God Save The Queen: Experiência única para fãs do Queen

Resenha - God Save the Queen (Teatro do Sesi, POA, RS, 12/08/2011)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Para muitos, a oportunidade de conferir ao vivo os argentinos do GOD SAVE THE QUEEN possui um sabor verdadeiramente especial. O grupo, frequentemente apontado como o melhor tributo ao QUEEN no mundo inteiro, reproduz com fidelidade cada uma das características técnicas e táticas do ícone do rock inglês. Na sua nova passagem pela capital gaúcha, o conjunto se apresentou para uma consistente plateia. Os maiores clássicos do QUEEN conduziram do início ao fim o repertório de quase duas horas.

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Fotos: Liny Rocks (http://www.flickr.com/photos/linyrocks)

Com a conhecida pontualidade britânica, o DIOS SALVA A LA REINA – como a banda foi batizada em seu país de origem – entrou em cena às 21h ocupando apenas a parte central do imenso palco do Teatro do Sesi. Embora reproduzisse cada detalhe musical do QUEEN com uma precisão de encher os olhos, os argentinos foram prejudicados pela qualidade duvidosa do som que vinha dos PA’s – certamente abaixo da expectativa dos fãs mais exigentes. De qualquer modo, Pablo Padin (vocal), Francisco Calgaro (guitarra), Ezequiel Tibaldo (baixo) e Matis Albornoz (bateria) surpreenderam com a abertura do espetáculo. Embora muito boa, a faixa “Tear It Up” não é uma das mais conhecidas/reconhecidas entre todas as criações do ícone inglês.

Não há dúvidas que os fãs do conjunto britânico se deliciaram com o rico show proporcionado pelo GOD SAVE THE QUEEN. O cuidado em copiar o cenário e a iluminação que a banda utilizava nos anos oitenta é visível e merece ser destacado. Do mesmo modo, o figurino repete as características vestimentas que Freddie Mercury & Cia. usavam no passado. Na sequência do espetáculo, os argentinos emendaram praticamente sem pausa “Tie Your Mother Down” e “Under Pressure”. O público, que preferiu permanecer sentados em seus lugares ao invés de agitar junto com o DIOS SALVA A LA REINA, apenas aplaudia – de maneira relativamente tímida – até mesmo as músicas mais conhecidas do QUEEN.

Porém, o grupo argentino não pareceu sem incomodar com a fria recepção da plateia no início do show. No piano, Padin comandou a banda em “Somebody to Love”, provavelmente um dos ápices da noite. Com o som mais redondinho, o GOD SAVE THE QUEEN executou “A Kind of Magic” e “Another One Bites the Dust”, em uma espécie de medley (já que a primeira faixa não apareceu na íntegra). O público, bem mais animado do que na primeira parte do show, chegou a cantar sozinho o refrão marcante de “Another One Bites the Dust” e aplaudiu a entrada do vocalista do DIOS SALVA A LA REINA com o clássico boné de chifrinhos que FREDDIE MERCURY costumava usar. Em seguida, Francisco Calgaro assumiu o piano para uma bonita versão de “Save Me”, outro destaque do repertório montado pelo conjunto argentino para a noite.

Não há dúvidas de que Pablo Padin é disparado a principal referência do GOD SAVE THE QUEEN. O cantor – além de possuir uma voz incrível – reproduz com maestria a performance de FREDDIE MERCURY ao vivo. Em praticamente uma mesma medida, Francisco Calgaro e Ezequiel Tibaldo se parecem com BRIAN MAY e JOHN DEACON. No entanto, é Matis Albornoz que destoa um pouco dos demais, seja por causa da sua peruca loira – em uma tentativa extrema para parecer com ROGER TAYLOR – ou seja por causa da sua (falta de) técnica com as baquetas. De qualquer modo, o grupo conquistou uma boa resposta dos presentes com a ótima “Bicycle Race” (que soou abafada justamente por causa da bateria) e com a emotiva “Who Wants to Live Forever”. Na sequência, apenas Padin e Calgaro permaneceram no palco para executar “Love of My Life” e deixarem os gaúchos cantarem sozinhos boa parte da música.

Em seguida, outro momento do show que merece ser destacado. O grupo argentino executou uma bonita e interessante versão para “These are the Days of Our Lives” – faixa que não costuma aparecer no repertório do DIOS SALVA A LA REINA (pelo menos não nos espetáculos realizados na capital gaúcha) – e “I Want It All” (sempre muito efervescente). O público, que depois acompanhou com palmas o solo do guitarrista Francisco Calgaro, pode conferir ainda uma inusitada composição ao vivo, como foi “Death on Two Legs” no show do ano anterior, no Opinião. A música “Too Much Love Will Kill You” foi cantada pelo guitarrista e emocionou muitas pessoas que inclusive aplaudiram muito ao seu final. Na sequência, “Now I’m Here” e um modesto solo de bateria encorparam ainda mais o novo repertório do GOD SAVE THE QUEEN.

Porém, o que havia de melhor estava reservado para a derradeira parte final do espetáculo. Com uma roupa de mulher parecidíssima com a que FREDDIE MERCURY usou no videoclipe da faixa, Padin colocou a plateia gaúcha em suas mãos durante a sua encantadora performance em “I Want to Break Free”. Os presentes ainda acompanharam com palmas a o refrão de “Radio Ga Ga” – uma música simplesmente perfeita e adequada para animar todos os shows do DIOS SALVA A LA REINA. Entretanto, o show ganharia contornos ainda mais interessantes com “Crazy Little Thing Called Love” (com Padin ao violão) e a épica “Bohemian Rhapsody”, que ganhou uma roupagem nitidamente mais rápida na versão dos argentinos. O público satisfeito aplaudiu de pé o conjunto na sua primeira despedida.

De volta rapidamente para o bis, o GOD SAVE THE QUEEN emendou a dramática “The Show Must Go On” (que inclusive emocionou uma pequena parcela dos fãs) com a clássica “We Will Rock You”. Como não poderia ser diferente, os presentes acompanharam com palmas a bateria característica da música e ainda viram Padin entrar em cena enrolado com as bandeiras argentina e brasileira (ao mesmo tempo) – para o delírio dos mais saudosistas. Na sequência, e com o Teatro do Sesi de pé, o DIOS SALVA A LA REINA encerrou o show com a obrigatória “We are the Champions”.

O repertório de quase duas horas privilegiou os maiores sucessos do QUEEN e não deixou um único fã ressentido por qualquer faixa que tenha ficado de fora. Por mais que o grupo argentino seja uma figurinha repetida entre os espetáculos musicais da capital gaúcha, todos os shows de Padin & Cia. movimenta uma interessante quantidade de fãs – de todas as idades – e de curiosos. Em turnê pela Europa e pela Oceania a partir da segunda quinzena de agosto, o GOD SAVE THE QUEEN é – sem sombra de dúvidas – uma experiência única para todos que admiram o grande ícone do rock britânico. Os fãs deixaram o Teatro de Sesi já aguardando o retorno do conjunto, provavelmente no ano que vem.

Set-list:

01. Tear It Up
02. Tie Your Mother Down
03. Under Pressure
04. Somebody to Love
05. Hammer to Fall
06. A Kind of Magic
07. Another One Bites the Dust
08. Save Me
09. Bicycle Race
10. Who Wants to Live Forever
11. Love of My Life
12. These are the Days of Our Lives
13. I Want It All
14. Too Much Love Will Kill You
15. Now I’m Here
16. I Want to Break Free
17. Radio Ga Ga
18. Crazy Little Thing Called Love
19. Bohemian Rhapsody
20. The Show Must Go On
21. We Will Rock You
22. We are the Champions

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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