Viper: Nostalgia metálica no show de Rio Preto
Resenha - Viper (Vila Dionísio, São José do Preto, SP, 29/06/2012)
Por Júlio Verdi
Postado em 01 de julho de 2012
A tão aguardada turnê de reencontro da formação (quase) original do Viper, em celebração dos 25 anos do disco "Soldiers of Sunrise", passou por São José do Rio Preto, SP, na noite de 29 de Junho. O Vila Dionísio (casa de shows da cidade) estava lotado, mesclando muitas gerações de apreciadores de heavy metal, e a expectativa era enorme por ter, mesmo depois de mais de duas décadas, a primeira apresentação na cidade de uma das mais históricas bandas do metal nacional.
Dentre os presentes viam-se muitos fãs na casa dos quarenta anos de idade, que em 1987, compraram (e gastaram de tanto ouvir) o LP de estreia da banda paulistana. Pra esse reencontro com a trupe de Andre Matos e cia. a banda resolveu também executar na íntegra o muito bem sucedido disco "Theatre of Fate", de 1989, que abriu as fronteiras pra banda e a fez estourar em mercados como Europa e Japão.
E assim, centenas de pessoas viram Felipe Machado e Hugo Mariuti (Shaman, Andre Matos Band), Pit Passarell, Andre Matos e Guilherme Martin adentrarem ao palco da casa perto da meia noite, pra executar o extenso e tão aguardado set. Emoção e curiosidade eram os sentimentos que sentia em meios aos presentes. Centenas de pessoas querendo ver como soaria hoje clássicos do metal brasileiro construído quase três décadas atrás. E assim, "Soldiers of Sunrise" foi apresentado na íntegra e na ordem que fora disposta no disco.
Nas três primeiras músicas o som ainda não estava totalmente controlado. A voz de Matos não era ouvida com exatidão, problema este que fora controlado no restante do show. Mas a banda mostrou garra e motivação no palco, como se quisesse mostrar aos presentes que ainda detém altas doses de jovialidade. Era nítida que além do espírito profissional e comercial deste retorno, os músicos estavam felizes por tocarem novamente juntos. Sorrisos e brincadeiras eram constantes durante a apresentação. Falando do desempenho técnico, a chama da víbora continua flamejante. Pit, o grande compositor da banda, mesmo com sua franzina imagem, estala o baixo como um monstro, Andre Matos mostrou porque é um dos maiores vocalistas brasileiros, em músicas que exigem força nas notas vocais como "Nightmares" ou "Wings of the Evil". Guilherme Martin espanca os pratos e bumbos com uma precisão tal qual fora gravados os discos. Os solos de Hugo Mariuti (único "estrangeiro" na banda) procurava sempre ser fiel aos gravados por Yves Passarel e Felipe Machado, seguro e preciso, transparecendo a imagem do "gerente" da banda.
Assim, as faixas do primeiro disco foram sendo levadas a cabo. E após "H.R." (ou Heavy Rock pra quem prefira), a banda se ausenta para uma pausa, ovacionada pela audiência. E, enquanto recuperavam o fôlego, trechos do DVD documentário "Viper - 20 Years Living for the Night" são exibidos no telão, tendo como destaque programado, o show no Colégio Rio Branco em São Paulo, na década de 80, onde durante a execução da faixa "Soldiers of Sunrise", a tocha que Matos carregava propiciou um início de incêndio no palco.
E voltaram em poucos minutos para dar sequência ao show, com a execução das faixas tão aguardadas do álbum "Theatre of Fate", um dos maiores clássicos mundiais do (então recém-nascido na época) metal melódico. O disco pareceu sempre um "best of", tamanha a qualidade extrema de suas composições. E assim, uma a uma, faixas como "A Cry from the Edge", "A Least a Change", "To Live Again", a maravilhosa faixa título (que exige muito do vocal e fora executada de maneira excepcional) e seu grande hit, se é que pode ser tratado assim, "Living for the Night", o disco fora revisitado com extrema competência. Aliás, durante essa faixa, cantada em uníssimo pela plateia, alguns problemas ocorreram, mas foram prontamente superados pelos músicos no palco, e passou despercebido por muita gente. Talvez por isso, houve uma mudança na ordem das músicas, o que fez que após "Moonlight", fosse executada "Prelude to Oblivion", a sexta faixa do disco.
No quesito interação com plateia, Matos e cia. tiveram inúmeras iniciativas bem sucedidas. Hugo Mariuti e Guilherme chegaram até a brincar com o riff incial de "Rainning Blood", do Slayer, após Matos tirar um sarrinho do amigo guitarrista. Em suma, aparentavam estar mesmo à vontade no palco.
E para o encore, fecharam com "The Spreading Soul" e "Rebel Maniac" (metal-rock do disco "Evolution") que ficou muito bem na voz de Andre, apesar de sua simplicidade, e "We Will Rock You", do Queen (também presente no "Evolution").
Satisfação, prazer e emoção, eram os sentimentos que se exalava no ar pelo público ali presente, com a sensação de apesar do atraso, ter consumido um show histórico, de uma banda histórica, que merecia ter voado muito mais longe em sua época e que poderia ter se tornado uma gigante mundial no estilo a que se propôs a moldar.
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