Pato Fu: Criando novos arranjos com instrumentos improváveis

Resenha - Pato Fu (Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza, 16/07/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mesmo para quem não trabalha na área de educação, a III Conferência Municipal da Educação em Fortaleza tinha atrativos bem interessantes. A programação cultural da conferência trouxe para o Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, a poesia concreta do ex-TITÃS ARNALDO ANTUNES, a interessante investida do PATO FU em instrumentos não tão ortodoxos e o espetáculo performático do TEATRO MÁGICO. Todos os shows foram gratuitos, mas a preferência para os ingressos, que teriam que ser retirados previamente, era para os participantes da conferência, como não poderia deixar de ser. Infelizmente, acabamos não conseguindo os ingressos para ver o primeiro deles.

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Crédito das Fotos: Natália Cândido

Na terça-feira, segundo dia de conferência, a atração programada era a mineira FERNANDA TAKAI, então, esperávamos que além das músicas que ficaram conhecidas em sua voz na banda PATO FU, ela cantasse também algo de sua elogiada carreira solo. No entanto, ficamos surpresos ao entrar no palco e identificar toda a banda PATO FU. Lá estavam, além da vocalista, seu marido John Ulhoa, tocando um violão de brinquedo, o baixista Ricardo Koctus, tocando uma versão reduzido de um baixo, o tecladista Lulu Camargo tocando pianinhos e outros instrumentos de teclas, além de outros músicos (demorei a encontrar o baterista Xande Tamietti com uma bateria de brinquedo atrás de um enorme joão bobo). Em um espaço no palco que eles chamaram de "mesa de atividades" completavam a banda fazendo todo tipo de som com brinquedos os músicos Thiago Braga com enormes dread locks, Mariá Portugal. Além dos humanos, Ziglo e Groco, dois bonecos do grupo Giramundo impediam que, apesar de tocado exclusivamente com instrumentos de brinquedo ficasse adulto demais.

O repertório seguiu basicamente a track list do DVD "Música de Brinquedo Ao Vivo", inclusive repetindo algumas brincadeiras como a "das ovelhas" em "Ovelha Negra" (RITA LEE). Ao contrário das composições paupérrimas e horrendas do PATATI PATATÁ ou das instigantes mas ainda direcionadas ao público infantil da dupla PALAVRA CANTADA, não há nenhuma música no set list que seja realmente infantil. O show é infantil, claro, e se eu soubesse disso antes, teria feito um esforço maior para levar meu filho, mas são sucessos anteriores do PATO FU e ícones da música popular mundial e brasileira, como, por exemplo, "Rock and Roll Lullaby" , famoso na voz de BJ THOMAS e "Frevo Mulher" de ZÉ RAMALHO, o que pode agradar tanto ao público adulto quanto às crianças que assistiam nas costas dos pais. Se você tem um filho pequeno e ainda não o levou a um show de rock, esta é uma boa indicação para começar. Um ponto que poderia ter sido melhorado seria a disponibilização de cadeiras no salão onde ocorreu o evento. É um show para assistir sentado (os próprios músicos passam o tempo quase inteiro sentados, apesar de procurarem interagir bastante com a plateia), principalmente quando se está levando um pequeno, e as costas de muitos pais agradeceriam.

E quanto à qualidade do que se ouve? A banda realmente mostrou muita competência em criar novos arranjos com instrumentos tão improváveis. Na maior parte das vezes funciona, não ficando apenas curiosos, mas ficando realmente bons como em "Todos Estão Surdos", de ROBERTO CARLOS, mas deixam a desejar outras vezes, como na já citada "Ovelha Negra" (é impossível, por mais que entendamos a proposta do show, não querer ouvir o solo composto por Luis Sérgio Carlini).

Impossível também foi deixar de lembrar do espetáculo pirotécnico visto alguns meses atrás com PAUL MCCARTNEY (cujo show foi produzido pela mesma produtora responsável pelos shows da feira, a Arte Produções) em "Live And Let Die". Dessa vez, o show seria de confete e papel picado que sai de uma galinha (!) de plástico. E seria gravado. Fernanda Takai confessou que um grande desejo seu seria que o ex-BEATLE visse a versão da banda para o seu grande sucesso. "Um BEATLE já viu tudo na vida, esperamos que ele possa algum dia ver a nossa versão", disse ela.

A lista de instrumentos inusitados continua com Fernanda tocando um "telefone" em "Pelo Interfone", de RITCHIE, e Tamietti tocando um Pogobol em "Perdendo Dentes". Segundo John, era uma tentativa de encerrar prematuramente a carreira do baterista (mesma brincadeira do DVD). Mais tarde, Thiago Braga tocaria uma "gravata percursiva" (não, não exijam que eu saiba o nome disso) em "Sobre o Tempo", enquanto Tamietti tentaria novamente acabar com sua carreira tocando o joão bobo.

O bis ainda teria "Love Me Tender" (ELVIS PRESLEY) e uma versão para "Bohemian Rhapsody", do QUEEN, cantada parcialmente pelos bonecos Groco e Ziglo e omitindo as partes não apropriadas para crianças da letra ("Mama, Just Killed A Man", etc). Veredito final sobre o show: espero que a banda volte a Fortaleza com o mesmo espetáculo e que dessa vez eu possa levar meu pequeno João. Também já sei qual o próximo DVD que comprarei para ele.

No dia seguinte, estaríamos de volta ao Centro de Eventos, no mesmo horário, para a junção de MPB, Rock Rural (lembrando muito o Clube da Esquina), Jazz e circo do TEATRO MÁGICO. Não acho que caiba uma resenha neste espaço, mas se for haver um show da trupe em sua cidade, recomendo que não deixe de conferir.

Set list:

1. (Vai Chuva) Primavera
2. Sonífera Ilha
3. Rock And Roll Lullaby
4. Eu
5. Frevo Mulher
6. Ovelha Negra
7. Todos Estão Surdos
8. Simplicidade
9. Live And Let Die
10. Pelo Interfone
11. Twiggy Twiggy
12. Perdendo Dentes
13. My Girl
14. Ska
15. Sobre o Tempo
16. Love Me Tender
17. Bohemian Rhapsody

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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