Gametas: para encher a cara, falar merda e zoar os amigos

Resenha - Gametas (Roqueadores, Club das Flores, RJ, 18/06/2011)

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Por Marcelo Fernandes
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Em época de bandas bonitas, fofinhas e semelhantes, é sempre bom ver uma banda de rock que prima por ser tosca, falar palavrões e mandar tudo para a puta que pariu. Essa é a proposta dos Gametas, que tocaram no último sábado em um puteiro (literalmente). A casa de tolerância, o Club das Flores, fica em Realengo, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro e foi o último palco onde ocorre sazonalmente a festa Roqueadores, que sempre abre espaço para bandas alternativas.

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Com um CD gravado de forma independente e ralando no underground carioca (que é quase inexistente), os quatro integrantes fazem um show em que as músicas pouco diferem do material gravado. Com um rock básico e energético, o quarteto formado por Claudio Von Drakulelvis (vocal e guitarra), Iuri Escabroso (guitarra solo), Diego Drugue (baixo e vocal) e Rafael Bralha (bateria e vocal) conseguiu prender a atenção do público, que encheu a casa de tolerância.


Com uma musicalidade próxima ao punk clássico, bons riffs e apostando na agressividade que falta a muita gente por aí, o Gametas começou o show começou com “Menino Lobisomem”, música autoral que foi o ponto alto da noite, e termina com um uivo do vocalista. Com todo o mise en scène de uma banda com culhões, os músicos dão o sangue no palco, e se jogam, chacoalham, tocam deitados e contagiando quem vê.


Porém, devido ao desconhecimento da maior parte do público, o show foi mais assistido do que curtido. As músicas em sua maioria são simples, com solos rápidos, e direto ao que interessa, mas que talvez pequem por faltar um pouco de diferenciação, ou um toque pessoal.


Com uma musicalidade e um visual que lembra o punk clássico e tenta evocar shows de rock horror como Misfits e Alice Cooper, o rock é padrão, sem muitas novidades, o que seria melhor do que inventar algo diferente e estragar o clima de celebração ao lado feio do ser humano. Visualmente, a banda usa uma maquiagem que lembra o gótico, e que combina com as mensagens. É música para encher a cara, falar merda e zoar os amigos.


A banda também “cometeu” em sua apresentação “Beth Cemitério”, versão para “Pet Sematery”, música dos Ramones para a versão de cinema do livro de Stephen King “Cemitério Maldito”. Ainda foram tocados outros dois covers: “Menstruada”, do Júpiter Maça, e “Last Caress”, do Misfits, berrada pelo baterista enquanto o resto da banda se divertia no palco massacrando os instrumentos.


O principal diferencial deles está nas letras, que fogem do padrão normal da atualidade, e falam como qualquer estilo, em sua maioria, de mulher. Médiuns, como em “Ela fala com espíritos”, depressivas, como em “Cida Suicida”, traidoras, como em “Carne de 2ª”, ou sado-masoquistas, como “Os Brinquedos Eróticos de Madama Surrey”, cuja personagem-título batiza a boneca inflável jogada durante a execução da música, que encerrou a apresentação.


Resumindo, os Gametas fizeram um bom show em pouco menos de uma hora, e tem a possibilidade de crescer na proposta de levar um pouco de podridão ao atualmente cor-de-rosa mundo do roquenrôu. Rock que teve a história exaltada com uma mistura de músicas tocadas pelos DJs BJ e Lynha, que passava por Beatles, Talking Heads, Nirvana, Smiths e Strokes, indo do indie ao clássico passando por grunge e outros subgêneros, que fizeram dançar naquela noite muita gente que nem havia nascido quando esses estilos estavam no auge.


Fotos de Michelle Modesto


Setlist:

1. Menino Lobisomem
2. Carne de 2ª
3. Mulher Biônica
4. Menstruada (cover, Júpiter Maçã)
5. Ela fala com espíritos
6. Cida Suicida
7. Beth Cemitério
8. Monstro
9. Last Caress (Cover Misfits)
10. Teu namorado é gay
11. Os Brinquedos Eróticos de Madama Surrey

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