Os dois músicos que Frank Zappa criticava bastante: "Erravam o tempo todo"
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de fevereiro de 2026
Perfeccionista, controlador e avesso a estrelismos, Frank Zappa sempre deixou claro que, em sua banda, quem dava as cartas era ele. À frente do The Mothers of Invention nos anos 1960, Zappa comandava ensaios e gravações com rigor quase militar. A regra era simples: tocar exatamente o que estava escrito - sem improvisos fora de hora ou exibicionismos.
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Ainda assim, nem todos os integrantes da formação clássica eram músicos tecnicamente impecáveis. Em entrevista ao jornal estudantil The Varsity (via Far Out), em 1973, Zappa admitiu que manteve alguns membros no grupo mais pela personalidade do que pela precisão instrumental.
"Nos primeiros tempos eu mantive um monte de gente na banda porque eu gostava deles e porque tinham um ótimo espírito, apesar do fato de que não eram grandes músicos", afirmou. Entre os citados estavam o baterista Jimmy Carl Black e o tecladista Don Preston.
Sobre Black, Zappa foi direto: "Jimmy Carl Black é um deles. Ele não é o maior baterista que já existiu, mas tinha um grande espírito e acrescentava muito ao grupo". Já em relação a Preston, a observação foi ainda mais contundente: "Don Preston costumava errar o tempo todo nas partes dele, mas ele também tinha uma daquelas personalidades que eram simplesmente perfeitas para a banda".
A declaração revela uma fase mais flexível de Zappa, quando o "espírito freak" e a química interna ainda pesavam tanto quanto a técnica. Para muitos fãs, Black e Preston integram a formação clássica do Mothers, responsável por discos fundamentais como Freak Out! e Absolutely Free.
Com o passar dos anos, no entanto, o líder se tornou cada vez mais exigente. Em outro trecho da mesma entrevista, deixou claro que sua tolerância diminuiria: "Eu não gosto mais de manter essa atitude. Estou fazendo isso há tanto tempo, esperei tanto para ter as notas certas tocadas todas as vezes, que agora procuro pessoas que não apenas tenham o espírito certo, mas que subam lá e façam - realmente toquem as notas".
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