Valhala Metal Fest: Folk Metal leva mais de 200 pessoas a Itapira

Resenha - Valhala Metal Fest (VIP Bar, Itapira, 11/01/2014)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O heavy metal no interior ainda é bastante raro atualmente. De vez em quando, bandas internacionais resolvem passear fora do eixo Rio – São Paulo (que tem como coadjuvantes Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte, entre outras) e ir para as cidades menores. Mas lá o que ainda reinam são os eventos alternativos, pequenos, que ainda arregimentam um grupo fanático por heavy metal e que muitas das vezes não tem tanto acesso aos grandes shows. Conferimos em Itapira, no interior de São Paulo, o Valhala Metal Fest, evento para os amantes do folk metal, que reuniu alguns dos melhores nomes da nossa cena.

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Logo na entrada, o espetáculo já mostrou ótima organização. O público não teve dificuldades para adentrar o recinto, havia segurança presente e o VIP Bar parecia um ambiente bastante legal. O bar aberto, de frente para a rua, foi o local onde os fãs se concentraram antes do início dos shows, e puderam contar também com um aquecimento regado aos DVDs das bandas ELUVEITIE e IN EXTREMO, dois dos maiores expoentes do folk metal na atualidade. Vale destacar também a estrutura, o espaço para o merchandising e a venda de produtos, muito bem feita.

KRIEG MUSIC MEDIEVAL

Lá para as 22, o público então foi convidado para ver a primeira banda que estava já prestes a subir ao palco. Em outro ambiente, completamente distinto ao bar, encontramos um palco bem alto e uma estrutura muito boa para um festival deste porte – diga-se de passagem, não perde em nada para alguns conhecidos bares da capital paulista.

Foi com esta estrutura que o KRIEG MUSIC MEDIEVAL, banda que toca música folclórica europeia e tem como objetivo mostrar os laços desta cultura com o povo brasileiro, subiu timidamente ao palco para sua apresentação. O público pareceu muito descrente no início, especialmente nas primeiras músicas da banda, o que era de se esperar afinal o KRIEG não é uma banda de metal, mas no decorrer do show o público realmente foi conquistado por um trio extremamente técnico. A versatilidade do líder da banda, que ia do canto e passava por flautas e a gaita de fole, realmente comandou um som muito bem interpretado de músicas folclóricas europeias.

Não demorou muito para o público dançar ao som da banda, com bastante alegria. E os músicos, demonstrando muita humildade, também não ficaram para trás: um a um, os membros desceram para a plateia e animaram os headbangers, transformando o show em uma grande festa. Sem dúvidas o KRIEG é uma super opção para abrir shows de folk metal e aquecer o público presente. Poderíamos vê-los em alguma próxima edição do famoso Thorhammerfest, pois claramente eles têm total condição de representar as músicas que tocaram no palco do VIP Bar.

SIGFADHIR

Em exatos 15 minutos após o show do KRIEG, o SIGFADHIR subiria ao palco para apresentar mais uma vez um belo show. Quem viu o show do ARKONA em São Paulo, como eu, já tem alguma ideia de como estes caras tocam, mas gostaria de reforçar que a qualidade do show aqui foi bastante superior. A banda é jovem, está começando agora, e mostra que tem muita coisa ainda pra rolar. Vale tomar nota da versatilidade dos vocais, que me levam a lembrar de bandas muito boas como o FALKENBACH e o projeto FOLKEARTH, que trabalha muito as músicas com levadas mais death e pagan, mas também tem muitas músicas voltadas a um estilo de folk mais próximo ao doom.

A grande surpresa do show, porém, não fica nas músicas que a banda divulga de seu primeiro disco demo, e nem dos ótimos covers do OTYG e do BATHORY – diria até que o som da banda, em suas primeiras músicas autorais, ainda está muito preso às suas influências, o que não é demérito algum, mas sim um fato. Mas foi com grande satisfação que a banda apresentou duas ótimas músicas que estarão presentes no primeiro álbum da banda. É um grande desafio de eles tocarem em português, mas o resultado da apresentação ao vivo de “Lobos” e “Que Meu Povo Retorne” não poderia ser mais promissor, um desafio ao gênero.

As duas músicas passaram pela aprovação do público, que realmente apreciou bastante a apresentação do grupo. Aplausos foram pouco, os headbangs comeram solto na plateia. Se eu disse anteriormente no ARKONA que eles mereciam atenção, agora digo que merecem atenção redobrada. Sério! Estes caras estão tentando algo diferente aqui.

BARBARIA

Então era a hora da queridinha da torcida, digamos que pela proximidade na região, era como se o BARBARIA fosse o time da casa. Vindos de Mogi Mirim, do ladinho de Itapira, os piratas porém não vieram se divertir e tomar rum na cidade vizinha. Ok... eles foram sim, mas não SÓ para tomar rum na cidade vizinha. Vieram também para fazer um show, e um belíssimo show! Aos gritos da plateia – o time da casa teve um apoio mais que especial – o grupo subiu ao palco e arrasou da primeira até a última música.

Para quem não conhece a banda, eles realmente tocam o tal subgênero Pirate Metal, aquele mesmo famoso por caras como os do ALESTORM. Só que o Barbaria é, diferente dos escoceses, uma banda agressiva, com um som forte e muito marcado na bateria, que é sem dúvidas o coração destes piratas. O frontman da banda, o irreverente e cheio de estilo Draco Louback, realmente mostra bem o que são estes caras: um grupo bem humorado e muito louco que toca o bom e velho heavy metal com a cara alemã.

O repertório foi muito bom, quase que inteiramente autoral. Achei que perderam um pouco a mão no cover de “Rebellion (The Clans are Marching)” – apesar de que deram sua própria cara a música do GRAVE DIGGER, o que merece nota –, mas mostraram uma desenvoltura tremenda em músicas como “Under The Black Flag” e “Black Beard”, além do que aquela chuva de rum na plateia e os solos de guitarra de Marcelo Louback só fizeram a banda ganhar mais um bom punhado de fãs naquele dia.

PAGAN THRONE

Já próximo às 2 da manhã, os cariocas do PAGAN THRONE vieram ao palco para finalizar o evento. Fantasiados ao melhor estilo do festival, a banda liderada por Rodrigo Garm deu um espetáculo digno de banda internacional. Girando sua espada e mostrando grande desenvoltura no palco, o vocalista comandou o show na abertura com “The Black Hordes”. O público mostrou que ainda tinha muito gás, e bateu cabeça e respondeu o apelo da banda a altura.

Muita gente foi mais cedo para casa e acabou perdendo o show da banda, mas os que ficaram puderam ver uma estreia mais que sensacional do “Pagan Heart”, o novo EP dos cariocas que realmente está cheio de ótimas músicas. Valeu a desenvoltura, e conquistaram também seu quinhão de fãs. A estreia do novo tecladista também trouxe um som ainda mais completo à banda, aproximando eles mais aos grandes nomes da cena do Pagan Metal.

Outras músicas de destaque também foram à música título do EP, “Pagan Heart”, e a enigmática “Northern Forests”. Não foi por pouco que a banda foi escolhida para finalizar o evento, pois sem dúvidas fizeram o show mais técnico da noite, seja pelo ótimo guitarrista Raphael Casotto, que vidrou o público com alguns solos de guitarra primorosos, seja pela base da banda, que conta com uma bateria bem arranjada e um baixo que sabe bem guiar a banda.

Quando o show terminou, o público se retirou demonstrando bastante cansaço. A noite foi longa, e muitos ali tinham ainda uma longa viagem de volta para casa – muito do público veio de outras cidades para assistir ao festival – mas não se podia esconder a satisfação pelo ótimo resultado do evento. A produção e todos os envolvidos estiveram de parabéns, afinal levar mais de 200 pessoas para um evento no interior de São Paulo, e apresentar este com qualidade profissional, não é para todos.

Páginas de interesse:
https://www.facebook.com/KriegMusicMedieval
https://www.facebook.com/Sigfadhir
https://www.facebook.com/barbariaofficial
https://www.facebook.com/pages/Pagan-Throne/144394372292212...

Setlist Krieg Music Medieval:
1- Et Sanguis in Timpanis
2- Krieg
3- Aivis Lo Lop / Taufanae
4- Chou Chou Sheng
5- Ick Kenne Ales / Her Magneling
6- Totus Floreo
7- Tourdion
8- Elven Woods
9- Trolls Danze

Setlist Sigfadhir:
Galdra (Intro)
1- Dawn of Death
2- Blood of Glory
3- Villievandring (Otyg Cover)
4- Into the North
5- Words of a Man
6- Nordland (Bathory cover)
7- Lobos
8- Que meu Povo Retorne

Setlist Barbaria:
1- Merciless
2- Watery Grave
3- Under the Black Flag
4- Buccaneers
5- Cut-Throat Island
6- Rebellion (The Clans Are Marching) (Grave Digger Cover)
7- The Pipper
8- Black Beard

Setlist Pagan Throne:
For The Battle (Intro)
1- Black Hordes
2- The Trial Of The Gods
3- Pagan Heart
4- Disease Of The New World
5- Ritual
6- Northern Forests
7- Course Of The Old Domain

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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