Coven: resenha da apresentação em São Paulo

Resenha - Coven (Setembro Negro, São Paulo, 29/09/2018)

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Por Aline Luz
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Sábado, dia 29 de setembro de 2018, foi o dia do público brasileiro testemunhar a volta aos palcos de uma das mais enigmáticas bandas da história do rock, que permaneceu obscura por muito tempo, a Coven.

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Jinx Dawson, vocalista e única integrante do grupo original, apresentou em um show de cerca de 60 minutos músicas do emblemático disco "Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls" (1969), além de canções de álbuns da década de 1970 e dos trabalhos mais recentes do Coven, lançados nos últimos anos.

Uma projeção de imagens da banda mescladas à trechos de filmes antigos sobre ocultismo acompanha a apresentação, que também contém um pouco de teatro. A abertura é com um trecho da "missa negra" ou "Satanic Mass", última faixa de "Witchcraft Destroys Minds....", onde Jinx Dawson surge de dentro de um caixão vestindo uma máscara de brilhantes para em seguida cantar "Out of Luck", do
álbum Jinx (2013). Em outro momento segura uma lamparina e uma caveira, com a qual canta "The Creamatory". Tudo é planejado como um agradável ritual.

O público demonstrou bastante empolgação em diversas canções de "Witchcraft Destroys Minds....", muita gente sabia as letras e alguns levaram até o disco. O mais engraçado foi a sensação de testemunhar a enfim revelação de um álbum clássico do rock, que ficou escondido por muito tempo.

O fato é que depois de muito ouvir o primeiro álbum do Coven, fica impossível não reparar que ela canta de fato como uma vocalista de Heavy Metal. Se o peso das músicas nos arranjos ainda fica devendo ao que fará o Black Sabbath pouco tempo depois, o vocal de Jinx contrapõe esse fato antecipando o que será feito por Dio, por exemplo, além de seu famoso "sign of the horns". Não sou musicista, mas amplidão vocal e efeitos guturais da voz qualquer leigo pode perceber. Jinx Dawson utiliza belos drives e definitivamente canta com as entranhas. Hoje em dia, sua voz está mais grave, o que dá ainda mais a sensação de música-de-bruxa.

Outra coisa a se mencionar é o efeito que provoca a audição de "Witchcraft Destroys Minds..." em seu conjunto. Após acompanhar letra por letra, canção por canção, chega-se a um total de uma coletânea de histórias de terror musicadas, ao estilo Edgard Alan Poe (ou H.P. Lovecraft, como queiram). Cada faixa tem a estrutura de um conto e fica bem perceptível a influência literária.

A canção "White Witch of Rosehall", por exemplo, foi baseada em uma lenda popular afro-caribenha já dramatizada pela literatura e cinema. E, na gravação presente no disco, é possível ouvir de fundo alguns batuques que nos lembram algo do voodoo ou da nossa macumba, risos.

Percussão foi um elemento lembrado pelo Coven, ao vivo. A nova banda que acompanha Jinx Dawson, a New Blood Coven, é composta por guitarra, baixo, bateria, teclado e percussão. A apresentação contou ainda com a música "Wicked Woman", uma das mais famosas e encerrou com "Blood on The Snow", do álbum homônimo de 1974.

Setlist

Intro
Out of Luck
Black Sabbath
Coven in Charing Cross
White Witch of Rose Hall
Wicked Woman
The Crematory
Choke, Thirst, Die
Black Swan
Dignataries of Hell
For Unlawful Carnal Knowledge
Epitaph
Blood on the Snow




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Sobre Aline Luz

Formada em Artes Visuais, fã dos Rolling Stones desde pequena e curiosa sobre música em geral, arte e cultura.

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