Black Sabbath: Deixando os metaleiros de queixos caídos no RJ
Resenha - Black Sabbath, Megadeth (Praça da Apoteose, RJ, 13/10/2013)
Por Gabriel von Borell
Postado em 19 de outubro de 2013
Como era de se esperar, o Black Sabbath fez um show histórico na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, durante a noite do último domingo (13). Inclusive, a reunião dos lendários integrantes do grupo britânico, capitaneada por Ozzy Osbourne, que esteve no Brasil em turnê solo em 2008 e 2011, desde que foi anunciada, já vinha deixando metaleiros de 'queixos caídos' por onde passava.
Em turnê de divulgação do álbum "13", lançado no dia 10 de junho desse ano, e o primeiro desde "Forbidden", de 1995, a banda formada no final da década de 1960 concentrou um grande volume de fãs no Rio de Janeiro ávidos para testemunhar o retorno do Black Sabbath com sua formação original, com exceção do baterista Bill Ward, que não quis participar da reunião. Ele foi substituído pelo também talentoso, e jovem, Tommy Clufetos, que comanda as baquetas da banda solo de Ozzy e deu um ar mais contemporâneo em meio àqueles dinossauros do rock.
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Uma excursão mundial de "13" se torna ainda mais emblemática já que aqueles caras, que remetem ao processo inicial da história do rock n' roll, e que qualquer um deveria prestar reverência, não gravavam juntos desde 1978, quando chegou às lojas de disco o álbum "Never Say Die!". E o público sabia disso.
Tanto que as pessoas chegavam em estado de euforia na Praça da Apoteose. Uma grande concentração de pessoas já era percebida no entorno do Sambódromo horas antes até do show de abertura, que ficou por conta dos também cultuados do Heavy Metal Megadeth. Todos sentiam que estavam prestes a testemunhar algo que marcaria a vida de todos os presentes.
E o show da banda liderada por Dave Mustaine cumpriu com maestria o seu papel. Pouco antes de o relógio marcar 18h45, o Megadeth subiu ao palco e aqueceu o público com muita competência da primeira à última música do set list. Entre as faixas que mais animaram o público carioca estavam as famosas "Hangar 18", que abriu o repertório, "In My Darkest Hour", "Symphony of Destruction" e "Holy Wars… The Punishment Due", que encerrou a apresentação do Megadeth por volta de 19h40, fechando quase uma hora de show. Destaque ainda para os vídeos no telão de fundo do palco super estilosos e bem casados com a temática de cada canção.
O intervalo entre o Megadeth e Black Sabbath não durou muito. Cerca de meia hora depois, às 20h10, com um mínimo de atraso, o vocalista Ozzy, Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Tommy Clufetos (bateria) surgiram no palco sob olhares de incredulidade de quem estava na plateia. Ozzy, antes disso, como de costume, já aparecia atrás da cortina que cobria o palco para criar aquela expectativa no público.
A abertura do show ficou por conta de "War Pigs", primeira faixa do segundo disco do Black Sabbath, "Paranoid" (1970). A partir daí Ozzy e cia mnandavam um clássico atrás do outro, criando um surto coletivo na Praça da Apoteose. Na primeira parte da apresentação vieram "Into the Void", do álbum "Master of Reality" (1971), "Under the Sun/Every Day Comes and Goes" e "Snowblind", duas faixas do LP "Black Sabbath Vol. 4" (1972). Em seguida o Black Sabbath apresentou a nova "Age of Reason", do CD "13". E assim o público seguia venerando Ozzy, Tony e Geezer (e Tommy por tabela) ao som de clássicos como "Black Sabbath", "N.I.B.", "Iron Man" e "Children of the Grave", enquanto a banda mostrava que ainda tem força com as recentes "End of the Beginning" e "God is Dead?".
É preciso destacar a vitalidade de Ozzy Osbourne em contraste com sua aparência um tanto decrépita. Ele corre, pula, joga balde d'água na plateia, puxa palmas, pede para o público jogar os braços para lá e para cá, elogia a galera. E tudo com muita vivacidade. Já seus companheiros, Tony e Geezer, são muito mais contidos e se apresentam no palco de forma extremamente serena, mas não menos marcante. O talento musical deles supera qualquer chance de serem superados pela desenvoltura de Ozzy. E nesse contexto Tommy, o baterista convidado, também não fica para trás, deixando registrado na mente do público seu solo de bateria destruidor.
Para fechar o show, pouco depois de 22h, com quase duas horas de apresentação, o Black Sabbath escolheu "Paranoid", o seu maior clássico. E dessa forma eles quase botaram a Apoteose abaixo diante da empolgação do público. A noite, sem chuva, para ficar ainda mais memorável, terminou então com um saldo extremamente positivo para ambas as partes, em cima e abaixo do palco.
Set list:
Megadeth
1- "Hangar 18"
2- "Wake Up Dead"
3- "In My Darkest Hour"
4- "Kingmaker"
5- "Sweating Bullets"
6- "Tornado of Souls"
7- "She-Wolf"
8- "Symphony of Destruction"
9- "Peace Sells"
10- "Holy Wars… The Punishment Due"
Black Sabbath
1- "War Pigs"
2- "Into the Void"
3- "Under the Sun/Every Day Comes and Goes"
4- "Snowblind"
5- "Age of Reason"
6- "Black Sabbath"
7- "Behind the Wall of Sleep"
8- "N.I.B."
9- "End of the Beginning"
10- "Fairies Wear Boots"
11- "Rat Salad"
12- "Iron Man"
13- "God Is Dead?"
14- "Dirty Women"
15- "Children of the Grave"
Bis
16- "Paranoid"
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