Golpe de Estado: Show de 30 anos do Nem Polícia Nem Bandido
Resenha - Golpe de Estado (Sesc, Santo André, 16/02/2019)
Por Alexandre Veronesi
Postado em 25 de fevereiro de 2019
Mesmo após algumas mudanças de formação, além do falecimento precoce do lendário guitarrista Hélcio Aguirra em 2014, o GOLPE DE ESTADO segue forte e mantém o seu merecido lugar no Olimpo do Rock n' Roll nacional. Neste 2019, um dos mais aclamados discos de sua carreira, "Nem Polícia Nem Bandido", completa 30 primaveras de existência, e como não poderia deixar de ser tivemos uma bela festa comemorativa, que rolou no aconchegante teatro do Sesc Santo André, contando com a execução da bolacha em sua totalidade.
Por volta das 20h10, Roby Pontes (bateria), Marcello Schevano (guitarra), Nelson Brito (baixo, único remanescente da formação original) e, por último, João Luiz (vocal), adentram o palco ao som de "Na Vida", primeira faixa do álbum homenageado, seguida pelas consagradas "Filho de Deus" e "Velha Mistura". Neste ponto, já sabíamos que o trabalho seria apresentado na mesma ordem em que foi gravado, uma decisão mais do que acertada.
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"Paixão" foi a primeira que contou com a participação especial do tecladista Mateus Schanoski, instrumentista altamente gabaritado na cena brasileira, e quase um quinto integrante do Golpe, que voltaria ao palco em outros momentos do set para abrilhantar algumas canções.
O show seguiu animado com os petardos "Janis", "Não é Hora", "Ignoro" e "As Aparências Enganam", muito bem recebidas pelo público, que lotou a casa. Mas, o grande destaque, é claro, ficou por conta da enérgica faixa-título do registro, "Nem Polícia Nem Bandido", inquestionavelmente um dos maiores clássicos do grupo.
Gostaria de ressaltar as performances individuais dos músicos. O veterano Nelson Brito permanece sólido e consistente no comando das 4 cordas, e Marcello Schevano impressiona, principalmente, pelo bom gosto em seus timbres de guitarra, certamente a escolha perfeita para o posto que um dia pertenceu ao mestre Aguirra. Entretanto, roubam a cena João Luiz e Roby Pontes: enquanto o primeiro se mostra um frontman completo, esbanjando presença de palco, carisma e voz poderosíssima, o segundo é uma verdadeira locomotiva atrás de seu grande kit de bateria, com "punch" e técnica impressionantes. Um time de primeiríssima!
Finalizado o primeiro ato do espetáculo, era chegada a hora de diversificar o repertório. Para a surpresa de todos, o vocalista rasga o setlist e diz que, dali em diante, tocariam somente músicas pedidas pela audiência. A primeira escolha, quase que unânime, foi "Caso Sério", semi-balada detentora de uma letra fascinante, que infelizmente continua bastante atual. Na sequência tivemos a pesada "Sanguessugas" (particularmente, uma das minhas preferidas da banda); a contrastante "Olhos de Guerra", linda e triste; e "Onde Há Fumaça, Há Fogo", um Rock quase dançante, responsável por instaurar um gostoso clima de festa no recinto.
Com o perdão do clichê, sabemos que tudo que é bom dura pouco, portanto, a apresentação chegava ao seu "gran finale", com a execução da obrigatória "Noite de Balada", provavelmente o maior sucesso "comercial" do GOLPE DE ESTADO. O mais legal foi que a banda chamou algumas crianças pequenas para subirem e agitarem no palco, tornando este um dos momentos mais marcantes e divertidos da noite. Como disse o carismático João Luiz, "o Rock está salvo"!
SETLIST
01. Na Vida
02. Filho de Deus
03. Velha Mistura
04. Paixão
05. Janis
06. Nem Polícia, Nem Bandido
07. Não é Hora
08. Ignoro
09. As Aparências Enganam
10. Caso Sério
11. Sanguessugas
12. Olhos de Guerra
13. Onde Há Fumaça, Há Fogo
14. Noite de Balada
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