Death Angel: a arte do thrash metal no Recife

Resenha - Death Angel (Clube Internacional, Recife, 30/10/2010)

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Por Thiago Pimentel, Fonte: Hangover Music
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Os fãs de metal do Recife - especialmente de thrash metal - não podem mais reclamar da falta de atrações de peso - literalmente - na cidade, afinal este ano já recebemos: OVERKILL, MEGADETH e agora os americanos da Bay Area - tal como as duas bandas anteriores -, do DEATH ANGEL. Em meio a vários adjetivos, talvez, "intenso" seja o que melhor resuma o show dos caras. O grupo fez, muito provavelmente, a apresentação mais enérgica e "intensa" do ano.

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A abertura ficou por conta dos recifenses do CRUOR - também responsáveis por abrir o show do MEGADETH nesse mesmo ano -, a banda realizou uma apresentação rápida para um público que reservava suas energias para a atração principal. Um detalhe curioso foi o fato de alguns membros do DEATH ANGEL - Ted Aguilar (guitarrista) e Will Carroll (baterista) - aparecerem durante o show do CRUOR para tirar fotos com os fãs e realizar pequenas filmagens. Ambos demonstraram bastante simpatia e simplicidade - muitos não perceberam quando os caras passaram em meio ao público, por exemplo.

Poucos minutos após a abertura uma intro acústica sai dos PAs anunciando a entrada do quinteto norte-americano no palco, que já introduz com a nova "I Choose the Sky", presente no novo álbum da banda (Relentless Retribution). Apesar de sua agressividade e rapidez, a canção não empolgou totalmente o público - para uma música de abertura, obviamente -, a empolgação veio, de fato, com a segunda canção que atende pelo singelo nome de "Evil Priest". Os riffs desse clássico - pertence ao debut da banda - contribuiram paras formação das primeiras rodas de mosh e tentativas (fracassadas) de stage diving - havia uma proteção no palco que impediu a prática. A apresentação seguiu com "Buried Alive", música relativamente recente, e "Voracious Souls" - um dos maiores clássicos da banda que teve seu refrão fácil entoado por boa parte dos presentes.

Nesse ponto a banda realizou sua primeira pausa, aproveitando para saudar - instigar - o público e, logo em seguida emendaram duas músicas recentes: "Relentless Revolution" e "Claws in So Deep". Ambas as canções soaram bem melhores - e mais agressivas- do que em suas versões de estúdio, principalmente a última.

Faço uma ressalva para a competência dos caras no palco, explico: a banda possui uma performance muito similar ao que é encontrado nos álbuns de estúdio - em especial Mark Osegueda (vocalista), que "bangueava" seus gigantes dreads sem parar. É incrível como o cara - ainda - faz com tranquilidade todos aqueles vocais. Ah, ele também foi um dos poucos que acertou a pronúncia do nome da cidade.A partir daí o que se teve foi um desfile de clássicos, músicas como: "Seemingly Endless Time", "Stop" e "3nd Floor" fizeram o tempo passar bem mais rápido. Está última possui um dos refrões mais bacanas da banda - WELCOME TO THE THIRD FLOOR (...) - e na minha opinião, foi uma das mais marcantes do show.

A apresentação seguiu com canções mais recentes, entre as quais incluem-se a rápida "This Hate" e, canções já não tão novas, que marcam o retorno - com o álbum The Art Of Dying (2004) e Killing Season (2008) do DEATH ANGEL - com as faixas "Thrown to the Wolves" e, finalmente, "Lord of Hate". Ambas as músicas foram pontos altos da apresentação, sendo as canções mais reconhecidas - e comemoradas - pelos presentes. Em especial a carismática - dedicada a Saddam Hussein - "Lord of Hate" cujo início foi comemorado desde sua intro acústica. Depois os ânimos diminuiram um pouco e houve espaço para outro clássico: "Falling Sleep" e "Truce" - também do álbum novo - anunciada por Rob Cavestany (guitarrista, vulgo Liu Kang).

Depois de "Truce" houve um intervalo para, o avassalador, encore que estava por vir. Mark Osegueda faz um discurso para o pessoal, em especial a galera do moshpit, e anuncia o clássico "Thrashers". Não precisa nem comentar como os homenageados agradeceram, certo? Houve ainda espaço para "Bored", uma excelente música, mas que diminuiu o ritmo e não foi tão bem recebida como merecia.

A apresentação fechou, insanamente, com "Kill As One", cujo "anúncio" foi feito pela intro da , também clássica e, que infelizmente não foi tocada na íntegra "The Ultra-Violence". Não tem nem o que comentar sobre "Kill As One", talvez o maior clássico do grupo... A canção é puro thrash metal e tem um refrão soberbo. Enfim, "destruiu "o que ainda restava do Internacional. Os músicos foram simpáticos, distribuindo palhetas, baquetas etc. Já não bastasse a apresentação em si, Will Carroll quase "destruiu" um lustre da casa ao jogar uma baqueta para a platéia.

Em suma, uma apresentação impecável. Diria que foi capaz de impressionar até quem desconhecia a discografia dos caras. Um grande mérito foi a ausência de erros, tudo foi perfeitamente executado pelo quinteto.

Depois da apresentação é fácil concluir que um show do DEATH ANGEL é essencial para qualquer fã de thrash metal; fazer comparações com as outras apresentações é sempre perigoso, mas fui a outros shows do gênero - de bandas que eu aprecio mais, inclusive - e nenhum me impressionou tanto como este.

Parabenizo a produção do evento que, depois de várias mudanças no local de apresentação da banda, realizou o concerto sem cogitar - ao menos para o público - a possibilidade do cancelamento do show. Na lista de locais inclue-se: o Armazém 14 - condenado por conta do estado de conservação do teto - e o clube de shows na Ilha do Retiro - cancelado pelo local ser ponto de votação.

Setlist:
01. Intro - I Chose the Sky
02. Evil Priest
03. Buried Alive
04. Voracious Souls
05. Relentless Revolution
06. Claws In So Deep
07. Seemingly Endless Time
08. Stop
09. 3rd Floor
10. This Hate
11. Thrown to the Wolves
12. Lord of Hate
13. Falling Asleep
14. Truce
-----
15. Thrashers
16. Bored
17. The Ultra-Violence [intro] / Kill as One

* Publicado também no site Recife Metal Law [versão diferente com resenha do show do Cruor a parte].


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Sobre Thiago Pimentel

Tenta, desde meados de 2010, escrever textos que abordem as vertentes da mais peculiar - em seu ponto de vista - manifestação artística do ser humano, a música. Para tal, criou o blog Hangover-Music e contribui no Whiplash.Net. Além disso, é estudante de jornalismo, guitarrista e acredita que se algum dia o Deus metal existira, ele morreu em 13/12/2001.

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