Grave e Bestial Atrocity: review e fotos do show no Brasil
Resenha - Grave, Bestial Atrocity (Hangar 110, São Paulo, 12/12/2008)
Por Glauco Silva
Postado em 19 de fevereiro de 2009
Fechando a bela maratona de eventos internacionais que rolou em 2008, segui com ansiedade enorme pro Hangar a fim de ver os suecos do Grave e, mais que qualquer coisa, o Acheron da Flórida - banda da qual sou fã há muitos anos. Mas nem tudo são flores, e mais um cancelamento de show rolou devido a fatores que fogem ao controle de qualquer um…
Na porta da casa havia um cartaz explicando que a apresentação do Acheron estava cancelada devido ao mau tempo no aeroporto de Nova Iorque: o líder, baixista e vocalista Vincent Crowley e o baterista Kyle Severn não puderam embarcar para São Paulo devido às nevascas que rolaram na época (vale lembrar que era inverno nos EUA). A decepção foi uma das maiores que senti até hoje, até porque havia comentado com o Vince um dia antes do show e ele estava elétrico, pois o show também seria no dia de seu aniversário.
Minha vontade era, sinceramente, de voltar pro interior e afogar as mágoas no primeiro botequim - mas tinha que cumprir com meu dever profissional, e não podia privar o leitor do Whiplash desta resenha. O bom é que, para compensar, o Grave fez um show esmagador e contou com o suporte dos veteranos do Bestial Atrocity na abertura.
O quinteto black de Piracicaba, capitaneado pelo batalhador Baron von Causatan desde 91, teve a difícil tarefa de aquecer o público que ainda era pequeno, acredito, devido à desistência de muitos pelo cancelamento. E nessa hora, a experiência de 17 anos no underground mostra o seu diferencial: atacaram sem pestanejar com sons de suas demos, numa sonoridade bem influenciada pelos primórdios do estilo (Sarcófago, Bathory…), quando o que contava era a postura e musicalidade crua e agressiva. Só foram prejudicados por problemas com flutuação de energia no palco, notadamente o novo guitarrista L. Infernal God (também do Incinerad), que só acertou o som depois da metade do show. Até por superarem essa adversidade, e com a sempre ótima presença de palco do Baron, saíram do palco com a sensação de dever cumprido.
A essa altura do campeonato, depois de algumas cervejas e um bom aquecimento pros ouvidos, já dava pra ficar animado pro ataque da turma do magérrimo Ola Lindgren. E felizmente os caras mataram a pau, apesar de muitos fãs não gostarem muito do set list - que a meu ver, balanceou muito bem sons mais recentes com os clássicos da carreira dos caras. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato do baixista Fredrik Isaksson atacar seu instrumento com apenas três (!) cordas… dá até pra imaginar que ele faria uma boa dupla com o Max Cavalera e suas tradicionais guitarras de 4 cordas.
Mas o destaque total da apresentação é pro Ola. O cara tem um vocal absurdamente potente ao vivo, reproduzindo fielmente o que escutamos nos registros de estúdio, além de um estilo bem pessoal de tocar guitarra. Interagiram bem com o pessoal e mandaram 12 pauladas do mais puro death sueco, com a regulagem de som bem melhor que na apresentação do Bestial. Mostraram muita personalidade e qualidade irrepreensível, ainda mais pra um show que teve uma de suas atrações canceladas… fiquei deveras impressionado, valendo realmente a pena ficar até o fim - se tivesse dado as costas, como muitos fizeram, teria perdido um ataque sonoro de garra e classe singulares.
Em tempo: em contato posterior com o Vince via MySpace, o líder do Acheron me disse estar devastado por ter perdido essa apresentação (a de Belo Horizonte, no dia seguinte, rolou sem problemas e, pelo que colhi de relatos, foi ótima) devido aos motivos supracitados e pelo seu aniversário. Diz que voltarão ao nosso país de qualquer jeito, e que há algumas conversas para voltarem em março. Só resta aguardar…
(Nota: aproveito ainda para registrar meu pedido de desculpas aos leitores do site pelo atraso na entrega desta resenha, que se deveu a fatores exclusivamente técnicos e que, convenhamos, não vale a pena se aprofundar neste espaço).
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