Titãs: músicas mais relevantes do passado em Porto Alegre

Resenha - Titãs (Teatro do Bourbon Country, Porto Alegre, 07/10/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Depois de passar dois anos ausentes dos palcos gaúchos, os TITAS retornaram à Porto Alegre para mais uma apresentação ao vivo. Dessa vez - sem a companhia do PARALAMAS DO SUCESSO - o quinteto trouxe os seus maiores clássicos e algumas novidades de "Sacos Plásticos" (2009) - o mais recente álbum da banda. Embora seja um dos principais nomes do rock brasileiro, o show esteve longe de empolgar o público que praticamente lotou o Teatro do Bourbon Country.

Fotos: Sophia Velho

Com um atraso mínimo, às 21h13 Paulo Miklos (vocal e guitarra), Tony Bellotto (guitarra), Branco Mello (vocal e baixo) e Sergio Britto (vocal e teclado) entraram em cena acompanhados pelo novato Mario Fabre (bateria). A banda, que é um ícone para o rock n' roll do país - ao lado de LEGIAO URBANA, PARALAMAS DO SUCESSO e BARAO VERMELHO - se mostra extremamente reduzida em comparação à formação que gravou "Titãs" (1984). Paulo Miklos e Branco Mello desempenham funções que não estavam habituados a assumir - o que parece comprometer um pouco a postura enérgica e vibrante do passado.

De qualquer modo, o quinteto exibiu um repertório musicalmente consistente e uma performance sem nenhum deslize aparente. "Amor por Dinheiro", umas das principais composições do novo álbum dos TITAS, abriu o set sem uma reciprocidade intensa por parte da plateia. O frontman provisório, Sergio Britto, não conseguiu empolgar os gaúchos inclusive com a música seguinte - a estranha e conhecida "AA UU" - retirada do disco "Cabeça Dinossauro" (1986). Nesse momento, somente os mais fãs mais exaltados frente ao palco cantavam junto com o tecladista.

Com Paulo Miklos na linha de frente, o repertório dos TITAS prosseguiu com "Diversão" e "Bichos Escrotos" - duas músicas curtas que, em comparação com as faixas que iniciaram o espetáculo, animaram um pouco mais a plateia. Embora não deixem a desejar, nenhum outro integrante se compromete com o show da mesma forma que o vocalista e guitarrista. A intensidade de Miklos é verdadeiramente oposta à tranquilidade de Branco Mello, que assumiu a voz do grupo em "Flores" e "A Estrada" - outra faixa retirada de "Sacos Plásticos" (2009).

Depois da clássica "O Pulso" - que contou com a interação do público no momento do refrão -, Miklos assumiu novamente as vozes na execução de uma das melhores composições do novo disco - a cadenciada "Antes de Você". No entanto, nada se compara ao que aconteceu em "Epitáfio": Sergio Britto comandou os gaúchos que chegaram a entoar sozinhos o refrão da música. Em "Pra Dizer Adeus", do álbum "Televisão" (1985), Paulo Miklos teve a plateia na mão, assim como em "Comida" e em "Vossa Excelência" - ambas muitíssimo aplaudidas.

No momento de maior agressividade do show, os TITAS emendaram duas de suas composições mais contestadoras - "Porrada" e "Polícia". Embora não seja a o nome mais importante da banda, Sergio Britto é quem comanda o espetáculo em grande parte do seu repertório. Com ele, os TITAS ainda executaram "Go Back" - com o público cantando junto o refrão - e "Família". Na sequência, Miklos assumiu mais uma vez as vozes em "Porque Eu Sei que é Amor", música de maior repercussão junto aos fãs de "Sacos Plásticos" (2009).

O público manteve a animação acima da média em "Cabeça Dinossauro", apresentada em seguida. Mario Fabre, que acompanha os TITAS nessa turnê após a saída de Charles Gavin em fevereiro desse ano, executou um pequeno solo de bateria antes de "Deixa Eu Entrar", música de pouco impacto em comparação com as outras retiradas do último álbum da banda. Depois de "32 Dentes" - do disco "Õ Blésq Blom" (1989), Branco Mello anunciou "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana", outra faixa que conseguiu animar a plateia de modo diferenciado.

Com a clássica "Homem Primata" e, sobretudo com "Sonífera Ilha" - o maior sucesso em trinta anos de carreira -, os TITAS encaminharam o espetáculo para o seu encerramento. "Lugar Nenhum" precedeu "Aluga-se", uma versão para a composição imortalizada por RAUL SEIXAS, regravada no álbum "As Dez Mais" (1999). De volta para o bis, a banda emendou "Marvin" e "Televisão" antes de encerrar com "É Preciso Saber Viver", do álbum "Volume Dois" (1998).

Em aproximadamente 1h50 de espetáculo, os TITAS trouxeram para Porto Alegre as músicas mais relevantes do seu passado, que já conta com quatorze discos de estúdio. O público acanhado em grande parte da apresentação, entretanto, evidenciou a energia que não veio de uma banda nitidamente burocrática em cima do palco. De qualquer forma, ninguém deixou o Teatro do Bourbon Country entristecido. As músicas dos TITAS são maiores do que os seus próprios shows.

Set-list:
01. Amor por Dinheiro
02. AA UU
03. Diversão
04. Bichos Escrotos
05. Flores
06. A Estrada
07. O Pulso
08. Antes de Você
09. Epitáfio
10. Pra Dizer Adeus
11. Comida
12. Vossa Excelência
13. Porrada
14. Polícia
15. Go Back
16. Família
17. Porque Eu Sei que é Amor
18. Cabeça Dinossauro
19. Deixa Eu Entrar
20. 32 Dentes
21. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana
22. Homem Primata
23. Sonífera Ilha
24. Lugar Nenhum
25. Aluga-se (Raul Seixas)
26. Marvin
27. Televisão
28. É Preciso Saber Viver (Erasmo Carlos/Roberto Carlos)



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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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