Meshuggah: resenha do show em Karlsruhe, Alemanha

Resenha - Meshuggah (Substage, Karlsruhe, Alemanha, 15/06/2018)

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Por A. Krampmann
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Por pouco eu não perdi a chance de ver esse show. Eu fiquei enrolando e poucos dias depois de finalmente comprar meu ingresso eles se esgotaram. A expectativa então aumentou para a apresentação dos suecos em uma casa cheia. Mesmo em uma sexta-feira na hora do rush consegui percorrer os 60 Km de distancia entre a minha casa e a cidade de Karlsruhe em menos de uma hora. Como cheguei um pouco antes do previsto, aproveitei que o tempo estava bom e que as portas da casa ainda estavam fechadas para tomar uma cerveja. O local era um antigo abatedouro, uma área de quase 80 mil metros quadrados, que depois de sua desativação em 2006 virou um grande complexo cultural, com diversos prédios. Em um deles se encontra o clube Substage,que receberia o Meshuggah em sua turnê para promover o disco "The Violent Sleep Of Reason". Assim que o acesso foi liberado entrei para garantir um local mais na frente, pois como minha estatura fica um pouco abaixo da média dos alemães, fica terrível assistir um show com uma montanha na sua frente.

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As 20:00 horas em ponto surgiu uma turma jovem e descolada no palco. Eu, guiado pelo meu preconceito, já não previ boa coisa. Como eu estava consciente de que não é justo julgar apenas pela aparência, prometi para mim mesmo que iria dar uma chance e prestar atenção no show da banda. Senti até um fio de esperança. "Quem sabe não rola um puta show para provar que eu estava errado?" Anotem o nome: "Myosotis". Caso esta banda apareça nas suas redondezas, vá tomar uma cerveja ou fazer qualquer outra atividade e poupe seus ouvidos. Se bem que eu duvido que essa banda vá para frente. Não gosto de falar mal e procuro sempre respeitar o trabalho das bandas, mas esse show foi um dos piores que vi nos últimos tempos e eu não posso me conformar de que não havia um grupo melhor para ser escolhido, mesmo que tenha rolado o famoso "pay to play". Foi embaraçoso, é o que eu posso dizer sobre a apresentação. O som era um metalcore (ou algo do tipo) completamente genérico, tocado de uma forma pouco convincente e com 2 vocalistas que tentavam animar o público mas não tinham muito sucesso, pois o som não tinha força para isso. Um dos vocalistas estava completamente desafinado e ao mesmo tempo que foi um alívio quando eles se despediram, foi uma tristeza ver que tinha gente comprando merchandise da banda. Espero, pelo menos, que eles usem a grana para umas aulas de música.

O palco foi até que rapidamente preparado, mas o Meshuggah embaçou um pouco para entrar. Enquanto isso rolaram alguns clássicos do Pop oitentista no som ambiente, não sei se para zuar com o público. Se foi não funcionou, pois a galera, pelo menos ao meu redor, levou com bom humor. A demora me fez começar a pensar em como seria bom poder estar sentado, poupando meus joelhos, ao invés de ficar amontoado no meio de tanta gente, mas minhas reflexões foram interrompidas com o apagar das luzes e uma intro meio hipnótica. A galera neste ponto já estava a mil, gritando o nome da banda, coisa que não é muito normal por aqui. Assim que as primeiras notas da música "Clockworks", do último disco "The Violent Sleep Of Reason" começaram a ser executadas eu percebi que o local do show, que como já mencionado era um matadouro, seria ideal para a noite. Um verdadeiro massacre começou a rolar na pista, e o pau estava comendo solto. Eu já não sou mais nenhum jovem e ultimamente seleciono uma ou outra música para me divertir, só que para quem estava ali na frente a única alternativa era ir para o fundo, e como isso estava fora dos meus planos, entrei de vez na bagunça e fui tentando aguentar a cada música. O set list foi mais baseado nos dois últimos álbuns, e eu, que havia pensado inicialmente em prestar atenção no show, passei a maior parte do tempo lutando para ficar em pé em meio ao caos que se estabelecia a cada música tocada. O guitarrista Fredrik Thordendal está momentaneamente afastado da banda, ao que tudo indica gravando um disco solo, e quem está ocupando sua vaga é o guitarrista Per Nilsson, produtor sueco e um dos fundadores da banda "Scar Symmetry" (iria fazer um trocadilho com o nome dele, mas deixo para vocês). Eu estava bastante curioso para ver o desempenho dele, mas mal pude reparar. Em um ou outro solo notei que o cara também come a guitarra com farinha e é um substituto à altura do titular do posto, mais eu não tenho como dizer. No set list faltaram as sempre presentes "New Millenium Cyanide Christ" e a "Future Breed Machine". Mas ao mesmo tempo que eu gosto demais dessas músicas até entendo que os caras não devem aguentar mais tocar esses sons. De qualquer forma eu gostaria de ver algumas coisas do material antigo serem incorporadas no set, há muita música boa que seria bem interessante de ver ao vivo.

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O último show da banda que eu havia visto foi na tour de comemoração dos 25 anos em 2014 (quando eles tocaram diversas coisas antigas), mas aquele show pra mim foi um pouco estranho. Não sei se o clima influenciou, pois na ocasião estava um frio terrível, mas o fato é que eu senti a banda um pouco "presa". Faltou algo naquele dia, ficou uma impressão de uma apresentação um pouco mecânica. Desta vez as músicas soaram bem melhor e a brutalidade que rolou na pista foi a prova disso. Nem mesmo o show de luz que virou marca registrada das apresentações do Meshuggah eu pude aproveitar. No final eu estava completamente ensopado de suor e exausto, mas de alma lavada por ver, ou melhor, por participar de um show de alta qualidade e com uma banda que se mantém fiel ao seu som e continua firme em seu próprio caminho. A galera respondeu à altura e quando cheguei em casa, ao invés de uma tradicional cerveja, desta vez tive que tomar um Dorflex.

Set List:
01 - Clockworks
02 - Born in Dissonance
03 - Do Not Look Down
04 - The Hurt That Finds You First
05 - Rational Gaze
06 - Pravus
07 - Lethargica
08 - Nostrum
09 - Violent Sleep Of Reason
10 - Bleed
11 - Straws Pulled At Random
12 - Demiurge




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