G3: Joe Satriani, Steve Morse e John Petrucci no RJ
Resenha - G3 (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 12/10/2012)
Fonte: Rock em Geral
Postado em 13 de outubro de 2012
Comandados pelo professor Satriani, John Petrucci surpreende e Steve Morse revive Dixie Dregs no show do G3.
Por Marcos Bragatto. Publicado originalmente no Rock em Geral.
A cena é de forte emoção por si só. Joe Satriani, Steve Morse e John Petrucci solando juntos, lado a lado, na beirada do palco, bem ali, na frente de todos. Era o desfecho da apresentação do G3, ontem, no Citibank Hall, no Rio. O projeto de Satriani reúne outros dois guitarristas para um show especial; para ele, pura diversão. Funciona assim: cada um tem 45 minutos para tocar com sua própria banda, e, no final, os três se juntam para uma jam session com clássicos do rock de todas as épocas. Nem o clima de teatro imposto pelas empecilhantes cadeiras tiraram o clima de contemplação e emoção do espetáculo.
Porque, diferentemente do conceito que circula na mídia, segundo o qual esse tipo de música não passas de masturbação técnica, guitarristas desse naipe estão, sim, preocupados em fazer música que atinjam o público, beirando o pop. Sobretudo Joe Satriani, quem tem o hábito de fazer o ouvinte cantarolar as evoluções de suas guitarras, em músicas que têm início, meio e fim, com refrão e tudo. Na parte final, iniciada com "You Really Got Me", dos Kinks, mas que ficou famosa com a versão do Van Halen, os três guitarristas vão solando em sequência, cada qual tentando se adaptar ao estilo da música (leia-se Eddie Van Halen) e, ao mesmo tempo, mostrando o próprio jeito de tocar. Vê-se que Satriani faz sutis pegadinhas para os outros irem atrás, e Petrucci, que estava estreando nessa turnê do G3, se esforça um bocado para seguir o mestre. Quem canta é o tecladista de Satriani, Mike Keneally.
As evoluções iniciais de "White Room", do Cream (entenda-se Eric Clapton), tocadas pelos três, ao mesmo tempo, resulta numa sensação de prazer instantâneo, como se as guitarras gêmeas se multiplicassem ad infinitum, numa verdadeira miragem de belíssimas passagens instrumentais. Os improvisos continuam, sempre com Joe Satriani puxando a fila, para delírio do público que deixa as cadeiras de lado para se aproximar o máximo possível do palco. O final cita ainda o riff de outra do Cream, "Sunshine Of Your Love". É uma pena que essa parte final dure só meia horinha, mas o trecho parece ser feito na medida certa. O desfecho, que, aliás, nunca muda no G3, é com a genial "Rockin’ In The Free World", de Neil Young, cantada por Satriani, cujo riff fala por si e o título emblematiza toda a situação. Chama a atenção a expressão de felicidade de Satriani, num final exuberante que dificilmente será visto de novo pelo público.
A surpresa da noite ficou por conta de John Petrucci. Não que não se esperasse do guitarrista do Dream Theater uma boa apresentação – havia muitos fãs do grupo na plateia, diga-se -, mas ele se superou. Primeiro que apresentou três músicas inéditas, tocadas em premiere mundial, já que, como estava em turnê com o DT, só ontem estreou nessa fase do G3. Depois, porque iniciou sua parte com os mais de dez minutos da genial "Damage Control", uma peça cheia de idas e vindas, com peso e muitas guitarras colantes, como é do feitio do rock progressivo. Entre as novas, "Zero Tolerance" chamou a atenção pelo riff ultra pesado, entranhado de evoluções colantes no limite do melódico, nas notas mais altas, revelando um Petrucci impetuoso o tempo todo, sem ter que dividir espaço com outros integrantes, como acontece no Dream Theater. O guitarrista foi muito bem coadjuvado pelo batera Mike Mangini, também do DT, e pelo baixista Dave LaRue, o operário padrão da noite.
A coisa ia ficar ruim para Joe Satriani, se ele não fosse… Joe Satriani! É impressionante como o guitarrista consegue tirar um som que o identifica de supetão, e como suas músicas parecem dotadas de um approach, um carisma inigualável. No G3, dividindo o palco com outros grandes guitarristas, ele não dá o mole de não tocar os clássicos, mas acaba incluindo "God Is Crying", do disco mais recente, "Black Swans and Wormhole Wizards", lançado em 2010. É nessa música que o guitarrista duela com o tecladista Mike Keneally, que não se furta em encarar o mestre, tocando, inclusive, com os dentes, num momento de pura diversão. Fora isso é só hit, incluindo a belíssima "Always With Me, Always With You", cuja execução, de rara beleza, não cansa nunca, e os gritos do público na apelativa, porém não menos interessante "Crowd Chant". O final é com "Surfing With the Alien", aquele petardo que anda de braços dados com todos os programas de esporte de ação de que se tem notícia.
Outro que tira um som de guitarra peculiar é Steve Morse, que pela primeira vez participa do projeto G3. O estilo criativo, somado com experiências com bandas como o Deep Purple, Kansas e o Dixie Dregs, que revelou o tímido guitarrista, enriquece o repertório. Assim, além das músicas com partes mais pesadas, Morse viaja pelo erudito, na peça clássica "Baroque ‘N Dreams", e pelo country, em "John Deere Letter". Contido na banda de Petrucci, aqui o baixista Dave LaRue se solta em longas sessões de slap bass e ainda tem direito a um momento solo, chegando a montar – heresia - um duelo com Steve Morse, na própria "John Deere Letter". Dos Dregs, Morse escolheu a apropriada "Cruise Control", que encerrou um show marcado pela sutileza das músicas e também pela técnica apurada do guitarrista.
O G3 volta a se apresentar hoje (12/10, em São Paulo; saiba mais aqui.
Set list completo John Petrucci
1- Damage Control
2- Cloud Ten
3- Jaws Of Life
4- Zero Tolerance
5- Glassy Eyed Zombies
6- Glasgow Kiss
Set list completo Joe Satriani
1- Ice 9
2- Satch Boogie
3- Flying in a Blue Dream
4- Crystal Planet
5- God Is Crying
6- Always with Me, Always with You
7- Crowd Chant
8- Surfing with the Alien
Set list completo G3
1- You Really Got Me
2- White Room
3- Rockin’ in the Free World
Acesse o link abaixo para ver a resenha com fotos:
http://www.rockemgeral.com.br/2012/10/12/bom-gosto/
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