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Inocentes: Banda mantém a veia e atitude antifascista

Resenha - Inocentes (Studio SP, São Paulo, 17/12/2021)

Por Nelson de Souza Lima
Postado em 24 de dezembro de 2021

Como já disse outras vezes, têm bandas cujo show é certeza de diversão e adrenalina máxima. Os Inocentes está entre elas. Aproveitando a flexibilização nesses últimos dias de 2021 para celebrar 40 anos de estrada, os caras fizeram um show matador no Studio SP, na última sexta-feira, 17 de dezembro.

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A noite foi de comemoração dupla, uma vez que a casa do Baixo Augusta, região central da cidade, está voltando às atividades após sete anos de hiato. Então, no clima de festa punk, se me permitem a brincadeira, o público conferiu um setlist irrepreensível da trupe liderada pelo vocalista/guitarrista Clemente Nascimento.

Os protocolos foram seguidos: uso de máscara (embora lá dentro poucos usavam), medição de temperatura, álcool gel e distanciamento zero. Mas é o que tem pra hoje.

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Ladeando Nascimento estão Ronaldo Passos (guitarra/vocal), Anselmo Monstro (baixo/vocal) e Nonô (bateria). Uma formação sólida, que junta há 26 anos, funciona tipo máquina sonora bem azeitada, não deixando brechas entre as músicas, como manda o manual punk.

O quarteto sabe o que faz, afinal eles escreveram o manual, sendo a gênese do gênero no Brasil. Não são poucos os que se inspiraram nos Inocentes ao longo dessas quatro décadas.

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Clemente e os parças integram a excelente safra que revelou grupos extraordinários como Plebe Rude, Ratos de Porão, e tantos outros.

Uma safra de respeito e, continuando nessa analogia/enologia, os Inocentes são como vinho seco, de sabor ácido que rasga a garganta, garantindo torpor, satisfação e sensação de bem estar.

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A dor de cabeça desse vinho sonoro fica para os incautos que não enxergam o quanto as letras são contestatórias, antifascistas, escancarando mazelas, violência, feridas sociais, derrubando os muros da intolerância do sistema opressor/repressor

E a julgar pelo atual momento sombrio as canções do quarteto se tornam ainda mais necessárias na compreensão deste cenário.

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Das primeiras frases de "Não é Permitido", do disco "Garotos do Subúrbio", de 1985, até "Não acordem a Cidade", do mesmo álbum, que fechou o set, foram descarregadas doses generosas de punk, atitude e discursos contrários ao caos social.

Nem foi preciso gritar palavras de ordem contra a excrescência presidencial. As músicas falam por si. Cada vez mais adequadas à instabilidade política contemporânea.

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O Studio SP não é grande. O palco é baixinho o que permite à banda tocar, literalmente, na cara da plateia. À medida que a hora do show se aproximava o público aumentou, praticamente lotando a casa. Trombei até o Alexandre Machado, da banda Acidental, que tava lá conferindo a apresentação. Como falei o espaço não é grande, mas deu pros fãs, entre mais antigos e novos, agitar daquele jeito que só o punk permite.

Começou com meia hora de atraso e pontualmente às 22h30 Anselmo Monstro subiu primeiro e deu início aos acordes da já citada "Não é Permitido". Clemente, Passos e Nonô subiram em seguida para a avalanche sonora que trouxe alguns dos hinos mais importantes dos caras.

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Essa é uma banda que tem história pra contar. Surgida na Vila Carolina, zona norte da cidade, tocou em vários buracos da periferia até chegar ao patamar dos grandes do rock nacional.

Clemente agradeceu a presença do público e apoio aos "senhores maduros" que fariam a festa por uma hora e meia.

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Diferente de apresentações de anos atrás, não tinha nenhum moicano. Ao contrário muitos dos presentes se tornaram carecas com o tempo. Não no sentido ideológico, mas capilarmente falando.

Entre eles, Ariel Uliana Jr., outra entidade do punk nacional, que integrou a primeira formação dos Inocentes e que segue na carreira. Com uma calva, de dar inveja ao Professor Xavier, dos X-Men, Uliana mandou "Restos de Nada" e "Desequilíbrio", numa celebração que integrou ainda mais banda e fãs.

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Ao tocarem "Intolerância", do álbum "Ruas", de 1996, Clemente analisou o cenário da época em que a violência campeava entre os grupos Carecas e Punks, traçando um panorama atual que não é nada animador.

Praticamente todos os clássicos foram tocados num set de vinte e quatro canções. "Ele Disse Não", "Miséria e Fome", "Salvem El Salvador", "Medo de Morrer", "Rotina", "Aprendi a Odiar", "Pátria Amada", "Pânico em SP", enfim um set de responsa, de uma banda com pedigree.

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No final o quarteto ainda mandou dois covers: "Blitzkrieg Bop", do Ramones" e "I Fought The Law", que já teve dezenas de regravações, sendo a mais conhecida com o The Clash. Para estas duas Ariel subiu novamente ao palco pra encerrar a apresentação faltando Two Minutes to Midnight, literalmente.

Ai, a galera foi pro abraço, pra muitas fotos e selfies com a banda.

THE END.

SETLIST - INOCENTES - STUDIO SP - 17/12/2021

1- NÃO É PERMITIDO
2- ROTINA
3- EXPRESSO DO ORIENTE
4- NADA DE NOVO NO FRONT
5- APRENDI A ODIAR
6- ELE DISSE NÃO
7- VERMES
8- SALVEM EL SALVADOR
9- MEDO DE MORRER
10- 4 SEGUNDOS
11- ESCOMBROS
12- SÃO PAULO (COVER DO 365)
13- GAROTOS DO SUBÚRBIO
14- MISÉRIA E FOME
15- INTOLERÂNCIA
16- DE BAR EM BAR NEM TUDO VOLTA
17- RESTOS DE NADA COM ARIEL ULIANDA JR.
18- DESEQUILÍBRIO COM ARIEL ULIANDA JR
19- OS DONOS DA RUA
20 - FRANZINO COSTELA
21- CALA A BOCA
22- PÁTRIA AMADA
23- PÂNICO EM SP
24- NÃO ACORDEM A CIDADE
ENCORE
BLITZKRIEG BOP - COVER DOS RAMONES
I FOUGHT THE LAW - COVER DO THE CLASH

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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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