Marky Ramone: reunião de apreciadores a punks de verdade
Resenha - Marky Ramone's Blitzkrieg (Carioca Club, São Paulo, 03/11/2010)
Por Luciano Correa
Postado em 09 de dezembro de 2010
Em uma noite de muito punk rock em São Paulo, a multidão se concentrou em frente ao Carioca Club. Era possível encontrar desde o mais simples apreciador até o "verdadeiro" punk (trajado com seu coturno, colete jeans e cabelo espetado). O show estava previsto para iniciar às 22h, porém não foi o que aconteceu.
O problema começou já na fila, onde os seguranças da casa (como sempre, desprovidos de informações), não organizaram as pessoas para entrada e troca de ingressos, o que gerou um certo tumulto e desconforto entre os que haviam chegado mais cedo ao local. As informações passadas eram de que os responsáveis pela troca de ingressos, a empresa Ticket Brasil, estava atrasada, iria demorar a chegar e o real horário de início do show seria a meia-noite. Resolvido o problema da troca e organizada uma fila de entrada para os que já possuiam ingressos, o acesso à casa foi liberado.
Os primeiros da fila puderam entrar e assegurar seu lugar em frente ao palco, mas tamanha foi a surpresa quando se depararam com um corda (isso mesmo, uma corda!) no lugar da tão famosa grade. A maioria das pessoas ficaram um tanto quanto preocupadas, pois qualquer um com o mínimo de noção de shows (em geral, não só de punk rock) sabe que a aglomeração é feita em cima da grade na tentativa de estar mais próximo do palco. Uma tamanha irresponsabilidade, seja da organização ou da casa, pois além de a corda não ser suficiente para conter as pessoas, alguém poderia sair ferido. Claro que a corda não durou muito tempo, pois os seguranças não aguentaram segurar os agitados fãs da pista e a cortaram. Amadorismo de primeira.
Dentro da casa, como já é de conhecimento de muitos, o telão exibia mais uma partida de futebol. Jogaram Cruzeiro x São Paulo, com vitória do time paulista. Além disso, os presentes ainda acompanharam os gols dos outros jogos da rodada, os melhores momentos, os comentários, a classificação e o encerramento do programa que estava passando, tudo isso devido ao atraso de nada menos que 2:30 hs. Enquanto isso o som da casa tocava muito punk rock (OFFSPRING, RANCID, entre muitos outros), que até certo ponto manteve os fãs animados, mas em determinado momento o famoso canto "Hey ho – Let's go!" deu espaço para vaias e muito xingamento. A noite apenas começara.
Passou das 00h30 quando as luzes foram apagadas, o telão recolhido e o lendário MARKY RAMONE subiu no palco para saldar os fãs e dar início ao show. A formação contou ainda com MICHALE GRAVES (ex- THE MISFITS) nos vocais e EL TUCÁN – guitarra e NIÑO – baixo (ambos da banda LOS VIOLADORES), substituindo ALEX KANE e CLARE B respectivamente.
A banda começou o que seria uma avalanche de muito RAMONES acompanhado de algumas supresas, com a animada música "Rockaway Beach" que foi cantada em coro por todos. Passou por hinos do punk rock como "Psycho Therapy", "Do You Wanna Dance", "Sheena Is a Punk Rocker", "Rock n' Roll Radio", "Poison Heart", "I Believe in Miracles", a famosa "Pet Sematary", "I Wanna Be Sedated", entre muitas outras e encerrou a excelente primeira parte do show.
MICHALE GRAVES esteve muito à vontade no palco. Cantou com muita energia, pulou, correu, deu banho de cerveja na galera, recebeu todos os fãs que subiam ao palco para fazer o "mosh", tirar fotos ou apenas aparecer, enfim, teve toda a platéia na mão. MARKY RAMONE não foi diferente, conduziu sua bateria da forma como sempre fez: com muita energia e empolgação. El Tucán na guitarra fez os clássicos dos RAMONES soarem perfeitos e Niño no baixo fez o acompanhamento que a banda precisava na cozinha e nos backing vocals.
No primeiro encore, para a supresa de todos, MICHALE GRAVES voltou sozinho e com um violão. Ninguém acreditou, mas ele realmente fez o que todos queriam: tocou algumas músicas da sua fase no THE MISFITS, em versão acústica, porém muito bem executadas. "Descending Angel", "Scream" e "Saturday Night" deixou os fãs de Graves/Misfits bem satisfeitos, mesmo com o anúncio que só tinha espaço para tocar apenas essas três. Já tinha sido uma grata surpresa essa parte acústica do show, no entanto quando MARKY RAMONE e cia retornou ao palco, MICHALE GRAVES fez o que nem o fã mais otmistas poderia imaginar, perguntou se o público queria mais e executou uma das mais famosas música dele e do THE MISFITS, a poderosa "Dig Up Her Bones". Foi o suficiente para os fãs, que na maioria estavam lá para vê-lo (fato comprovado pela imensa quantidade de camisetas do THE MISFITS que muitos usavam) agitarem muito e ficarem totalmente satisfeitos. Ainda teve "Where We Were Angels" (parceria de MARKY RAMONE e MICHALE GRAVES), e a tão conhecida "R.A.M.O.N.E.S" (gravada pelo MOTÖRHEAD) antes de fazerem mais uma pausa.
A banda voltou para o último encore e fechou o show com "What a Wonderfull Word" (versão do inesquecível ex líder do RAMONES, JOEY RAMONE) e a não menos famosa "Blitzkrieg Bop". Na despedida MARKY RAMONE veio a frente do palco mais uma vez, agradeceu ao público, jogou suas baquetas, ao mesmo tempo em que MICHALE GRAVES cumprimentava os fãs e El Tucán e Niño distribuiam palhetas. O grupo deixou o palco para fechar uma noite regada a muito punk rock.
Set List:
1- Rockaway Beach
2- Teenage Lobotomy
3- Psycho Therapy
4- Do You Wanna Dance?
5- I Don't Care
6- Sheena Is A Punk Rocker
7- Havana Affair
8- Commando
9- Beat On The Brat
10- 53rd & 3rd
11- Rock n Roll radio
12- Now I Wanna Sniff Some Glue
13- Judy Is A Punk
14- Poison Heart
15- I Believe In Miracles
16- The KKK Took My Baby Away
17- Pet Sematary
18- Chinese Rock
19- I Wanna Be Sedated
20- I Don't Wanna Walk Around With You
21- Today Your Love
22- Pinhead
Encore 1:
23- Descending Angel (Graves Solo)
24- Scream (Graves Solo)
25- Saturday Night (Graves Solo)
Encore 2:
26- Dig up her bones (THE MISFITS Cover)
27- When We Were Angels
28- I Just Wanna Have Something To Do
29- Cretin Hop
30- R.A.M.O.N.E.S.
Encore 3:
31- Wonderful World (JOEY RAMONE Cover)
32- Blitzkrieg Bop
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