Kreator e Exodus: parte da história do Thrash em São Paulo
Resenha - Kreator e Exodus (Via Funchal, São Paulo, 31/10/2009)
Por Paulo Gadioli
Postado em 20 de novembro de 2009
Duas das mais emblemáticas bandas da história do Thrash Metal mundial resolveram fazer uma visita ao Brasil. Ambas já haviam visitado o país há não muito tempo, mas, dessa vez, para a alegria dos numerosos fãs das bandas, vieram juntas. A banda alemã Kreator visitou o país no ano de 2005, realizando um show devastador no Espaço das Américas. Desde então, lançaram o álbum "Hordes of Chaos", e é justamente esse disco que vieram divulgar. Outro grande atrativo deste show era o "convidado especial". Ninguém menos que a lenda californiana Exodus. Os norte-americanos estiveram por aqui em 2007, e vêm dessa vez embalados pelo sucesso que a regravação "Let There Be Blood", lançada em 2009, está fazendo.
A fila já era grande desde cedo no Via Funchal. Os fãs esperavam o início do show, que ficaria por conta do Exodus. Praticamente às 22h00 em ponto, o que não é muito comum em shows no geral, inicia-se nos PA’s uma introdução instrumental. As luzes são apagadas. A expectativa já toma conta de todos. Alguns chegam atrasados, correndo para não perderem nenhum momento. Quando começou a imortalizada intro do clássico "Bonded By Blood", as pessoas não se agüentavam de ansiedade. Foram necessárias quatro contagens para dar início a uma devastação sonora que se prolongaria pelo resto da noite. A energia dos músicos era contagiante, Gary Holt, desde o momento inicial, corria como um louco de um lado para o outro do palco, sentindo e retribuindo a energia que o público apresentava.
A apresentação contou com a apresentação de outros clássicos como "A Lesson in Violence", "Piranha", todas retiradas do primeiro álbum da banda, o icônico "Bonded by Blood". Álbum este que, inclusive, foi regravado recentemente pela banda. Regravado da forma como a banda se encontra hoje, em um lugar muito diferente da onde estava em 198x. Hoje o que vemos é um Exodus mais pesado do que rápido, apostando em afinações baixas e nos rasgados e potentes vocais de Rob Dukes.
O som ficou um pouco comprometido durante o show. Devido às afinações baixas que a banda adotou a partir de "Tempo of the Damned", o som acaba ficando um pouco embolada. Talvez também seja esta uma possível explicação para o porquê das músicas acabarem soando um pouco mais lentas ao vivo. Se as mesmas fossem tocadas mais rápidas, é possível que o som se embolasse ainda mais. Foram apresentadas também músicas dos últimos álbuns, entre elas "Children of a Worthless God", que pareceu ser uma preferida do público, que cantava e não parava o moshpit nem por um segundo.
O Exodus provou ser, novamente, uma das bandas mais energéticas no palco. O que restava era saber se o público se agüentaria de pé para assistir mais uma apresentação. Kreator estava por vir.
Seria difícil simplesmente manter a energia do show anterior, quanto mais superá-la. Mas o que fez a diferença foi justamente a banda que estava por vir. O Kreator já se firmou como uma das maiores bandas do mundo, e foi só começar a sempre utilizada intro "Choir of the Damned" para que qualquer resquício de cansaço presente nos fãs fosse embora. A música que veio a seguir foi "Hordes of Chaos", do álbum mais recente de mesmo nome.
Mesmo com a falta do baterista original, Ventor – ausente da turnê por problemas pessoais, a banda mostrou um entrosamento bom com o substituto Marco Minnemann, conhecido por seu trabalho com a banda Necrophagist. "Phobia" foi a próxima canção, levando todos os fãs ao delírio. Seguida pelos clássicos "Terrible Certainty" e "Betrayer", o Kreator provou para todos que, mesmo com o passar do tempo, a banda continua conseguindo executar os antigos clássicos com a mesma velocidade e precisão do começo.
O frontman Mille Petrozza se mostrou comunicativo, como sempre. Talvez até excessivamente. Por ser um show conjunto, as bandas já não dispunham de muito tempo, e perder a oportunidade de tocar alguma das músicas clássicas da banda para fazer algum discurso não muito relevante pareceu uma opção não muito interessante. Mas, de qualquer jeito, todos pareceram gostar dessa aproximação do vocalista/guitarrista com o público.
Após um solo de bateria do "novato" baterista que acompanhava os alemães, "Warcurse" foi tocada. O final não fugiu do que a banda está acostumada a fazer, mas ainda assim arranca arrepios dos fãs. Empunhando uma bandeira vermelha do Kreator, Petrozza invocou todos a levantarem a bandeira do ódio. Assim deu início ao combo matador "Flag of Hate" seguida de "Tormentor", que já encerra o show da banda há muito tempo.
Todos saíram atordoados da sequencia, e os próprios integrantes da banda se surpreenderam. Já estavam nessa turnê há dois meses, Kreator e Exodus tocando juntos pela América Latina, e foi aqui que encerraram tudo, no derradeiro show em São Paulo. Foi, definitivamente, um fechamento com chave de ouro.
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