Roger Waters: um homem que domina a arte da apresentação
Resenha - Roger Waters (Morumbi, São Paulo, 01/04/2012)
Por Pedro Zambarda de Araújo
Postado em 06 de abril de 2012
Um muro em construção, trajes militares, fogos e muito rock conceitual. Foi assim que Roger Waters, ex-baixista do Pink Floyd, abriu seu show baseado no CD The Wall em São Paulo, no último domingo (1). Com o refinamento de um maestro, Roger conduziu uma apresentação que contagiou de imediato pelo cuidado com o som, que repercutiu sem falhas por todo o Estádio do Morumbi, e pelas diversas animações projetadas nos tijolos do muro, catapultando todos os presentes para dentro de um videoclipe de alta qualidade.
Foi difícil não se emocionar com as letras de Waters nesse disco executado na íntegra, que abordam desde o totalitarismo (concentrado em seu protagonista, o introspectivo Pink) passando pela relação problemática com os pais e até chegar no sensação de solidão. As 26 músicas desse épico foram executadas na íntegra, com alguns acréscimos em Another Brick in the Wall Part 2 e passagens mais modernizadas entre as canções.
Roger Waters também aproveitou o show todo para prestar homenagens para a família do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica sob a suspeita falsa de terrorismo, além de relembrar os mortos nas guerras do Afeganistão e do Iraque. "Dedico o concerto a Jean Charles e sua família pela luta pela verdade e justiça e a todas as vítimas do terrorismo de Estado", afirmou Waters, arrancando aplausos entusiasmados da multidão que lotava o Morumbi. A apresentação era o seu protesto pessoal e coletivo, com seus fãs, contra o que ele considera abusivo e monstruoso na sociedade contemporânea.
O show fez os olhos dos presentes brilharem quando, em Goodbye Blue Sky, Roger Waters projetou aviões de bombardeio derrubando desde a foice e o martelo socialista até o símbolo do dinheiro e de corporações como a Shell. The Wall é um manifesto sobre loucura, totalitarismo e luta contra todos os poderes e símbolos que predominaram no século XX até a queda do muro de Berlim.
Quando o concerto se aproximou das músicas finais, como The Trial, o sistema de som começou a se tornar ensurdecedor, como se estivéssemos na paranóia de seus personagens, afetados pelas guerras mundiais e pelas guerras sem sentido. Os paulistanos gritaram, com força, "tear down the wall", enquanto Waters destruía seu próprio espetáculo, derrubando o muro.
Ao testemunhar o show de um homem que domina a arte da apresentação, toda a plateia sente uma espécie de libertação e de renovação. The Wall de Roger Waters em São Paulo, mesmo sem os integrantes do Pink Floyd originais, traz essa sensação.
Outras resenhas de Roger Waters (Morumbi, São Paulo, 01/04/2012)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Hellfest vem aí e confirma 182 bandas em 4 dias de shows
"Eu não erro nunca", disse Mikkey Dee ao entrar no Scorpions
A música do Deep Purple que cutucava os "guardiões da moral" dos anos 70
A primeira música que o Queen tocou quatro anos antes de transformá-la em clássico
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
A música do Metallica de 1984 que James Hetfield não quer ver nem pintada de dourado
Angra anuncia bandas convidadas para shows em São Paulo
Tarja Turunen precisou deixar a Finlândia após demissão do Nightwish
O clássico do Slayer que é faixa de um álbum "terrível", segundo a Metal Hammer
Festival Best of Blues and Rock tem edição 2026 confirmada
O disco punk clássico que Billie Joe Armstrong chamou de "um monte de merda"
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, em lista da Revolver Magazine
7 clássicos do rock nacional lançados em 1994 que são lembrados até hoje
Formação da turnê "Ozzmosis", de Ozzy Osbourne, se reúne em disco de Joe Holmes
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
Metallica: por que 9 entre 10 fãs odeiam "Load" e "Reload"?
Os nomes do grunge que Ronnie James Dio mais gostava; "Tudo banda de alto nível"
Gibson: as dez melhores composições épicas do rock


Quem é dono do Pink Floyd? Como Roger Waters, Gilmour e Sony "dividem" a marca hoje
A música do Pink Floyd que Roger Waters detestou e David Gilmour transformou num clássico
O músico que tocava demais e por isso foi cortado de álbum de Roger Waters
O conselho da mãe que Roger Waters carregou pela vida inteira
O disco do Pink Floyd que foi a gota d'água para Roger Waters; "é simplesmente um lixo"
O álbum do Pink Floyd que Roger Waters achava que só ele poderia conduzir
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!



