RVM: apresentação impecável de um time de primeira linha
Resenha - Recordando o Vale das Maçãs (Teatro Municipal, Pouso Alegre, 25/10/2009)
Por Doctor Robert
Postado em 03 de novembro de 2009
A cidade de Pouso Alegre comemorou 161 anos na segunda-feira dia 19 de outubro. Durante a semana aconteceram várias atrações culturais no município, dentre elas uma apresentação gratuita em praça pública do Titãs. Para encerrar a semana, a cereja do bolo foi a apresentação do veterano grupo de rock progressivo Recordando o Vale das Maçãs, no Teatro Municipal. Embora a entrada também fosse franca, o público ficou um pouco aquém do que a noite e os músicos mereciam. A casa não lotou, mas quem esteve lá pode presenciar uma apresentação impecável de um time de músicos de primeira linha.
Poucos minutos depois das 8 horas da noite daquele domingão quente pra burro, o RVM subiu ao palco e deu início a um verdadeiro show de boa música, virtuosismo e grandes arranjos. A faixa de mesmo nome do grupo foi o pontapé inicial do espetáculo, e o que se pode presenciar foi uma banda de energia e astral renovados, bem como uma qualidade muito boa de som. Fernando Pacheco demonstrou muita simpatia nos intervalos entre as músicas, onde apresentava e explicava ao público um pouco sobre as composições. Chegou até a brincar que estava de mau humor por conta da derrota do Santos para o São Paulo no clássico do campeonato brasileiro daquela tarde. Isso tudo sem falar que, mais uma vez, ele provou ser um músico acima de qualquer suspeita. Em seus devidos momentos, brilhava a cada arranjo peculiar, a cada belo solo que oferecia ao público, aliando técnica, versatilidade e feeling durante toda a noite.
Dando sequência à apresentação, mais dois grandes temas: uma versão instrumental de "As Crianças da Nova Floresta", do primeiro álbum da banda, e a excepcional "Ciclo da Vida". Há de se ressaltar ainda a grande performance de Lael Campos, tirando sons e solos extraordinários de seus teclados. Emendando o final desta, a banda executou ainda a breve "Civilização Maia", que Pacheco explicou de maneira muito bem humorada se tratar de uma introdução para uma grande sinfonia que ele ainda não compôs. Se durante todo o show os músicos se intercalavam em momentos de destaque pessoais, na medida exata, foi a partir deste momento que o brilhantismo de cada um deles ficou ainda mais evidente.
As duas próximas composições, "Universe" e "It’s Time To Change", são músicas que fazem parte do álbum "Spirals Of Time", gravado pelo G.A.L.F., que viria a se tornar o embrião desta nova formação do RVM. Agora a vez de brilhar foi do baixista Giuliano Tiburzio, que na primeira empunhou um baixo fretless e desceu a mão nele, numa levada cheia de variações junto ao baterista Tom Zé Bortolotto, enquanto Lael e Pacheco viajavam em grandes solos de seus instrumentos. Já na segunda, assumiu brilhantemente os vocais, cantando muito e demonstrando muita segurança numa composição simplesmente viajante, com seus mais de vinte minutos e suas inúmeras mudanças de arranjos, andamento e clima. Aliás, esta foi a única música não-instrumental da noite.
A essas alturas já tínhamos bem mais de uma hora de espetáculo, e chega o momento de anunciar a derradeira composição da noite, "Himalaia", do álbum de mesmo nome. Quem roubou a cena desta vez foi o baterista Tom Zé, que embora tenha "desaparecido" em meio ao seu grande kit de bateria, percussão e pratos, destruiu tudo, no melhor sentido da palavra, demonstrando técnica e precisão invejáveis.
Chegava ao fim a apresentação deste quarteto brilhante, com músicos cujo talento infelizmente não têm o devido reconhecimento neste país de cultura tão pobre – garanto que o show sertanejo realizado na noite anterior na mesma cidade deveria estar lotado de "cowboys" cantando e aplaudindo as duplas que apresentavam aquelas composições de qualidade duvidosa de sempre... Uma pena. Quem não compareceu, perdeu um verdadeiro espetáculo, não só para fãs de rock progressivo, mas principalmente para admiradores de música de qualidade.
Sucesso e vida longa a estes quatro grandes músicos...
SET LIST:
Recordando o Vale das Maçãs
As Crianças da Nova Floresta
Ciclo da Vida
Civilização Maia
Universe
It’s Time To Change
Himalaia
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
Como Kurt Cobain foi a causa do som ruim de um álbum do Black Sabbath
Bruce Dickinson tocará músicas inéditas em sua próxima turnê, anunciada nesta terça-feira
A música do Led que parece fantasia, mas nasceu de uma bronca de Robert Plant com a polícia
Saxon lança "Medusa", faixa de seu próximo disco de estúdio
Ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth se apresentará em São Paulo em janeiro
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
A música do Slayer que produtor Ross Robinson considera tão boa quanto "Angel of Death"
Lita Ford lança "Dracula", sua primeira música inédita desde 2012
O único pedido de desculpas que Gene Simmons fez na vida, segundo Desmond Child
A pergunta estranha que Clive Burr teria feito a Nicko McBrain
Metallica divulga performance ao vivo de "Fade to Black"
O sucesso de 1977 que Paul McCartney reconheceu como praticamente cópia de uma música dos Beatles
A lendária banda de Rock que David Coverdale recusou ser vocalista; "não me senti confortável"
Noel Gallagher relembra encontro com Paul McCartney e U2 em bar de São Paulo
O megahit de Raul Seixas inspirado em seu irmão careta e no pai de Paulo Coelho

Black Label Society faz show histórico em Belo Horizonte e emociona fãs
Between the Buried and Me - um show especialmente feito para os metal geeks brasileiros
The Gathering - uma das turnês mais esperadas pelos fãs de vocais femininos
Ginger and the Peppers - O novo Rock pulsa na Casa de Cultura
Helloween - Em Porto Alegre, 2 horas e 20 minutos que pareceram passar em instantes
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida



