A banda nacional que não vendia bem mesmo com vários hits na rádio ao mesmo tempo
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de abril de 2025
Nos anos 1980, o grupo Roupa Nova se consagrou como um dos nomes mais populares do pop rock brasieiro. Com músicas que se tornaram temas de novelas, presenças constantes nas paradas de sucesso e reconhecimento da crítica, a banda carioca parecia viver o auge. No entanto, por trás da onipresença nas rádios, havia uma contradição silenciosa: a dificuldade em transformar popularidade em vendas expressivas de discos.
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Durante uma entrevista ao podcast Corredor 5, o guitarrista Kiko, um dos fundadores do grupo, relembrou esse momento inusitado da carreira da banda. "Eu falo isso pro meu filho: ‘Você quer ser músico, meu filho?’. Eu tive muita sorte. A gente pegou uma época em que as gravadoras podiam investir naquilo em que acreditavam. A gente estourou pra caramba com ‘Canção de Verão’, ‘Sapato Velho’... tocando direto na Rádio Cidade, tocando no Brasil inteiro", contou.
A sonoridade acessível e as composições emotivas faziam do Roupa Nova uma aposta segura para as trilhas sonoras das novelas da TV Globo. Ainda assim, a realidade do mercado era mais dura do que parecia.
"O arranjo que a gente fez era bem simples. Quatro canções estouradas. E a gente vendia 40 mil discos. Pra época era pouco, né? Muito pouco. Porque, naquela época, disco de ouro era 100 mil, de platina era 250 mil, e o duplo de platina, 500 mil. Um milhão era o auge."
Kiko explicou que, mesmo com músicas nas rádios e em novelas, os valores só começavam a render para os artistas a partir de 100 mil cópias vendidas. A salvação vinha, principalmente, da composição: "O que dava mais dinheiro era a execução. E também a venda, claro. Mas a composição era onde a gente ganhava melhor".
Confira a entrevista completa abaixo.
Roupa Nova e Máriozinho Rocha
Apesar das vendas modestas no começo, o grupo encontrou apoio na figura de Máriozinho Rocha, produtor musical da Odeon, que acreditava no potencial do grupo. Quando ele se transferiu para a Polygram, surgiu um impasse.
"O Máriozinho que descobriu a gente na Odeon. Quando ele saiu, a gente ficou na gravadora sem ninguém que acreditasse de verdade. Então desenrolamos para ir com ele. O apelo funcionou. Autorizaram a rescisão do contrato e permitiram que seguíssemos com o antigo produtor. Naquela época não tinha celular. Ligamos de um orelhão pra avisar: ‘Máriozinho, fomos liberados!’ Ele respondeu: ‘Venham pra cá!’"
Mesmo depois da mudança de gravadora, a dificuldade de transformar execução em vendagem persistia. "A gente começou a perceber que era bom de execução, mas não de vendagem. As músicas tocavam sem parar, mas o disco não girava tanto quanto deveria."
Parte da dificuldade, segundo Kiko, vinha da estrutura de empresariamento: "A gente não tinha empresário direito. Um cara que tinha trabalhado com o Alice Cooper veio trabalhar com a gente. Mas ele não tinha a noção que as empresárias que vieram depois tinham. Elas ajudaram a gente a vender 1 milhão de cópias."
Mesmo com as vendas abaixo do esperado no início, a banda perseverou — graças também ao investimento das gravadoras. "As gravadoras tinham dinheiro pra apostar. E como elas não pagavam certos impostos se investissem em novos artistas, era mais fácil dar continuidade."
Roupa Nova e trilhas de novela
Parte da popularidade do grupo se explica pela presença marcante nas trilhas sonoras de novelas da TV Globo. "A Viagem", "Dona", "Felicidade", "Amor de Índio" e "Whisky a Go Go" são apenas algumas das canções que marcaram época. É o que conta matéria da CNN.
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