Belphegor: numa cerimônia dedicada ao mal pode dar tudo certo?

Resenha - Belphegor (Boca Rica, Fortaleza, 05/03/2017)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Neste domingo, 5 de março recebeu novamente a horda BELPHEGOR, trazidos pela Dark Dimensions na sua última escala da turnê brasileira, depois de passar por São Paulo, Interior de Minas Gerais e Recife. O show, que teve como grande apoio da Gallery Productions na produção local, acabou acontecendo no local onde havia sido anunciado anteriormente, o Teatro Boca Rica, nas cercanias do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O show, além dos méritos próprios do BELPHEGOR, também surpreendeu pela produção (o som estava excelente) e terminou cedo (antes das 11 da noite), o que é importantíssimo num domingo. Um dos fatores foi o pequeno número de bandas de abertura (apenas a ENCÉFALO). Claro que todos queremos ter muitas oportunidades de ver as bandas da nossa terra e convidadas, mas num domingo, os festivais realmente devem ser mais enxutos para que as pessoas possam ir com tranquilidade e trabalhar no dia seguinte. Confira abaixo detalhes das apresentações da ENCÉFALO e da BELPHEGOR.

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ENCÉFALO

A primeira da ENCÉFALO foi a instrumental CxBxDx, já conhecida do público que os viu abrindo para o CANNIBAL CORPSE em 2015, mas ainda inédita em CD. Henrique Monteiro, baixista que assumiu também o microfone já há algum tempo, canta com um vocal ainda mais cavernoso, tornando o som da banda ainda mais brutal. Dava pena da bateria, sendo brutalmente espancada por Rodrigo Falconieri numa velocidade alucinante em "All The Hate In My Soul", que veio colada a "Despair", ambas do primeiro álbum da ENCÉFALO, "Slave of Pain". A ENCÉFALO tem em Rodrigo, um de seus maiores assets. mas o nível das composições(tanto as novas, mais death, quanto da época que eram um quarteto, com Alex Maramaldo e um som que misturava death e thrash) são um diferencial que empolga. No petardo "Endless Suffering", já do segundo disco, "Die To Kill", o som fica um tanto mais cadenciado, mas ainda brutal (ou talvez até mais brutal). "Anihilation", outra faixa nova fez com que voltasse a velocidade desenfreada.

O show foi rápido, eficiente para trazer o público para a frente do palco, mas percebemos uma falta de interação com a plateia. É algo a ser melhorado mesmo quando o tempo de palco for curto.

Antes que falemos do show da atração principal, cabe lembrar que não haviam apenas pessoas de Fortaleza em meio a gente que foi ao Boca Rica naquele domingo para ver o Belphegor. Tinha gente que tinha vindo de muito longe. Estavam ali também, por exemplo, Américo José, viera de Camocim. Nilton "Cavalera" Carlos, veio ainda de mais longe, de Tocantins, só para ver o show.

BELPHEGOR

O clima de apreensão tomou conta do lugar. Não porque algo pudesse dar errado, mas porque dali a alguns instantes todos sabiam que o ambiente seria tomado por toda sorte de maus espíritos. Era o som maldito do BELPHEGOR que estávamos todos prestes a ouvir. Enquanto a intro soava, pedestais e bateria cobertos com plástico preto aumentavam o clima de mistério. Àquele momento o Boca Rica já tinha uma boa lotação, o que indicava que muita gente deve ter deixado para comprar os ingressos só na hora do show. E, felizmente, o valor das entradas não havia subido, o que também foi um fato muito bom.

Quando os pedestais foram descobertos, deixando à vista as caveiras de bode e humanas que compunham o altar onde a cerimônia maligna seria celebrada, muitos gritos ecoaram pelo lugar. "Belphegor", "Belphegor", "Belphegor", gritavam os presentes enquanto soava a intro e o quarteto austríaco formado por Helmuth Lehner (guitarra/vocal), Serpenth (baixo) e complementado por Molokh (ou Impaler) na outra guitarra e Bloodhammer (bateria) tomava suas posições. Os gritos persistiram por "Bleeding Salvation" e por "Gasmak Terror", com seu excepcional trabalho de guitarras. Vale mencionar que além do próprio frontman, Helmuth, o baixista Serpenth também tem muita presença de palco, tocando e bangueando o tempo todo.

Na primeira vez que fala ao público, de mãos postas, como numa oração maligna, Helmuth anuncia o posto que tomara para si. "Fortaleza, este é o BELPHEGOR, o embaixador do inferno". Então a canção "Belphegor - Hell's Ambassador" é recebida com heys e punhos para o ar. Em seguida, Helmuth pronunciou apenas as primeiras sílabas de "Lucifer Incestus" e já foi o suficiente para a cartase geral, no entanto o que veio foi "Diaboli Virtus in Lumbar Est", também do álbum que também tem o nome do incesto do cramunhão. Mas a canção, cheia de muita melodia (claro que sob uma muralha de som) também foi bem recebida. E como o som estava perfeito, cada detalhe nos chegava com precisão e era muito bem apreciado. Até que finalmente veio a "Lucifer Incestus".

O show continuava brutal, mas entre uma canção e outra, como "Stigma Diabolicum", Helmuth parava para falar com o público, mesmo que às vezes sendo bem difícil de entender por misturar inglês e latin. Mas a gravação de "Conjuring The Dead" ("É o demônio que fala por ela. É uma bruxa. Ela fala a palavra de Satã") todos fizeram questão de acompanhar. "Bondage Goat Zombie" também não poderia faltar, com o solo mais rápido da noite. Em sua "outro", parte gravada que lhe serve de encerramento, os austríacos ficam de joelhos, em reverência irônica, até que Bloodhammer interrompe tudo com suas batidas. É a diferença de ver ao vivo. Toda a teatralidade (e ali este aspecto era algo essencial) é perdida quando não se vai a um show desses.

"Fortaleza, é ótimo estar de volta", afirmou Helmuth, mostrando que lembrava (ou tinha sido avisado) que já visitara a capital cearense para show no Santa Cruz. E puxou o coro de hail, repetido inúmeras vezes pelo público enquanto botava "Apophis–Totenbeschworer" pra esquentar.

A novidade da turnê tem sido a canção anunciada como a última da cerimônia: "Totenkult - Exegesis Of Deterioration", faixa que vai estar no novo trabalho do BELPHEGOR, mas que o quarteto já tem tocado pela América do Sul. A canção, brutal como as outras, com dois solos rápidos, refrão marcante (totenkult), foi bem recebida. Obviamente não tanto quanto as demais, mas muitos pescoços se quebraram por ela.

Ninguém pareceu entender o que aconteceria dali em diante, de tão mesmerizados que estavam. O roadie teve que dizer: "querem mais? Façam algum barulho". Então logo voltou o baterista para um solo muito aplaudido, antes de "Pest and Terror", que abriu o bis. E por falar no baterista, o sujeito também impressionou o público durante todo o show com a precisão de seus blast beats. Afinal, com tudo tão perfeito como estava, o rapaz não poderia deixar por menos. Se felizmente a chuva que tem castigado o Ceará nos últimos dias resolveu dar uma trégua, no Boca Rica choveu, mas blast beats.

Helmuth dedicou a canção pungente (de certa forma) e com o mais belo solo da noite à equipe, aos roadies citando cada um pelo nome, depois, vociferou algo ininteligível e deu início à cadenciada "In Blood - Devour This Sanctity" que pôs fim concreto à cerimônia.

Mesmo sofrendo com o calor infernal, difícil para os cearenses, torturante para um europeu, depois do show, Helmuth ainda ficou um bom tempo disponível atendendo a quem quisesse tirar fotos e trocar umas palavras. Alguns vídeos dessa apresentação, por René Araújo podem ser encontrados na Playlist abaixo:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLKVlc-q5yoqW-Hb5DWRnu...

Conclusão

O BELPHEGOR mantém-se firme e relevante tanto como ato de Death Metal quanto como Black Metal. A complexidade do seu som não deixa dúvidas de que vieram da mesma terra, Salzburgo, que um dia pariu um dos maiores gênios da história da música, Mozart, enquanto o vigor e a velocidade põe tudo no meio de um redemoinho de brutalidade. Tais características, quando em boas mãos (como o que aconteceu no sábado e não é injusto ressaltar nem citar novamente a Dark Dimensions e a Gallery), fizeram daquele espetáculo uma experiência que deve ser repetida quantas vezes for possível. E se você vive o que eles pregam nas letras ou se considera tudo apenas teatro (os próprios membros da banda já se declararam ateus em entrevista) não importa. Um show do BELPHEGOR deve te deixar com um sorriso no rosto. E o pescoço doído.

Agradecimentos:

Emydio Filho (Gallery Productions) e Marcos Baptista (Dark Dimension) pela atenção e credenciamento.
Gandhi Guimarães, pela parceria e imagens que ilustram esta matéria.
Costábile Salzano Jr. (Ultimate Music Press), pelo apoio e pelo trabalho-extra.

Setlist oficial:

Sanctus Diaboli Confidimus
Bleeding Salvation
Gasmask Terror
Belphegor - Hell's Ambassador
Diaboli Virtus in Lumbar Est
Lucifer Incestus
Stigma Diabolicum
Feast Upon the Dead
Conjuring The Dead
Pactum in Aeternum
Bondage Goat Zombie
Apophis–Totenbeschworer
Totenkult - Exegesis Of Deterioration
Pest and Terror
In Blood - Devour This Sanctity

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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