Robert Plant: clima psicodélico e nostálgico em São Paulo

Resenha - Robert Plant (Espaço das Américas, São Paulo, 22/10/2012)

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Por Otávio Augusto Juliano
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em plena segunda-feira, só mesmo um artista do porte e importância do Sir ROBERT PLANT para animar tantos fãs a lotar o Espaço das Américas, em São Paulo, para vê-lo tocar ao lado da banda The Sensational Space Shifters, seu mais recente projeto.

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Com ingressos esgotados, o trânsito no entorno da casa de shows por volta das 20h30 indicava que a tarefa daqueles que foram de carro seria bastante difícil. A região tem nada mais nada menos do que um terminal rodoviário, uma estação de metrô, uma faculdade, uma fundação e a casa de shows. Não é fácil chegar, estacionar e transitar pelo local, ainda mais com a quantidade de cambistas, dos chamados guardadores de carro e ainda o pessoal da fiscalização do tráfego tentando organizar o trânsito. Acertou quem foi de metrô e evitou esse caos.

Em compensação, uma vez dentro do Espaço das Américas, era possível se locomover tranquilamente e a casa se mostrou uma boa pedida, em termos de espaço interno. O ponto negativo ficou por conta da ausência ou da falha no sistema de ventilação, pois o ambiente estava bastante quente e abafado.

E foi sob esse forte calor que ROBERT PLANT apareceu no palco pontualmente às 22hs. O vocalista britânico, famoso por integrar uma das maiores bandas de Rock da história mundial, o LED ZEPPELIN, abriu a noite com a psicodélica "Tin Pan Valley", seguida de "Another Tribe", ambas do álbum "Mighty ReArranger" (2005).

Com a proposta de tocar algumas canções de sua discografia solo, covers e sucessos do LED ZEPPELIN, nesse projeto o vocalista tem liberdade para explorar diversos ritmos e sons diferentes, em uma mistura de Blues, Fusion, música africana, Folk e, é claro, Rock.

Os arranjos, em sua maioria, foram bastante modificados pela banda, o que certamente deixou decepcionado quem esperava um show de Rock com clássicos do LED ZEPPELIN. Na verdade, PLANT tocou oito canções do grupo de um total de quinze, mas foram releituras e não versões fiéis às gravações originais.

De qualquer forma, era de se esperar que a maioria do público soubesse disso, devido à ampla divulgação da turnê que passa pelo país. De qualquer forma, acabou sendo uma ótima oportunidade para ouvir ao vivo a inconfundível voz de um vocalista icônico, com um legado indiscutível.

O público acompanhou atento a apresentação, mas obviamente foram as músicas do LED ZEPPELIN que arrancaram suspiros e gritos dos fãs, como "Friends", a primeira da banda a ser tocada na noite, "Bron-Y-Aur Stomp", uma das que teve o arranjo mais próximo da versão original, acompanhada por palmas da plateia, e "Ramble On", quando o show já se encaminhava para o final.

O fechamento não poderia ter sido melhor: antes do bis, o hit "Whole Lotta Love" e a derradeira dobradinha com "Going To California" e "Rock and Roll".

Aos 64 anos, muitos talvez digam que PLANT não alcança mais as notas de antigamente e etc. Aquele velho papo de sempre. Mas a verdade é que PLANT continua um extraordinário cantor e usa sua voz muito bem, mesmo com as limitações que a idade e o tempo impõem a qualquer ser humano. Ao seu lado, a banda The Sensational Space Shifters também fez bonito e foi responsável por propiciar o clima psicodélico e nostálgico da noite, com destaque para o africano multi-instrumentista Juldeh Camara, que se apresentou pela primeira vez no Brasil, como destacado pelo próprio PLANT.

As 23:45h o vocalista se despediu do público com um sonoro "vejo vocês amanhã", fazendo referência à apresentação extra agendada para São Paulo, devido ao sucesso das vendas de ingressos.

O vocalista segue agora para Brasília, Curitiba e Porto Alegre e fica a recomendação para quem estiver disposto a curtir uma viagem rítmica embalada pela voz de ROBERT PLANT.

Agradecimentos a Denise Catto (Midiorama) pela atenção e credenciamento.

Banda:

Juldeh Camara- ritti, kologo, percussão e vocais
Justin Adams - guitarra, bendir e vocais
John Baggott - teclados
Liam "Skin" Tyson - guitarra e vocais
Dave Smith - bateria e percussão
Billy Fuller - baixo e vocais

Set List:

1. "Tin Pan Valley"
2. "Another Tribe"
3. "Friends"
4. "Spoonful"
5. "Somebody Knocking"
6. "Black Dog"
7. "Song to the Siren"
8. "Bron-Y-Aur Stomp"
9. "The Enchanter"
10. "Gallows Poe"
11. "Ramble On"
12. "Funny In My Mind (I Believe I'm Fixin' To Die)"
13. "Whole Lotta Love"

Bis

14. "Going to California"
15. "Rock and Roll"




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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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