Black Sabbath: Um show nota 1000 no Rio de Janeiro

Resenha - Black Sabbath, Megadeth (Praça da Apoteose, RJ, 13/10/2013)

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Por João Paulo Linhares Gonçalves
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Outubro de 2013. Dia treze. Domingo. Oito horas da noite. Foi quando presenciamos um dos melhores shows de toda a história do rock no Rio de Janeiro. Foi o dia e a hora que o Black Sabbath tomou a Praça da Apoteose de assalto e promoveu uma catarse coletiva para os 35 mil presentes. Um show fantástico que ficará para sempre na nossa memória!!

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Antes de mergulhar na apresentação do Black Sabbath, vou falar um pouco do Megadeth, que abriu a noite e nos trouxe um show enxuto, tocando somente algumas das mais importantes canções de sua vasta discografia. Aqui no Rio de Janeiro, a banda teve seu som um pouco prejudicado - pelo menos esta foi a minha impressão da arquibancada. O som estava um pouco embolado e baixo demais. Ainda assim, a banda mandou ver, com destaques para "Sweating Bullets", "Symphony Of Destruction" e a arrasa-quarteirão "Holy Wars... The Punishment Due", que fechou o show. Uma pena a banda não ter tido um som mais cristalino que nos permitisse ouvir o trabalho dos dois guitarristas adequadamente - eles merecem. Dave Mustaine se mostrou muito simpático e fez questão de agradecer bastante o público. A plateia teve uma recepção morna, principalmente a galera da pista premium; o pessoal da pista mais atrás agitou bem mais e gritou bastante o nome da banda.

Respeitando os horários como bons britânicos, pouco antes das 20:15 um pano negro foi baixado no palco, gerando uma enorme expectativa no público. Esta expectativa só aumentou quando Ozzy começou a puxar o coro "ô ô ô". Alguns instantes depois, as luzes se apagaram completamente e as sirenes começaram a soar em toda a Apoteose, um prelúdio da catarse que falei acima: rapidamente, os pais do heavy metal assumem seus lugares e os primeiros acordes de "War Pigs" ecoaram absolutos, gerando uma comoção geral: percebia-se nos olhares, nas reações, nos abraços nos amigos mais próximos, que o sonho de ver a banda dos sonhos tinha se tornado realidade. Particularmente, fiquei em um estado de catarse catatônica: segurava a câmera para tirar fotos e mal consegui ligar o equipamento (felizmente passei a câmera para minha esposa, que tirou as fotos que ilustram este post); meus olhos marejaram, meu coração deu uma disparada, um arrepio subiu minha espinha e tudo o mais. Só voltei ao normal no meio da música seguinte, "Into The Void", e foi então que me atentei melhor ao show. O som havia melhorado uma enormidade: a guitarra de Tony Iommi parecia uma orquestra de trovões atordoantes, despejando os melhores riffs da história do rock diretamente em nossos tímpanos. Geezer Butler complementava esta sonoridade apocalíptica com seu baixo distorcido cuspindo notas de forma alucinante. Ozzy Osbourne foi o mestre da cerimônia macabra, na verdade uma celebração aos 40 anos de história desta instituição do heavy metal. Ozzy regia todos, puxava e exigia de toda a plateia a máxima vibração possível (e sua voz aguentou as duas horas de show muito bem, obrigado!). Tommy Clufetos era ao mesmo tempo a fagulha e o combustível que movia a banda, explodindo numa adrenalina absurda, surrando seu kit como se não houvesse amanhã. Uma grata revelação esta performance de Clufetos (claro que Bill Ward teria deixado a coisa toda ainda mais especial, mais Tommy fez muito bonito!).

Outras músicas que me deixaram em estado de catarse, e que tiveram uma reação incrível do público, foram "Black Sabbath", o clássico assustador que transformou a Apoteose num gigantesco culto ao heavy metal; "N.I.B.", com Geezer e seu baixo arrasando na tradicional introdução, e todo aquele coro de pessoas cantando quase todos os versos; "Iron Man" e a plateia cantando em coro, lindamente, o riff da canção; e "Paranoid", com o começo falso de "Sabbath Bloody Sabbath" e a conversão para o clássico, gerando uma empolgação impressionante em todos. Final apoteótico muito apropriado, uma apresentação divina, que ficará marcada para sempre em nossas memórias. Compartilharemos estas lembranças com nossos familiares e amigos por muito tempo, tentando passar a emoção que sentimos neste dia. Poderia eu escrever mais cem parágrafos e não conseguiria ser objetivo na tentativa de tal descrição. Só quem esteve lá sabe o que foi ver aqueles senhores no palco. Indescritível!!

Alguns vídeos:

"War Pigs":

"N.I.B.":

"Iron Man":

"Paranoid":

Nota 1000 para o show!! Depois desse show, minha vida se fez muito mais completa!!


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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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