O álbum que gringos acharam que era split porque lados A e B são muito diferentes
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de dezembro de 2025
Em 1987, quando o engenheiro de som Paulo Junqueiro embarcou para Londres com a missão de finalizar o novo disco dos Titãs, ele não imaginava que causaria confusão até entre técnicos ingleses. O álbum em questão era "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas", sucessor do aclamado "Cabeça Dinossauro", e marcaria mais um passo ousado na transformação da banda.
Na capital britânica, Junqueiro seguiu uma agenda digna de filme: chegou num dia, editou o disco na quarta, cortou o acetato na quinta e, com o material ainda "secando", voltou ao Brasil para entregá-lo pessoalmente à gravadora no dia seguinte. Mas o que mais chamou atenção no estúdio londrino não foi a pressa, e sim o som que saía das caixas.

Segundo o livro "A Vida Até Parece uma Festa: A História Completa dos Titãs", os técnicos ingleses ficaram convencidos de que se tratava de um split-album - o tipo de vinil em que cada lado é assinado por uma banda diferente. O motivo? As doze faixas do disco soavam tão distintas entre si que pareciam feitas por grupos completamente diferentes.
E, de certa forma, estavam certos. Segundo resenha do jornalista Lucas Troglio, o álbum refletia as múltiplas personalidades musicais dos oito integrantes dos Titãs - do rock cru e provocador de "Diversão" e "Desordem" à experimentação quase pop de "Comida" e "Corações e Mentes". Era o retrato de uma banda em plena efervescência criativa, que não se contentava com rótulos e transformava suas diferenças internas em força artística.
Produzido por Liminha e lançado em 1987, "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas" consolidou os Titãs como a banda mais inventiva do rock brasileiro naquele momento. O disco mescla crítica social, ironia, humor e som pesado - tudo embalado por arranjos que iam do punk à música eletrônica.
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