Sempre tive a vontade de escrever sobre os Mamonas Assassinas, mas nunca senti um bom momento para fazê-lo, ou sequer vislumbrei uma possibilidade em meio a tanto trabalho relacionado a estilos tão diversos, mas que, de um jeito ou de outro, nunca alcançavam a esfera do grupo brasileiro.

Hoje é comum e até engraçado nos pegarmos rindo de nós mesmos, nos divertindo com os exageros, radicalismos, movimentos, e idéias pitorescas dentro da música pesada. O Massacration é o maior expoente dessa tendência crítica muito valiosa. Um escracho mais que apropriado.
O CD de estréia da banda, “Gates Of Metal Fried Chicken Of Death” é lançado exatamente uma década após o debute auto-intitulado dos Mamonas Assassinas, no qual os guarulhenses assinaram uma das melhores sátiras - inclusive em termos instrumentais - ao metal com “Débil Metal”.
Naquele mesmo disco, outras duas faixas se destacavam: a primeira delas é certamente “Bois Don’t Cry”, que já no título faz alusão à emblemática “Boys Don’t Cry” do The Cure. No desenrolar da música, mais menções marcantes: “The Mirror” do Dream Theater (por volta de 1 minuto e 45 segundos), e “Tom Sawyer” do Rush (aos 2 minutos e 10 segundos).
Falamos de 1995, dois anos antes do surgimento oficial do Pain Of Salvation. Além de revelar um conjunto talentoso e, à época, muito promissor (atualmente realidade irrefutável), o lançamento de “Entropia” em 1997 trouxe uma curiosidade a mais para os brasileiros: a impressionante semelhança entre a introdução de “People Passing By”, um dos primeiros sucessos de Daniel Gildenlöw e sua trupe, e “1406”, abertura do álbum dos Mamonas.

Muito simpático e receptivo, o músico deu boas risadas com a situação e se surpreendeu. Confira abaixo (e o resto do “Blind Ear” com Daniel Gildenlöw na Roadie Crew):
Thiago Sarkis – Essa faixa onze é uma curiosidade relacionada ao Pain Of Salvation. Trata-se de uma banda brasileira.
Daniel Gildenlöw – Se não for aquela música específica do Angra que já ouvi (N. do E.: não sabemos ao certo qual a música que Daniel fala aqui), não vou reconhecer nem o artista, nem a música.
Thiago Sarkis – Tudo bem. Não se preocupe. (N. do E.: Colocamos a música “1406”)
Daniel Gildenlöw – Ok. Parece-me que eles estão por dentro de “Entropia” (risos).
Thiago Sarkis – Não, na verdade eles são mais velhos que o Pain Of Salvation.
Daniel Gildenlöw – Mesmo? O guitarrista soa ‘americano’ demais, mas realmente isso parece bastante com “People Bassing By”. Eles têm um baixo ‘funky’.
Thiago Sarkis – É, e sempre rolaram comentários sobre essa semelhança aqui no Brasil... até porque eles eram muito famosos...
Daniel Gildenlöw – Dá pra entender o porquê. A banda acabou?
Thiago Sarkis – Eles morreram...
Daniel Gildenlöw – Morreram? Todos?!?!? Foi um morticínio?
Thiago Sarkis – (risos) Acidente de avião...
Daniel Gildenlöw – Nossa... isso é triste. (N. do E.: mostramos a capa do disco). Que bela capa (risos). Não consigo entender nada que está escrito, mas dá pra ver que era uma banda cômica (risos).
Thiago Sarkis – (risos) Sim, eram mesmo.
Daniel Gildenlöw – Como é o nome? Mamonas Assá--- Assássinas? (N. do E.: Daniel tenta pronunciar o nome algumas vezes).
Thiago Sarkis – Quase isso... Mamonas Assassinas.
Daniel Gildenlöw – (risos) Legal. Interessante essa coincidência. A única diferença é que os slaps de “People Passing By” são feitos na guitarra, não no baixo. Mas também só ouvi algumas partes da música deles, não sei como é o resto direito.
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Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.
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