Black Sabbath: o show da vida de muitos no Rio de Janeiro
Resenha - Black Sabbath, Megadeth (Praça da Apoteose, RJ, 13/10/2013)
Por Leoni Coutinho
Postado em 14 de outubro de 2013
Antes do show em si, é preciso ter consciência de que esse não é uma simples turnê, nem mesmo só uma grande turnê, é a maior turnê de toda uma geração. É a formação (quase) original do BLACK SABBATH se reunindo pra gravar um álbum e se apresentar pelos quatro cantos do mundo. O quê poderia ser maior que isso? (Talvez se os remanescentes do LED ZEPPELIN ou PINK FLOYD fizessem o mesmo, chegariam perto. Mas isso não passa de uma suposição). Esse é o maior show em décadas e, na minha opinião, vai demorar muitas mais décadas pra ser superado.
Os inventores do heavy metal vieram muito bem acompanhados. O MEGADETH executou um set direto, matador, sem tempo pra respirar. Dave Mustaine parece ter entendido que é importante fazer shows grandiosos e investiu em projeções nos telões e na movimentação da banda. Mustaine, David Ellefson (baixo) e Chris Broderick (guitarra) se movimentavam sem parar, alternando os lados e os microfones, fazendo uma apresentação técnica impecável, para os fãs do som da banda, e empolgante para os que, por algum motivo, não conheciam e/ou só estavam ali pra ver a principal atração da noite.
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O MEGADETH encerrou sua apresentação com os mil megatons de força de "Holy Wars", se despediu e, na mensagem final, depois de pedir aos presentes que voltassem pra casa com cuidado, pois queria vê-los novamente, Mustaine ainda agraciou a todos com um air guitar sensacional. Como qualquer headbanger que se preze já deve ter feito ao som de "Paranoid". Essa atitude do frontman dos gigantes do thrash foi uma prova do clima dessa turnê: a descontração. Os dois shows da noite mostraram bandas com tesão pela música, com apresentações sorridentes e uma interação olho-no-olho do público. É algo difícil de explicar, mas todos ali, músicos e plateia, tinham consciência de que estavam presenciando história.
E meia hora depois, o êxtase. O pano desce, Ozzy provoca o público antes mesmo do contato visual. A sirene anuncia "War Pigs". A parede de som do Sabbath explode nas caixas de som. Pra 30 mil fãs contemplarem, perplexos. Eles estão bem na nossa frente. Iommi, Butler e Osbourne. Os caras que criaram a trilha sonora da vida de tanta gente ali presente, tocando seus maiores clássicos. O público responde de imediato a cada "I CAN'T HEAR YOU" de Ozzy. O clima de descontração anteriormente citado é corroborado com as brincadeiras do vocalista no palco, como por exemplo o de morder um morcego jogado por um fã, e chutar duas vezes uma bola que veio da plateia. Até mesmo as expressões tímidas de Iommi eram reverenciadas. O show se desenrolou com porrada atrás de porrada, com o mesmo setlist apresentado nos shows de São Paulo (11) e Porto Alegre (09).
É meio inútil destacar músicas, já que isso é bastante pessoal, e não há nesse setlist alguma canção que não beire a perfeição. É até previsível se emocionar com "Snowblind", arrepiar até o último fio de cabelo com "Black Sabbath", quase quebrar o pescoço com "Children of The grave" e enlouquecer com "Paranoid". Mas mesmo sendo previsível, não diminui o quão perfeito é. O que há pra se destacar é que não foi algo burocrático e frio, como o que tantas bandas ditas grandes fazem hoje em dia, foi um concerto com toda a emoção que é característica de deuses como Ozzy, Tony e Geezer. Era o Sabbath com toda a força e paixão de mais de 40 anos de estrada. Foi o show da minha vida, uma emoção que pouquíssimas coisas nesse mundo podem proporcionar. E tenho certeza que também foi o de muita gente presente à Praça da Apoteose nesse 13 de outubro de 2013.
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