Haken: o geek metal chegou com tudo em São Paulo
Resenha - Haken (Fabrique Club, São Paulo, 29/01/2018)
Por Diego Camara
Postado em 03 de fevereiro de 2019
Este é um daqueles shows que entra na lista dos inesperados. Seria difícil imaginar que os ingleses do Haken aportariam no Brasil depois de 12 anos de carreira, especialmente pelo fato de que eles não caminham na via mais mainstream do metal. Trazidos pelos corajosos da Overload – que apostam sempre em apresentações alternativas – os ingleses são marginais dentre os marginais, trazendo um público muito bom para a Fabrique, em um dos shows mais técnicos e impecáveis vistos nos últimos tempos por estas bandas. Confira abaixo os principais detalhes do show, juntamente com as imagens de Fernando Yokota.
Fotos: Fernando Yokota

O show começou com pontualidade londrina. Deram 21h e o Haken subiu ao palco da Fabrique Club após a introdução de "Clear". O público que enchia a casa tomou uma grande pancada logo de início, com "The Good Doctor", o grande sucesso do último álbum "Vector", sendo a primeira música da noite. O som começou um pouco embolado, com os vocais tendo dificuldade para tomar a dianteira da música, sumindo em meio a um muro de som potente construído pela dupla de guitarras.

O som já melhorou no decorrer da música, mas em "Puzzle Box" ele encontrou o grau de satisfação do progressivo. Os vocais de Jennings estavam limpos, com os instrumentos todos audíveis. O público se animou, cantou junto e festejou bastante. O solo de guitarra no meio da música se aproximou muito do apresentado no estúdio, deixando o público bastante satisfeito: era esse o show que os fãs esperavam no nível do Haken.

É até difícil tecer comentários sobre a banda: o perfeccionismo do Haken aparece em todos os detalhes do show. Das partes lentas e cantadas de "Falling Back to Earth", que caminham com precisão na velocidade das baquetas, até o uso pesado das guitarras: a banda não dispensou a entrega e nem se recolheu no palco, brilhando e encantando o público. O coro em "Cockroach King", outro destaque da apresentação, pareceu também saído do disco.

"1985" levou o público numa viagem para a década de 80. Forte nos teclados, a música do "Affinity" esbanja no som que os aproxima de bandas como "Genesis" e "Marillion", em uma clara homenagem aos clássicos do rock progressivo – além de parecer em muitos momentos saída de uma trilha sonora de filme da época. "The Architect" então fecha a apresentação em uma música que parecia que iria varar a noite por não ter fim. Os fãs nem diziam nada, apenas observavam a apresentação, muitos claramente atônitos pela impecável performance no palco.

Para o bis, a banda trouxe primeiramente "Crystallised", onde o que mais empolga é a sequência de solos de teclado e guitarra, carregados de um estilo que beira ao misticismo. Fechando o show, a belíssima "Celestial Elixir" veio em seguida. A música deixa o público, no geral, bastante contente: é difícil comparar o estilo da música, com menos pegada, com o resto das canções mais recentes – ela mostra as mudanças de nuances do som do Haken, mas parece falhar em ser a música de fechamento da apresentação. Porém, a música encanta mesmo assim, deixando o público satisfeito por quase duas belíssimas horas do melhor do novo progressivo.

Setlist:
Intro: Guillaume Tell Ouverture (William Tell Overture)
Intro: Clear
1. The Good Doctor
2. Puzzle Box
3. Falling Back to Earth
4. Cockroach King
5. Nil by Mouth
6. 1985
7. Veil
8. The Architect
Bis:
9. Crystallised
10. Celestial Elixir











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