Black Veil Brides: Show intenso e vibrante em Porto Alegre
Resenha - Black Veil Brides (Opinião, Porto Alegre, 18/01/2012)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 22 de janeiro de 2012
Por conta da temporada de férias, os eventos culturais programados para a capital gaúcha, sobretudo no mês de janeiro, costumam ser poucos. O calendário de shows no cenário rock/metal é ainda mais escasso. Com o intuito de quebrar a monotonia da época, a turnê do quinteto BLACK VEIL BRIDES, que repercute o bem-recebido "Set the World on Fire" (2011), passou pela cidade. Cerca de seiscentas pessoas compareceram ao Opinião para conferir a proposta sonora/visual da banda que está chocando boa parte do público hard rock mais conservador.
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Fotos: Lucas Martins de Mello
Para o público jovem que compareceu em grande número ao Opinião, o mês de janeiro foi a escolha perfeita para abrigar a turnê sul-americana do BLACK VEIL BRIDES. A fila em frente ao local foi formada já nas primeiras horas do dia, por meninos e meninas ainda em idade escolar e que praticamente imitavam a indumentária glam/emo da banda. O clima era de uma verdadeira histeria quando, por volta das 20h30, o grupo I KILLED THE SYMPHONY subiu ao palco para o show de abertura. O público se envolveu facilmente com o espetáculo proporcionado pela sensacional Britt Joyce (vocal e ex-THE EARLY STRIKE), Gab (guitarra), Eric (guitarra), Jared (baixo) e Jonny (bateria).
O grupo I KILLED THE SYMPHONY ainda não possui um CD gravado, mas, mesmo assim, conquistou um bom retorno da plateia que, em pequeno número, vestia a camiseta branca da banda. No entanto, foram justamente as três músicas que o grupo disponibilizou em streaming em sua página no Facebook que embalaram de maneira positiva a performance de cerca de quarenta minutos do também quinteto norte-americano. Os destaques do show ficaram por conta da animada "My Enemy" (que tem tudo para ser o primeiro hit dos caras) e da cadenciada "Atmosphere". No fim de tudo, Britt Joyce & Cia. convenceram. A banda mostrou ao vivo os pré-requisitos necessários para ser, em um futuro próximo, um dos grupos dos mais queridinhos do público, sobretudo telespectadores da MTV. A prova disso é que muitos presentes consideraram o show do I KILLED THE SYMPHONY o melhor da noite.
Com dez minutos de antecedência, o BLACK VEIL BRIDES, em meio a uma avalanche de gritos histéricos, entrou em cena. A banda formada por Andy Biersack (vocal), Jake Pitts (guitarra), Jinxx (guitarra), Ashley Purdy (baixo) e Christian "CC" Coma (bateria) pode ser considerada um dos principais nomes do gênero hard rock/post-hardcore atual. O grupo, em atividade desde 2006, está conquistando um enorme reconhecimento por conta de "Set World on Fire" (2011), disco que saiu pela Universal Music e atingiu o Top 20 da revista Billboard. Porém, o quesito musical não o único ponto forte da banda. Com toda uma indumentária que remete ao glam rock de artistas como MÖTLEY CRÜE e KISS, o quinteto investe em um visual obscuro e praticamente macabro, como se o filme "A Noiva Cadáver" (2005) virasse uma banda de rock.
O início do show do quinteto norte-americano poderia ter sido mais impactante, se não fosse uma série de ajustes malfeitos pela equipe técnica da banda. Andy Biersack & Cia. abriram o espetáculo com uma das principais faixas do seu novo álbum, intitulada "Love Isn’t Always Fair". No entanto, pouco se ouvia a voz do cantor e a intensidade dos riffs executados pela dupla Pitts e Jinxx. O set curto do grupo – que para a tristeza de muitos não ultrapassou a marca de uma hora – perdeu o aspecto mais vibrante e melódico do post-hardcore na sua primeira parte por conta do som ruim. Na sequência, a pesada "All Your Hate" (uma das poucas do disco anterior) e o sinistro cover de "Rebel Yell" (BILLY IDOL) praticante reverteram o quadro nada favorável ao BLACK VEIL BRIDES. A pesada "God Bless You" veio depois e foi definitiva para a virada de mesa a favor do quinteto.
Não há na sonoridade do BLACK VEIL BRIDES uma referência musical mais elaborada. Por causa da objetividade do hard rock, contornado ainda pela simplicidade do post-hardcore, as músicas escritas por Andy Biersack & Cia. são extremamente básicas. Porém, a sonoridade delimitada assim se torna perfeita para qualquer performance ao vivo, o que ficou claro desde o início do show. A parte visual e a atitude em cima do palco contam muito também para que o repertório do BLACK VEIL BRIDES seja capaz de divertir o público até o fim. Para provar isso tudo, o cantor Andy Biersack pedia frequentemente para a plateia cantar junto, além de jogar água sobre os fãs que estavam rente à grade. O resto do grupo interagia como podia, inclusive prendendo um sutiã jogado ao palco em um dos pedestais de microfone. A veloz e melódica "Children Surrender", outra de "We Stitch These Wounds" (2010), antecedeu um dos pontos altos da noite: "Knives and Pens", que foi cantada em certos momentos apena pela plateia.
A fórmula musical adotada pela banda pouco se alterou de música para música. Os coros acompanhados pelo público e o refrão pegajoso impulsionaram "The Legacy" para ser citada como outro destaque do show. Com um pouco mais de peso se comparada com as demais faixas do repertório, "The Legacy" estará rapidamente entre as favoritas de "Set the World on Fire" (2011) por parte do público. Na sequência, um solo do competente baterista Christian "CC" Coma – que foi uma das surpresas ao vivo proporcionadas pelo espetáculo do BLACK VEIL BRIDES – serviu para introduzir a intensa "New Religion", que também foi bem recebida pela plateia que não deixou de interagir com Andy Biersack durante um minuto sequer. A primeira parte do show foi encerrada com a vibrante – e recheada de solos de guitarra – "Youth and Whisky".
A pausa que separou "Youth and Whisky" do que veio na sequência era um forte indício de que o show estava prestes a acabar. Com uma melodia imponente e típica do glam/hard rock de raiz, a faixa "Fallen Angels" pode ser mencionada como uma das mais impactantes da carreira do BLACK VEIL BRIDES e provavelmente como o maior ápice da noite. O público cantou do início ao fim e mostrou que tinha fôlego para entoar sozinho o refrão – e se saiu muito bem na tarefa concedida por Andy Biersack. Com pouco menos de uma hora de show (55 minutos), o BLACK VEIL BRIDES deixou o palco do Opinião sem se despedir. A plateia, sem perceber que o espetáculo acabara, permaneceu mais dez minutos pedindo a volta do grupo. Não há dúvidas de que os mais fervorosos deixaram o local um pouco decepcionados e insatisfeitos pelo tamanho e pela ausência de certas músicas no repertório.
De qualquer forma, o BLACK VEIL BRIDES mostrou competência ao proporcionar um show intenso e vibrante, mesmo que curto para muitos. Embora a turnê sul-americana do conjunto tenha sido marcada para um mês de pouco movimento artístico no Brasil, na capital gaúcha era esperado um público maior, sobretudo por conta dos ingressos acessíveis, que custavam R$ 60 e R$ 70 nos dois primeiros lotes, respectivamente. A performance contagiante de Andy Biersack & Cia. – apesar da indelicadeza de não atender o público na saída do local – deixou a ideia de que o sucesso do BLACK VEIL BRIDES não é por puro acaso. O conjunto tem em seu poder a fórmula para se dar bem por mais um bom tempo.
Set-list:
01. Love Isn’t Always Fair
02. All Your Hate
03. Rebel Yell
04. God Bless You
05. Children Surrender
06. Knives and Pens
07. The Legacy
08. New Religion
09. Youth and Whisky
10. Fallen Angels
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