Metallica: Outra resenha do show? Pra quê?
Resenha - Metallica (Morumbi, São Paulo, 22/03/2014)
Por Carla L Fillardi
Postado em 26 de março de 2014
Outra resenha do show do Metallica? Pra quê? Por que alguém se daria a esse trabalho?
Sim, outra resenha. Já tinha pensado em colaborar com o Whiplash.Net, que acesso quase diariamente, mas por razões diversas ainda não tinha tentado. Bom, vamos lá, quem sabe publicam, né? Eu não estou mesmo conseguindo fazer outra coisa agora senão pensar no show do METALLICA...
Não moro em São Paulo, mas tenho me desdobrado para ir lá assistir a certos shows, como muita gente. Cheguei cedo ao Morumbi, sem dificuldade, feliz da vida. A entrada foi tranquila, mas é preciso deixar registrado que a segurança dos eventos tem exagerado na dose quanto ao que pode ou não entrar e tem falhado nesse quesito. Um segurança implicou com meu copo de papel com bebida! Um copo apenas. Virei o conteúdo e entrei. Mas, nós todos temos o direito de entrar com um copo de plástico ou de papel! Lá dentro, encontrei um cara de guarda-chuva. O que poderia ser mais perigoso?
Não vou me estender sobre a RAVEN pois acho que as resenhas já publicadas foram suficientemente informativas e justas. Com a má qualidade do som e o pouco tempo deixado para a banda britânica, todos saíram perdendo. De qualquer modo, eu nunca tinha visto a RAVEN e achei massa ver aquele power trio britânico bem humorado energizar o Morumbi. Com todo respeito, parecia um misto de banda de heavy metal com aquelas apresentações de luta livre mexicana. Os caras foram muito cativantes.
Atrasou. Mas, enfim Clint Eastwood apareceu no telão para introduzir o METALLICA ao som de "Ecstasy of Gold". Quando o METALLICA pisou no palco, fez o Morumbi tremer com "Battery", "Master of Puppets" e "Welcome Home (Sanitarium)". Se em casa é bom, ao vivo é muito melhor! Pausa para respirar. Não, não deu para parar, eles jogaram "Fuel" no público! Agora sim, um momento para respirar. Do piso superior do palco, James Hetfield introduziu "Unforgiven". De fato, souberam dar um jeito na set list by request equilibrando as mais melódicas (para não dizer lentas) com as mais paulêras. E, na minha opinião, a set list brasileira não ficou muito boa ou não muito thrash – demos trabalho aos caras. Não conseguimos emplacar "The Frayed Ends of Sanity" na votação! Até agora estou com inveja dos peruanos... Apesar disso, mais um ponto para o METALLICA que tocou todas como se eles mesmos tivessem escolhido a set list. A nova música "Lords of Summer" foi uma grata surpresa. Pesada, adorável, indicando que o METALLICA continua metal! Sim, Lars Ulrich ainda está aguentando o tranco na bateria.
Aliás, em resumo, o METALLICA tocou de forma impecável todas as músicas e o som estava excelente, pelo menos na pista premium (alto e bem equalizado, dava para ouvir todos os instrumentos e os vocais). Espero sinceramente que tenha sido o mesmo para quem estava no restante do Morumbi, essa foi a primeira vez que assisti na premium. A energia da banda estava fantástica. Sob o comando de James Hetfield, a interação da banda com o público e com os fãs sorteados foi na medida certa. Isso é, pouca conversa e muito som. É isso, o METALLICA provou mais uma vez ser uma banda que vale a pena assistir ao vivo. Respeito ao público, profissionalismo e carisma. Com uma pequena exceção (ninguém é mesmo perfeito)! Por que tiraram "Ride The Lightning" da set list? Na set list divulgada pós-votação, ela estava lá! O que aconteceu? E, claro, tinha muita gente pedindo "Ride The Lightning" quando aparecia o quadro de votação. Não foi à toa que quase deu empate com "The Day That Never Comes". Mais um motivo para terem tocado.
Ah, choveu. Foi mesmo. Quase nem deu para perceber. A set list de James Hetfield deve ter ficado ilegível, mas eles ignoraram a chuva tanto quanto o público – "Wherever I May Roam", não é? "Sad But True" estava mesmo na set list e foi tocada, seguida por "Fade to Black" com seu riff final ultra-cativante. O show esquentou novamente com "And Justice for All", "One", "For Whom the Bell Tolls" e "Creeping Death". Uma beleza! Na sequência, "Nothing Else Matters"... bem, é o METALLICA, então nothing else matters… Em certo momento lá, Robert Trujillo colocou seu baixo em destaque e fez um rápido solo marcando sua presença. "Enter Sandman" tirou o público do chão preparando o caminho para "Whiskey In The Jar", muito boa ao vivo e a cores – mas, não posso deixar de lembrar que poderíamos ter escolhido uma música do METALLICA, do Death Magnetic quem sabe?
"The Day That Never Comes" foi a música escolhida na noite, quase empatada com "Ride The Lightning". Parte do público vaiou o resultado da votação (e James Hetfield ficou sem entender nada ou se fez de desentendido)! Mas, quando começaram a tocar, o público esqueceu e foi junto! Oh que pena, o show estava acabando... Searching, "Seek & Destroy"! Como sempre, maravilhosa e arrebatadora. Não deu para não perceber as lágrimas de Robert Trujillo se despedindo da família METALLICA em mais um show perfeito da banda. Essa foi uma das imagens fortes da noite.
Bem, o METALLICA cumpriu com sua parte, satisfação garantida. Quer dizer, um música bis não faria mal a ninguém, não é? Mas, o público nem pediu... Só que há outros fatores que fazem um show ser bom. E aqui vai alguns comentários e reflexões. Os telões estavam ok, mas o palco poderia estar mais alto. Afinal, tem o resto do público todo para ver a banda e não apenas os telões, certo? O clima da galera estava tranquilo onde eu fiquei... Até demais! Não vi abrir uma roda! Credo! Não vi brigas também, ótimo! Parabéns a todos pela paz reinante e espírito fraternal! Agora, cá para nós, não tá na hora de aliviar um pouco o uso do celular nos shows? Aproveito a deixa para citar o (péssimo) hábito de algumas mulheres (principalmente) que sentam no ombro alheio para assistir o show. Me sinto muito à vontade para falar isso porque tenho 1,60m. Ser baixinha não é motivo para atrapalhar os outros! Na melhor das hipóteses, aprecie com moderação.
Depois de sair no êxtase do METALLICA, o público se deparou com a desorganização e falta de respeito da cidade de São Paulo (é a prefeitura quem autoriza ou não a realização de um evento, não é?). Não havia transporte público para voltar! Entramos direto como coadjuvantes numa versão local do filme "Through The Never"! Isso é que é interatividade! O que não fazemos pelo METALLICA? O retorno foi um caos e espero que todos tenham chegado bem. Eu e mais centenas de pessoas tivemos que voltar andando quilômetros à noite. Sorte que estava chovendo! Os táxis não estavam no entorno do Morumbi e os que estavam ou não paravam ou inventavam desculpas para não fazer o transporte (será que foi retaliação a uma ação fiscalizadora recente da prefeitura?). A organização do evento divulgou que haveriam ônibus levando para a Estação de Metrô Butantã, mas "esqueceu" de informar que o metrô só circula até 01h00! Eu vi alguns ônibus parados e sem qualquer sinal de funcionamento. Quando os ônibus começaram a passar, iam lotados e não paravam mais nos pontos. Sad but true!
Mas, sem arrependimentos, o show foi sensacional - "no remorse, no repent"!
Set List:
Battery
Master of Puppets
Welcome Home (Sanitarium)
Fuel
The Unforgiven
Lords of Summer
Wherever I May Roam
Sad But True
Fade to Black
And Justice for All
One
For Whom the Bell Tolls
Creeping Death
Nothing Else Matters
Enter Sandman
Whiskey In The Jar
The Day That Never Comes
Seek & Destroy
Outras resenhas de Metallica (Morumbi, São Paulo, 22/03/2014)
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