Paul Gilbert: Quem gosta de guitarra deve tocar até o fim da vida

Resenha - Paul Gilbert (Bar Opinião, Porto Alegre, 28/04/2014)

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Por Guilherme Dias
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O guitarrista PAUL GILBERT esteve em Porto Alegre na noite do dia 28 de Abril para apresentar seu Workshop. Paul Gilbert é apenas o dono das guitarras virtuosas da banda de hard rock MR. BIG e da banda de heavy metal RACER X. O local do evento foi o bar Opinião, que está acostumado a receber shows e festas e tem capacidade para aproximadamente 1.500 pessoas.

Para o workshop foram improvisadas cadeiras na pista e nas demais localidades do bar, visando um conforto para o público que foi reduzido pelo o que a casa pode receber de público, devido ao evento diferenciado que ocorreria na noite de segunda-feira. A apresentação foi iniciada com Paul entrando no palco dizendo "Olá Porto Alegre", e apenas com sua guitarra e um pedal/ pad sensível a toque (que ele batia o pé, e saía nas caixas um som de bumbo de bateria).

Nesse primeiro momento Paul tocou uma longa improvisação que teve trechos de músicas como "To Be With You" e "Green-Tinted Sixties Mind" (MR. BIG) e "Back in Black" (AC/DC). PAUL GILBERT perguntou se havia algum guitarrista na plateia (mais de 70% do público se manifestou), questionou-os se sabiam o que era uma escala maior e a resposta foi única, todos os guitarristas presentes sabiam.

PAUL enfatizou ao longo de sua apresentação a posição dos dedos com relação ao braço da guitarra e como é possível abafar as cordas para executar uma nota utilizando todas as cordas da guitarra. PAUL utiliza o polegar para abafar a 6ª corda e disse que para tocar rock and roll o polegar é fundamental. Disse isso pois sabe que muitos guitarristas não utilizam o polegar para tocar (sem dizer que está errado tocar sem usar o polegar, mas que ele pode facilitar a execução da técnica).

O músico apresentou a técnica "tica" com palhetadas para cima e para baixo na sua mão direita e abafando as cordas com sua mão esquerda. Ensinando a tocar rápido ele disse que é necessário que haja um final após tocar notas muito rápidas e demonstrou isso primeiramente com uma nota mais lenta e em seguida com duas ou mais notas lentas no final de uma improvisação, solo ou base extremamente rápida. Apesar de sua experiência, o músico disse que está mudando um pouco o seu pensamento sobre tocar guitarra, não pensando apenas nas notas, mas dando valor ao ritmo vindo da bateria. Demonstrou como um baterista toca (fazendo sons com a boca e movimentos com os braços) e em seguida passou ritmos para a guitarra, sendo visível a semelhança entre uma guitarra e uma bateria no seu modo de pensar.

Para descontrair um pouco PAUL disse que um guitarrista precisa fazer careta enquanto toca e para isso é necessário sentir dor. Usou como exemplo as caretas de B.B. KING explicando que ele tinha os dedos muito grossos e para fazer um bend ele machucava os seus dedos, o que não acontece com PAUL que possui os dedos finos. Outro quesito relacionado à performance foi ensinado pelo guitarrista. Paul disse aos presentes que não se deve olhar para a guitarra o tempo inteiro enquanto está tocando, que o guitarrista deve sentir sua guitarra e sempre olhar para o céu.

Com relação ao bend (técnica favorita do músico) ele demonstrou a sua técnica que não envolve a movimentação das falanges dos seus dedos, mas sim a movimentação do seu punho. Uma guitarra Ibanez foi sorteada pelo artista. A forma que foi realizada o sorteio foi um pouco inusitada. PAUL diria um número e esse número estaria no ingresso de alguém na plateia, porém ele disse cerca de cinco números diferentes e ninguém se manifestou.

Esses números eram os dos ingressos, então não se sabe se aqueles ingressos não foram vendidos ou se os donos dos ingressos com aquela numeração não conseguiram encontrar esses números. Por conta disso, o modo de sorteio foi alterado: o guitarrista tocou uma palheta na pista e quem encontrasse a palheta ganharia o prêmio. E aí mais um fato curioso: ninguém conseguiu pegar a palheta no ar e quem estava na pista levou muito tempo para encontrá-la.

PAUL GILBERT abriu espaço para perguntas e dúvidas dos seus fãs. Entre as respostas ele revelou que não possui nenhum segredo para compor as suas músicas, que simplesmente tem uma ideia, grava a melodia no seu Iphone e quando tem tempo trabalha em cima da sua pequena gravação. Revelou também que costuma tocar músicas simples para praticar, músicas de bandas como BEATLES e AC/DC e quando improvisa nos solos faz exatamente o que fez no palco durante a noite, grava bases simples com o seu pedal loop e improvisa os solos em cima das bases.

Ocorreram duas jams com guitarristas locais. PAUL GILBERT chamou ao palco Guga Munhoz (visivelmente emocionado) e Renato Osório (guitarrista da banda de heavy metal HIBRIA). Ambos demonstraram muita qualidade técnica, o que agradou não só ao público, mas também ao próprio PAUL GILBERT. Após as jams, PAUL fez elogios dizendo que Porto Alegre possui grandes guitarristas e bateu palmas para os dois.

A apresentação já se aproximava do final. PAUL GILBERT fez um resumo do que realizou no palco e disse que não importa a idade, que as pessoas que gostam de guitarra devem tocar até o fim de suas vidas, disse que começou a tocar com 9 anos de idade, que agora tem 47 e que continua tocando com muito prazer. Ressaltou a importância dos pés para ditar o ritmo, dizendo que não é necessário utilizar um metrônomo para tocar no tempo, que o tempo vem de dentro de cada indivíduo. O músico agradeceu a todos que compareceram no evento e encerrou o seu espetáculo com "Little Wing" (JIMI HENDRIX).

Fotos por Liny Rocks®
facebook.com/photoslinyrocks



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Sobre Guilherme Dias

Fanático por heavy metal e hard rock desde os 12 anos de idade. Coleciona CDs e LPs, principalmente do Helloween e seus derivados. Colabora com o site desde 2013. Nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

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