Between the Buried and Me: um show magnífico ao sopé do apocalipse
Resenha - Between the Buried and Me (Fabrique Club, São Paulo, 15/03/2020)
Por Diego Camara
Postado em 17 de março de 2020
Neste último domingo, possivelmente ocorreu o último show de heavy metal na cidade de São Paulo em um bom tempo. Com a fila de cancelamentos e adiamentos que estão ocorrendo nos últimos dias, não há rastro possível de um novo espetáculo ocorrendo tão cedo. É fato que a banda já estava em turnê antes de ocorrer a escalada de casos do coronavírus – e por isso especialmente não teve o evento cancelado – mas que bom que não o foi e tivemos a chance de ver um show incrível do início ao fim. Confira abaixo os principais detalhes do espetáculo, com as imagens exclusivas de Fernando Yokota.
Between The Buried And Me - Mais...
Dez minutos antes do início do show, tudo já estava pronto. A equipe técnica sinalizava o final da arrumação do palco para a mesa de som. Tudo estava pronto para o show, e este começou adiantado em sete minutos. A banda subiu ao palco, como que carregados pelos gritos dos fãs, para tocar "Astral Body". O som estava perfeito, todos os instrumentos muito bem equalizados, fazendo um som realmente completo e complexo. Forte, mas sem exageros, enchia os ouvidos do público.
O público do show não era muito grande. É difícil saber se a banda não atraiu muitos fãs ou se muitas pessoas acabaram, por medo ou receio, abortando sua ida ao Fabrique Club para ver o show. Porém, dados shows similares, é difícil imaginar que um público maior não teria ido ao show do Between em características normais.
A banda lançou música após música, com pouca interação com o público e contando muito com a participação dos fãs. "Lay Your Ghosts" foi a segunda: mais pesada que a abertura, se focou muito fortemente nos vocais guturais de Giles. O público cantou muito junto com ele, em especial nas partes limpas dos vocais. Outros grandes destaques do show foram "The Coma Machine" e "Condemned to the Gallows", onde o público cantou muito e levantou o ânimo do show.
O final do show, porém, foi onde tudo ficou ainda mais animado. A lindíssima introdução de "Mirrors", feita em um som próximo ao acústico, encheu o palco e aqueceu o coração do público. O Between transita muito bem do estilo mais leve para o gutural, com um encanto e uma técnica que fazem com que estejamos vendo um som de nível de gravação ao vivo. Fechando o show, a banda sacou a melódica e exótica "Voice of Tresspass", que realmente fez o público bater cabeça e cantar junto com a banda. O estilo meio boogie e jazz da música faz ela ter um brilho diferente, que encanta os ouvidos da plateia.
No bis, a banda ainda lançou duas excelentes músicas. O destaque vai para "Selkies", em suas reviravoltas melodiosas e progressivas que fazem dela uma música complexa e cativante.
O resultado do show não poderia ter sido melhor. A banda assumiu um show mesmo em um momento de risco como este, e aceitou o desafio de viajar para levar sua mensagem. Por outro lado, não só o fez, como fez com excelência: a qualidade da produção da banda, sua equipe técnica, a estrutura da Fabrique e a equipe da produtora Powerline mostraram mais uma vez o que é fazer um show de qualidade. Não haveria como esperar algo diferente de uma banda como o Between the Buried and Me.
Setlist:
1. Astral Body
2. Lay Your Ghosts to Rest
3. Mordecai
4. The Coma Machine
5. Condemned to the Gallows
6. Mirrors
7. Obfuscation
8. Voice of Trespass
Bis:
9. Selkies: The Endless Obsession
10. Viridian
11. White Walls










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