por Lanzon e Box, que previa um show com um set acústico que mesclasse sucessos com músicas pouco executadas ao longo da carreira sem, no entanto, soar oportunista e desgastado como os ‘unpluggeds’ atuais. O que esperar, então, de temas como ‘Echoes In The Dark’, ‘Wonderworld’, ‘Traveller In Time’ e ‘Lady In Black’? Execução perfeita e contagiante. Surpresas? ‘Different Word’ e ‘More Fool You’ dois petardos que não perderam o pique com a inclusão dos violões. E, se você não achou o bastante, ‘Circus’ e ‘Blind Eye’ contam com a participação especialíssima de ninguém mais, ninguém menos que Ian Anderson (Jethro Tull).
Mesmo com as atuações exuberantes de todos os músicos envolvidos, este é, sem dúvida, o álbum de Bernie Shaw. Como (en)canta esse cara! O feeling e a técnica empregados por ele em todo o set fica evidente já nos primeiros versos de ‘Why Did You Go’, faixa que abre o show. Em ‘The Easy Road’ e ‘Come Back To Me’ sua interpretação chega a arrepiar. E, para fechar com chave de ouro, um belo medley com as não menos clássicas ‘The Wizard/Paradise/Circle Of Hands’. Para os poucos felizardos que assistiram o show, foi um evento que não sairá tão cedo de suas mentes. Para nós, humildes mortais, foi a concepção de uma pequena obra prima.
Rossano Agostini
Caxias Do Sul-RS
rossanobart@bol.com.br
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