Havok e Nervosa: Proporcionando um "arraial thrash" no Recife

Resenha - Havok e Nervosa (Estelita Bar, Recife, 16/06/2018)

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Por Renan Soares
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em pleno período de festejos juninos no Nordeste (por isso, não estranhem as bandeiras de São João que aparecerão nas fotos), e de Copa do Mundo, as bandas de thrash metal Havok (USA) e Nervosa (SP) desembarcaram na capital pernambucana, prontos para proporcionar um verdadeiro "arraial do inferno" no Estelita Bar, localizado no bairro do Cabanga.

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De início, a abertura da casa estava marcada para ocorrer as 18 horas, então por isso, cheguei no portão do Estelita por volta de quinze para as seis da tarde.

Ao chegar, me surpreendi pelo baixo número de pessoas que estavam na fila no momento, mesmo já estando perto do horário da abertura dos portões. E também porque mesmo próximo das seis da tarde, ainda faltava uma galera da produção chegar para que tudo fosse arrumado lá dentro, e a casa fosse finalmente aberta.

Com esse segundo fator, foi óbvio que o Estelita não abriu às seis, tendo assim, as poucas pessoas que estavam na fila no momento visto as garotas da Nervosa chegarem na casa para iniciar a passagem de som delas.

Durante a espera, os presentes sofreram um pouco com um dos fatores negativos da localização do Estelita, que é o fato de não ter nenhum estabelecimento nos arredores do mesmo para aqueles que quisessem comer, ou beber algo antes dos shows, sendo o Shopping Rio Mar o mais próximo (e que exigia uma senhora caminhada para chegar lá). E nem sequer haviam vendedores ambulantes no local para quebrar um galho.

Por volta de sete e meia da noite, finalmente havia sido autorizada a entrada do público. No momento, a Nervosa ainda fazia a sua passagem de som, e por isso, as pessoas ainda não podiam acessar a área do show, podendo ficar apenas no lounge e no bar.

De início, a movimentação do público ainda estava bastante abaixo do esperado, com isso, já estava imaginando que aquele seria mais um show onde as bandas tocariam para meia-dúzia de gatos pingados.

Mas felizmente, eu estava errado.

Como o show da Nervosa estava marcado para se iniciar as oito e meia da noite, provavelmente a maioria do pessoal deixou para chegar no Estelita em um horário mais próximo disso. Tanto que quando o relógio marcava uma oito e pouca da noite, a casa já aparentava estar mais cheia.

Já com toda a área do Estelita liberada para a circulação do público, percebia-se que o evento não chegou a dar casa cheia, mas deu um bom número de pessoas para que a imagem do show não ficasse feia.

E após a longa espera, já próximo das nove da noite, as garotas da Nervosa subiram ao palco para iniciarem os trabalhos.

O trio paulista, que veio para Recife pela terceira vez apresentando a turnê do recém-lançado "Downfall of Mankind", tocou um setlist mais focado nas músicas do novo trabalho, iniciando assim com todo o peso da faixa "Horrordome".

Infelizmente, o show acabou começando com o pé esquerdo por conta de um problema técnico com o microfone da Fernanda Lira que deixou sua voz inaudível durante a primeira música, e a "...And Justice For Whom?", mas que foi resolvido logo depois.

Dali em diante tudo ocorreu nos conformes. O show seguiu com "Death", do disco "Victim of Yourself", e o público correspondia a energia da banda no palco batendo cabeça freneticamente, fazendo moshs pits insanos no meio da pista do Estelita e realizando também os chamados "stage diving".

Após a execução das músicas "Enslaved" e "Hostages" (onde antes, Fernanda fez um discurso criticando o sistema público de saúde brasileiro), a banda tocou a música "Masked Betrayer", a mais antiga do seu repertório, sendo essa o primeiro single lançado pelas mesmas em 2012, época em que começaram a carreira e passaram a ganhar mais notoriedade, com o público as acompanhando durante a execução do refrão.

Em "Never Forget, Never Repeat", a baterista Luana Dametto mostrou toda a sua competência nas baquetas, e deixou claro o como sua atuação na bateria foi crucial para a evolução da banda no novo disco. E a plateia aproveitou toda a velocidade da música para intensificar a roda punk na casa.

Ao longo do show, Fernanda Lira esbanjava toda a sua simpatia com o público, e demonstrava sua animação com a resposta da plateia recifense com a apresentação.

Com isso, o show seguiu com "Vultures", e após uma intro gravada com discursos político-sociais, se iniciou a execução da música "Raise Your Fists", onde o público respondeu, certamente, levantando seus punhos para o ar.

Após a execução de "Arrogance", segundo música do repertório do disco "Agony", a banda tocou o single "Kill The Silence", faixa do novo disco que possui clipe.

A apresentação chegou ao seu ápice nas faixas "Fear, Violence and Massacre" e "Intolerance Means War", onde toda a velocidade das novas músicas da Nervosa foi colocada a tona, e o público correspondeu com a sua energia.

Após apresentar todas as integrantes da banda, a Nervosa encerrou seu show ao som da música "Into Mosh Pit", do "Victim of Yourself", onde certamente, a plateia formou o maior mosh pit da noite, e cantou o refrão em alto e bom som junto com o trio.

O relógio marcava um pouco depois de dez e meia da noite quando a Nervosa encerrou o seu ótimo show, e deixou o palco para a equipe do Havok preparar o terreno.

Para os que preferiram esperar pela próxima apresentação na pista da casa, puderam ver o próprio Havok montando todo o equipamento no palco e passando o som, e os que esperaram no lounge, ou no bar, puderam trocar uma rápida ideia com a Fernanda Lira e a Luana Dametto da Nervosa, que tiraram um tempinho para atender os fãs.

Com isso, por volta de onze da noite, o Havok encerrou a passagem de som e iniciou a sua segunda apresentação em Recife (tendo a primeira sido no Abril Pro Rock 2014), com a execução da faixa "Fatal Intervetion", do disco "Time Is Up".

Mesmo estando na turnê do disco "Conformicide", lançado em 2017, diferentemente do que a Nervosa fez, o setlist do Havok não foi tão focado no último trabalho, tendo apenas quatro músicas referentes do mesmo (Hang 'Em High, F.P.C, Ingsoc e Intention to Deceive).

Sobre o show por si só não há muito que destacar, o Havok é aquele tipo de banda que mais toca e pouco conversa com o público, isso sem falar que o David Sanchez não é aquele tipo de vocalista que faz muita questão de ter uma presença de palco de destaque.

A banda fez uma boa apresentação, apesar de uns problemas técnicos que deixaram o microfone do David muito baixo, principalmente nas últimas músicas, e que deixaram o baixo muito mais alto do que as guitarras, prejudicando inclusive um solo.

Assim como no show da Nervosa, a plateia mostrou toda a sua energia enquanto as músicas eram executadas no palco, principalmente em faixas como "Prepare For Attack", "Covering Fire", "Point of No Return" e "Hang 'Em High". As rodas punks continuavam intensas, rápidas e violentas, isso sem falar que as pessoas ainda tentavam subir no palco para fazer "stage diving", mas dessa vez, diferente de como ocorria na apresentação da banda de abertura, os seguranças foram menos tolerantes e empurravam de volta para a pista todos aqueles que tentavam fazer.

Um ponto positivo na apresentação dos americanos eram as suas "transições", onde eram tocadas tapes de discursos politizados, que davam um clima a mais no show, principalmente por essa ser a marca deles, sempre com o intuito de abordar questões políticas em suas letras.

Após mais ou menos quarenta minutos de apresentação, a banda se despediu da plateia recifense após executarem a música "Intention to Deceive", single do "Conformicide". Certamente, o público clamou para que eles retornassem e tocassem "D.O.A", também do álbum "Time Is Up", tendo eles atendido e retornado ao palco para executar a mesma.

Sendo assim, já próximo de meia-noite, o Havok encerrou sua apresentação no Estelita de vez com os músicos distribuindo palhetas e baquetas para os presentes.

Encerrada as duas apresentações da noite, está na hora das considerações finais.

Os pontos positivos e negativos dos shows das bandas em si foram citados ao longo do texto, mas é interessante ressaltar também um fator que me chamou a atenção, que foi o fato da apresentação do Havok ter sido mais curta do que a da Nervosa. Isso é curioso porque o normal é o show da banda de abertura ser mais curto, e a da principal, mais longo, isso sem falar que o repertório bruto do Havok é muito maior do que a da Nervosa.

No quesito "pontualidade", o problema maior foi o atraso no horário de abertura da casa, mas, como o atraso para o início das apresentações foi de no máximo meia-hora, isso acabou nem interferindo tanto.

Mas, como já falei na resenha que fiz do show do Matanza em Recife esse ano, volto a repetir que o Estelita ainda precisa melhorar em alguns aspectos para ser um ótimo local para sediar eventos de metal, principalmente levando em questão que ultimamente a casa tem recebido bastantes shows do tipo.

Nessa ocasião, ressaltarei apenas dois pontos, o primeiro é o fato deles permitirem que as pessoas andem com garrafas de vidro pela casa, o que para mim pode ser perigoso, porque se tratando de um show de metal onde as pessoas costumam fazer mosh pits, stage diving, e coisas do gênero, se caso uma dessas garrafas quebrarem no chão acidentes podem acontecer. E uma situação que exemplifica um pouco isso, era o fato que quase a decoração de São João que estava pendurada no teto da casa era derrubada pelas pessoas que faziam stage diving, e eram carregadas pelo pessoal.

O segundo ponto é eles não utilizarem o sistema de comandas em shows, e deixa-lo apenas para eventos de festas, boates, discotecas e coisas do tipo. Porque quando as apresentações se encerram isso acaba dificultando a saída do público, que forma uma grande fila para pagar seus consumos, mesmo quando alguns consumiram pouca coisa, ou até mesmo nada.

No mais, Havok e Nervosa trouxeram para a capital pernambucana um show destruidor de thrash metal em plena época de São João para os "headbangers" que queriam fugir do clima junino.




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Sobre Renan Soares

Nascido em Recife no dia 03 de novembro de 1994, Renan adentrou ao mundo do rock/metal a partir dos 13 anos de idade e até hoje permanece fielmente no mesmo. Desde que se formou em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, tem se dedicado a conseguir dar a relevância merecida ao nome do estilo.

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