O guitarrista britânico que Kurt Cobain não teria interesse em estudar, segundo Zakk Wylde
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de fevereiro de 2026
O guitarrista Zakk Wylde voltou a falar sobre um tema que sempre divide opiniões entre músicos: teoria musical. Em entrevista ao Garza Podcast (via Ultimate Guitar), o colaborador de longa data de Ozzy Osbourne deixou claro que conhecer escalas e progressões é importante - mas não é obrigatório para todo mundo.
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Apesar da imagem associada a riffs pesados e solos explosivos, Wylde sempre defendeu o estudo. Ele contou que, quando ainda dava aulas antes de entrar para a banda de Ozzy, misturava o útil ao agradável. "Eles sempre chegavam com coisas legais e diferentes que queriam aprender, fosse AC/DC, Led Zeppelin, Black Sabbath, ou o que for. Aí você ensina a eles a teoria, suas escalas, pentatônicas e diatônicas, para que comecem a aprender a linguagem", explicou.
Para ele, teoria é essencialmente vocabulário. "Dessa forma, você consegue aprender a analisar as coisas por conta própria... Mas, enquanto isso, você ensina a eles as músicas que eles querem aprender." Ou seja, aprender escalas não precisa significar abandonar os riffs favoritos.
Ainda assim, Wylde reconhece que nem todo guitarrista quer virar virtuose. Citando Kurt Cobain como exemplo, ele afirmou: "Mas depende do que você quer fazer. Nem todo mundo quer solar. A decisão tem que ser do músico, se ele quer saber isso."
E foi além, fazendo uma associação com a lenda do jazz britânico: "Kurt Cobain diria algo como: 'Eu só quero compor músicas. Não preciso saber os licks do John McLaughlin, porque não estou interessado'." A referência ao jazzista John McLaughlin deixa claro o ponto: estudar técnica avançada não faz sentido se isso não conversa com o seu objetivo artístico.
Wylde resumiu de forma direta: "Se você não tem interesse nisso, por que vai ficar perdendo tempo com isso? O Kurt não precisa saber. Ele simplesmente diria: 'Eu arranjo outra pessoa na banda se quiserem solar na guitarra'." Para quem quer apenas compor, o conselho é simples: "Se é isso que você quer saber, então é isso que você deve aprender... Apenas toque o que você ama. Esse é todo o segredo... Se algo não te emociona, por que você está aprendendo isso?"
Mesmo sendo defensor do estudo, o guitarrista admite que seu maior salto veio quando começou a entender intervalos. "Estudos de intervalos, terças, quintas e segundas, e tocá-los de forma ascendente e descendente. Assim que aprendi isso, foi como passar de ver TV em preto e branco para vê-la em cores."
Ele completou: "Surgiram tantas opções. Você pode pegar uma pentatônica comum e, ao adicionar cromatismos e notas de passagem, quando está tocando blues, ela começa a soar musical - começa a soar como se você estivesse falando. É aí que começa a soar musical, em vez de apenas executar escalas."
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