Black Sabbath: uma noite mágica em Belo Horizonte
Resenha - Black Sabbath (Esplanada do Mineirão, Belo Horizonte, 15/10/2013)
Por Fernando Malagoli
Fonte: einwandergesellebr
Postado em 19 de outubro de 2013
Há momentos na vida em que não planejamos nada e tudo acontece melhor do que aquele plano perfeito esboçado por horas e horas. Como que por mágica. Como na noite de 15 de outubro de 2013. Terça-feira.
Ainda me lembrando das apresentações do Iron Maiden em São Paulo e no Rio de Janeiro, algumas semanas antes, e já de olho na agenda de 2014, havia um show que não estava no meu radar. Quando percebi, um dia antes, já parecia tarde. Ainda havia ingressos à venda, mas mesmo assim deixei as horas passarem. Era tamanho o entusiasmo de um colega do meu escritório, possuidor de um ingresso premium, que motivou a decisão, tomada cerca de duas horas antes de Dave Mustaine e seus asseclas tomarem a Esplanada do Mineirão com o fast metal do Megadeth, como uma prévia à entrada de Ozzy, Iommi e Butler nos transportando ao Black Sabbath dos anos setenta. Mas com telões gigantescos e sistemas de som do século XXI.
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Mesmo sendo grupos que não habitam minhas listas de reprodução, seria uma oportunidade praticamente única. A histórica reunião dos membros que começaram a moldar as vertentes mais pesadas do rock n' roll. A cerca de trinta minutos de minha casa e a quinze metros do palco, a decisão se pagou.
A escolha do Megadeth como banda de abertura já antecipava a dimensão do evento. Os trabalhos foram iniciados com os segredos do "Hangar 18", com Mustaine ao lado de Chris Broderick (guitarra), David Ellefson (guitarra baixo) e Shawn Drover (bateria). Em seguida voltaram ainda mais no tempo com "Wake up Dead" e "In My Darkest Hour", para depois regressarem aos anos noventa com "She-Wolf" e "Sweating Bullets". Mas é a sequência das provocadoras "Symphony of Destruction", "Peace Sells" e "Holy Wars...", clássicos do auge do grupo, que é mais cantada pela plateia, especialmente a última que remete ao começo de "Rust in Peace", o melhor álbum da banda e que certamente serviu de cartão de visita a todos aqueles - como eu - que procuraram conhecer esse som que combina a sonoridade dos riffs do thrash com solos mais trabalhados e complexos.
Por volta das 9 horas, em noite de lua cheia, ouviu-se a risada de Ozzy Osbourne nos bastidores, que em poucos minutos surgiu com toda sua teatralidade para o início com as máquinas de guerra em "War Pigs". Acompanhado pelo pioneiro Tony Iommi (guitarra), presente desde os primeiros dias do Sabbath, Geezer Butler (guitarra baixo), também membro fundador, e Tommy Clufetos (bateria), percussionista de Ozzy, chamado para substituir Bill Ward, que não concordou com os termos para essa reunião.
O set list foi composto por clássicos dos anos setenta, excetuando-se três faixas tiradas do álbum "13" lançado este ano, as progressivas "End of Beggining" e "Age of Reason" além da nietzschiana "God is Dead", que foram encaixadas separadamente no set e, assim, serviram como "intervalos" desse grande revival. "War Pigs" foi seguida por "Into the Void" e "Under the Sun", em que Ozzy em um dado momento pediu a troca do microfone, que corrigiu sua voz para o que viria, com os dois lados da dependência química em "Snowblind".
Osbourne, aos 64 anos e "muitas vidas", barrigudo e curvado, comandava o espetáculo, pedindo sempre gritos mais altos, em contraponto com a fleuma de Iommi e Butler, constantes. Journeymen.
Após "Age of Reason", a chuva... E os sinos...
O momento mais esperado para muitos...
"What is this that stands before me?...".
A auto intitulada "Black Sabbath", que alterou a denominação do grupo no final dos anos sessenta, é a personificação de todo o mal, tanto nas letras como no uso do trítono, a dissonância "proibida". Ali nascia o metal. Juntamente com "N.I.B", com um dos mais famosos riffs de Iommi modificando o riff do Cream em "Sunshine of Your Love", foi o ponto alto da noite.
O show prosseguiu com "Fairies Wear Boots" e a instrumental "Rat Salad", músicas tipicamente representativas daquela época em que o blues adquiria uma sonoridade cada vez mais pesada e distorcida. Em seguida Ozzy, Iommi e Butler deixaram o palco livre para Clufetos, que animou a plateia com uma incrível performance na bateria, aliada a um jogo de luzes que deixou o solo ainda mais vibrante.
Louder... Louder... O riff de "Iron Man" inicia a parte final. Apocalíptica ou autobiográfica, não importa, é mais uma das músicas obrigatórias. Após "God is Dead?", do recente álbum, encerram o set "Dirty Women", a menos interessante da noite, e "Children of the Grave". O quarteto retorna para o bis com a introdução de "Sabbath Bloody Sabbath", mas logo trocada pelo hino de "Paranoid", que pôs fim a um grande dia do rock.
Foi a primeira e provalmente a última vez que assisti ao Black Sabbath ao vivo. Felizmente, com sua formação - quase - original. Nada ficou para criticar, algo um pouco raro por aqui. De vez em quando, o bom é não planejar...
Megadeth e Black Sabbath ao vivo na Esplanada do Mineirão, Belo Horizonte, 15 de outubro de 2013
Set List Megadeth
1. Hangar 18
2. Wake Up Dead
3. In My Darkest Hour
4. She-Wolf
5. Sweating Bullets
6. Kingmaker
7. Tornado of Souls
8. Symphony of Destruction
9. Peace Sells
Bis
10. Holy Wars... The Punishment Due
Set List Black Sabbath
1. War pigs
2. Into the Void
3. Under the Sun/Every Day Comes and Goes
4. Snowblind
5. Age of Reason
6. Black Sabbath
7. Behind the Wall of Sleep
8. N.I.B.
9. End of the Beginning
10. Fairies Wear Boots
11. Rat Salad
12. Tommy Clufetos Drum Solo
13. Iron Man
14. God Is Dead?
15. Dirty Women
16. Children of the Grave
Bis:
17. Sabbath Bloody Sabbath / Paranoid
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