Saxon: energia, peso e repertório abrangente em SP
Resenha - Saxon (Tropical Butantã, São Paulo, 16/03/2019)
Por Alexandre Veronesi
Postado em 17 de março de 2019
E a águia britânica pousou no Brasil novamente! Após cerca de 10 meses da última (e excelente) apresentação em São Paulo, o lendário SAXON retornou ao nosso país, desta vez contando também com Porto Alegre e Rio de Janeiro na rota, comemorando os 40 anos de seu álbum de estréia e ótimos serviços prestados ao Heavy Metal.
Na capital paulista, o local escolhido para a festa foi o Tropical Butantã, casa localizada na Zona Oeste da cidade, que já havia recebido a banda em sua mais recente estadia por aqui.
O ato de abertura ficou a cargo do grupo Uncle Trucker, oriundo de Franca/SP, que subiu ao palco por volta das 20h45 (com 30 minutos de atraso) para introduzir seu som a um público que aos poucos ía tomando o recinto por completo. Daniel Aleixo (vocal), Ricardo Prazeres (guitarra), David Ferreira (guitarra), José Rafael (baixo) e João V. Galvani (bateria) executam um Hard Rock que pode ser considerado atual, mas com evidentes influências de ícones como Van Halen, Scorpions e Whitesnake. O repertório, de aproximadamente 50 minutos, mesclou composições autorais como Blind Devotion, Rock N' Roll Everyday, Dismissive, Fly Away e a blueseira Rat Trap, com os bem selecionados covers de Dr. Feelgood (Mötley Crüe), Metal Health (Quiet Riot) e Poison (Alice Cooper), tendo sido este último o número de encerramento. A apresentação, embora coesa, careceu de maiores destaques e não empolgou a maioria dos presentes.
A expectativa para a atração principal era grande. O fato de os ingleses estarem retornando em um período inferior a 1 ano me fez pensar que o evento não receberia um público tão grande quanto da última vez. Ledo engano. O Tropical Butantã se encontrava completamente entupido, de forma que mal era possível circular pelo local.
Finalmente, às 22h05, a intro da tour soa nos PAs, levando todos a um estado de êxtase. O pontapé inicial do show foi dado com "Thunderbolt", faixa título do mais novo registro de estúdio, seguida pela também recente "Sacrifice", do disco homônimo de 2013. Sem perder tempo, o quinteto manda "Wheels Of Steel", um de seus maiores hinos. É dos clássicos que o povo gosta, e o SAXON sabe muito bem disso, afinal, as 2 próximas foram nada menos que "Strong Arm Of The Law" e "Denim And Leather". Fato é que poucas bandas possuem um catálogo tão rico e vasto quanto o deles para se dar ao luxo de incluir 3 canções de tal magnitude logo no início da apresentação.
Após "Battering Ram" (com toda a linha de frente do grupo vestindo coletes jeans jogados pela platéia), tivemos o prazer de presenciar uma pequena ode ao debut de 1979, através de "Rainbow Theme / Frozen Rainbow" (com direito a uma interpretação assombrosa por parte de Biff) e a enérgica "Backs To The Wall". Ainda no campo das homenagens, veio "They Played Rock And Roll", composta em reverência ao já saudoso Motörhead.
Falar sobre a performance do SAXON, ao vivo, é repetir aquele grande acúmulo de clichês que estamos tão acostumados a ler e ouvir: Biff Byford, com suas costumeiras vestes "napoleônicas", ainda ostenta uma voz poderosa e impecável (isso no alto de seus 68 anos), como fosse um garoto, sem contar que o frontman é dotado de grande carisma e interage com a audiência de maneira magistral e completa naturalidade. Tudo apoiado, é claro, pelo muro sonoro gerado pelas 12 cordas vibrantes de Paul Quinn e Doug Scarrett (guitarras), além da precisa e espetacular "cozinha" formada por Nigel Glockler (bateria) e o elétrico Nibbs Carter (baixo). Trata-se, sem nenhum exagero, de uma das mais consistentes formações que o mundo do Metal já viu.
O show prosseguiu com a aclamada "Power And The Glory" e "Dogs Of War", não sem antes Biff comentar que aquele disco, de 1995, foi a estréia da formação atual (na realidade, Nibbs participou da gravação, porém Doug passou a integrar a banda somente durante a turnê). Logo após, chegava o já esperado momento onde o vocalista pede para que o público escolha a próxima música. Atendendo aos pedidos, foram executadas "Solid Ball Of Rock" e "Ride Like The Wind", cover de Christopher Cross (que já deveria pertencer ao SAXON por usucapião), e uma das mais ovacionadas da noite.
Deste ponto em diante, não escutaríamos mais nada além de clássicos. Problema nenhum, obviamente. "747 (Strangers In The Night)", "And The Bands Played On", "To Hell And Back Again" e "Dallas 1 PM" dispensam qualquer eventual comentário. Finalizando o set regular, uma inspirada versão de "Crusader", o grande épico do grupo britânico.
Em meio ao clamor dos milhares de presentes, o quinteto retorna ao palco após alguns minutos para o tradicional e implacável bis, composto por "Heavy Metal Thunder", "Never Surrender" (nas palavras de Biff, a música que mais representa a essência da banda), "Motorcycle Man" e o encerramento apoteótico com a obrigatória e contagiante "Princess Of The Night", após 2 horas do mais genuíno Heavy Metal anglo saxão.
2019 está apenas começando, mas já temos um forte candidato a melhor show do ano.
Agradecimentos especiais à Top Link Music, Rádio & TV Corsário e The Ultimate Music Press, pelo credenciamento e por mais este grandioso evento.
SETLIST SAXON
Intro
01. Thunderbolt
02. Sacrifice
03. Wheels Of Steel
04. Strong Arm Of The Law
05. Denim And Leather
06. Battering Ram
07. Rainbow Theme / Frozen Rainbow
08. Backs To The Wall
09. They Played Rock And Roll
10. Power And The Glory
11. Dogs Of War
12. Solid Ball Of Rock
13. Ride Like The Wind (Christopher Cross cover)
14. 747 (Strangers In The Night)
15. And The Bands Played On
16. To Hell And Back Again
17. Dallas 1 PM
18. Crusader
Bis
19. Heavy Metal Thunder
20. Never Surrender
21. Motorcycle Man
22. Princess Of The Night
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