O guitarrista que Eddie Van Halen sempre quis soar igual; "Ele é um verdadeiro artista"
Por Bruce William
Postado em 23 de fevereiro de 2026
Quando o Van Halen explodiu no fim dos anos 1970, Eddie virou rapidamente um desses casos raros em que um músico muda o jeito de muita gente tocar. Bastou aparecer com aquele vocabulário de guitarra no primeiro álbum para surgir uma fila de imitadores tentando copiar timbre, fraseado e, claro, o tapping. Só que o próprio Eddie nunca parecia muito confortável com a ideia de virar molde para os outros.
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Ele gostava da noção de identidade própria no instrumento e se irritava quando percebia gente aproveitando soluções que ele considerava muito pessoais. Ao mesmo tempo, viveu a contradição clássica de quem está numa banda enorme: podia ser um guitarrista inventivo, mas precisava funcionar dentro de uma máquina de hits, palco grande e repertório de apelo imediato. Nem tudo que ele queria fazer entrava no som do Van Halen.
Esse ponto aparece de forma interessante quando Eddie fala sobre Allan Holdsworth. Em vez de citar apenas nomes óbvios do rock de arena, ele aponta um guitarrista de outra praia, ligado a uma linguagem mais sofisticada, como referência de topo. Ou seja: por trás do símbolo do hard rock havia um músico ouvindo e admirando coisas bem menos "radiofônicas".
A declaração, reproduzida na Far Out é uma das mais reveladoras sobre isso: "Holdsworth é o melhor, no meu livro. Eu até consigo tocar meio como ele, mas isso não se encaixa no estilo da nossa música. Ele é um verdadeiro artista. Ele toca uma guitarra como a minha também. Usa ela mais alta, como guitarra de jazz. Eu também poderia tocar tudo aquilo se tocasse com a guitarra tão alta, mas como um garoto do rock and roll ficaria com a guitarra naquela altura? Eu tenho que sacrificar a quantidade de movimento que faço no palco por causa do jeito que eu toco."
A fala mostra duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é admiração real pela linguagem do Holdsworth. A segunda é a consciência de palco: Eddie sabia que tocar em uma banda como o Van Halen também exigia imagem, postura e presença física. Não era só sentar e desenvolver ideias complexas; havia um corpo de show, uma estética e um tipo de energia que faziam parte do pacote.
Isso ajuda a entender por que tanta gente vê no Eddie um guitarrista "mais simples" do que ele realmente era. Em disco, ele entregava muito mais do que pirotecnia, mas ainda assim trabalhava dentro de canções de hard rock, com refrãos e dinâmica de banda grande. Em alguns momentos, porém, essas influências menos previsíveis escapavam com mais clareza, especialmente em faixas em que ele podia esticar mais a mão e a imaginação.
A graça da história está aí: um músico que definiu o som de uma era dizendo que queria soar como alguém que muita gente do grande público nem colocaria na mesma conversa. Para quem escuta Eddie Van Halen só como showman, esse tipo de declaração lembra que havia ali um instrumentista pensando bem além do próprio personagem.
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