John Fogerty no RJ: "eu vi um show do cara do Creedence"
Resenha - John Fogerty (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 06/05/2011)
Por Júnior Diniz Toniato
Postado em 07 de maio de 2011
Eu estava voltando de um jogo de volei no Maracãnazinho quando vi um "outdoor" escrito algo do tipo "A espera acabou, JOHN FOGERTY no Brasil". Você viu? - pergunto ao meu amigo. Quem? - ele responde. São coisas que acontecem.
Nos dias que se passaram procurei me informar de tudo sobre o show, preço, local, data e companhia. Essa não foi fácil, meu primo viciado em CREEDENCE mora no Espírito Santo e não tinha como vir. Um amigo que diz gostar muito optou por comprar um jogo de playstation 3 com a grana do ingresso. Beleza, vou sozinho! Cara é CREEDENCE!!! Como? - um amigo indagou no bar na segunda feira antes do show. Eu vou contigo - fechado então, é assim que eu gosto, mais espontaneidade e menos planejamento pra curtir a vida.
Ingressos comprados. Sexta chegou. Um pulo no trabalho de manhã para asistir uma apresentação do orientador e o resto do dia que se dane. Hoje tem JOHN FOGERTY e é isso que importa.
No local o clima era muito diferente de todos os shows de rock que já assisti, pouca gente, com menos de meia hora para o início. A maioria casais como os meus pais, tinha a impressão de que eles olhavam esse garoto com cara de menino e pensavam "o que esse muleque tá fazendo aqui?". E eu os respondi quando cantei todas as canções em auto e bom som, mas não coloquemos a carroça na frente dos bois.
Entramos, uma cervejinha? Sete reais? Tá, vamos tomar uma enquanto o show não começa. Achamos nossas cadeiras, bem no meio. Muitas cadeiras vazias e atrás de nós, ninguém. Ótimo, porque se alguém tá esperando que eu fique sentadinho na hora que o cara aparecer naquele palco tá muito enganado. As luzes se apagaram, mais alguns minutos e bum! O ritmo estridente de "Hey Tonight" sacodiu a galera. Som muito alto, ótimo! Que se exploda! Já gastei muito dinheiro com coisas menos empolgantes que isso. Cara é o CREEDENCE ali na frente. Garçon! Traz um balde de cerveja pra gente!
E foi assim, tomando uma cerveja muito gelada ouvimos também "Green River". Uma pequena pausa e o JOHN falou com a gente, contou sobre o Woodstock de 1969 e disse "indo pra casa depois daquele show eu escrevi essa canção" e assim tocou "Who'll Stop The Rain". E a balada não era nada ainda do que tinha por vir, "Susie Q", "Lookin' out my back door", "Lodi" e "Born on the bayou". Incrível! A sua voz não é a mesma, mas com 65 anos o cara não para de correr, cantar e animar a galera.
Os solos de guitarras estavam extremamente envolventes e longos. Tão longos que até "Ramble Tumble" ele mandou. Essa foi a primeira surpresa da noite. Foi lindo, a banda muito bem organizada e um belo solo que só esta música contem. Sou fã de canções "lado B" como dizem, e esse foi o início de um grande presente. Seguiu-se então "Midnight Special" e "Cotton Fields". What a hell man! Perfeito.
A primeira canção da carreira solo veio com "Hot Rod Heart", seguida de "Don't You Wish It Was True". Ele falava muito da família e agradecia muito por estar ali e por nós cantarmos com ele. Em uma dessas dedicatórias o cara abraçou um violão e cantou "Have You Ever Seen The Rain". Todo mundo que ouve música sabe cantar o refrão dela, mas ouvi-la a partir do próprio JOHN FOGERTY foi uma experiência única.
O próximo hit da guitarra foi pra assustar todos. Mas isso não é ROY ORBISON? - perguntou meu amigo. É, e muito bem executada "Oh, Pretty Woman". Surpresas à parte, a outra música foi como abrir a porta com um chute, "I Heard It Through The Grapevine"...oooh! Não tão longa quanto a magnífica versão do ao vivo duplo do CCR mas excepcional como só ela pode ser. E depois "Up Aroun The Band" não deixou o rítimo cair.
"Keep On Chooglin" estava começando quando a nossa cerveja acabou e eu já precisava ir ao banheiro, ossos do ofícil. Uma passada rápida no mictório, e todo mundo com a mesma pressa e comentando "que show foda!". Passei no bar pra comprar mais algumas geladas quando ouço uma gaita. Na mesma hora a moça diz "senhor, vamos ter que repassar seu pedido pois da cerveja que o senhor pagou eu só tenho 5". Pelo amor de deus mulher, põe qualquer cerveja mais barata dentro desse balde que eu tenho que voltar pro show! Assim ela o fez. Voltei correndo e ainda deu pra ver o cara arrebentando na harmônica. Sensacional!
E assim prosseguiu o espetáculo. Mais cerveja e mais som do Texas, "Down On The Corner", "Bad Moon Rising" entre algumas ótimas canções de sua carreira solo. Sempre trocando de guitarras, todas lindas diga-se de passagem, incluindo uma no formato de um taco de baseball. "Fortunate Son" veio muito agitada para encerrar a primeira sessão. Volta que o meu balde tá cheio de cerveja hein! - gritei.
E ele voltou com "Rockin' All Over The World" e "Proud Mary". Um bis curto na minha opnião, não que eu esteja reclamando de algo, mas por mim ele podia ficar tocando até o dia amanhecer que não ia faltar músicas e eu continuaria a pagar a cerveja cara, com um sorriso na cara de quem vai olhar pro outros na rua e dizer "eu vi um show do JOHN FOGERTY do CREEDENCE".
Set List completo:
1. "Hey Tonight"
2. "Green River"
3. "Who'll Stop The Rain"
4. "Susie Q"
5. "Lookin' Out My Back Door"
6. "Lodi"
7. "Born On The Bayou"
8. "Ramble Tumble"
9. "Midnight Special"
10. "Cotton Fields"
11. "Hot Rod Heart"
12. "Don't You Wish It Was True"
13. "Have You Ever Seen The Rain?"
14. "Oh, Pretty Woman"
15. "I Heard It Through The Grapevine"
16. "Up Around The Bend"
17. "Keep On Chooglin'"
18. "Down On The Corner"
19. "Rock And Roll Girls"
20. "Centerfield"
21. "The Old Man Down The Road"
22. "Bad Moon Rising"
23. "Fortunate Son"
Bis
24. "Rockin’ All Over The World"
25. "Proud Mary"
Outras resenhas de John Fogerty (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 06/05/2011)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
O Monsters of Rock 2026 entregou o que se espera de um grande festival
Alvin L, compositor de hits de sucesso do pop rock nacional, faleceu neste domingo
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Jon Oliva publica mensagem atualizando estado de saúde e celebrando o irmão
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
Exausto das brigas, guitarrista não vê a hora de o Journey acabar de vez
As bandas que Steve Howe recusou antes de se juntar ao Yes
Produção do Bangers Open Air conta como festival se adaptou aos headbangers quarentões
Angela Gossow afirma que Kiko Loureiro solicitou indenização por violação de direitos autorais
A música de guitarra mais bonita da história, segundo Brian May do Queen
Novo baterista do Foo Fighters, Ilan Rubin conta como conseguiu a vaga
Anika Nilles relembra como foi seu primeiro ensaio como baterista do Rush
O dia em que Papa João Paulo II explicou "Blowin' In The Wind" para Bob Dylan
Lemmy Kilmister sobre saída de Dee Dee dos Ramones: "Aquilo acabou com Joey"
Pink Floyd e a curiosa e quase desconhecida canção de Natal gravada pela banda


Guns N' Roses - Resenha do show em Porto Alegre
365 celebrou os 472 anos de São Paulo com show memorável no CCSP
Inocentes em Sorocaba - Autenticidade em estado bruto - Uma noite nada inocente para se lembrar
Katatonia em SP - experiência tenazmente preservada com brasa quente na memória e no coração
Obituary - uma noite dedicada ao Death Metal sem rodeios
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!



