Megadeth: "The System Has Failed" pode descrever o show
Resenha - Megadeth (Credicard Hall, São Paulo, 06/06/2008)
Por Alexandre Cardoso
Postado em 11 de junho de 2008
"The System Has Failed". Esse é o nome do penúltimo álbum do Megadeth, mas é também uma frase que pode ser utilizada para descrever o show da banda aqui em São Paulo, na última sexta, dia 6 de junho. A atmosfera para o show era ótima: casa cheia com um público muito empolgado e sobretudo jovem. Muitos estavam ali para seu primeiro show do Megadeth, e aguentavam bravamente o empurra-empurra na grade.
Fotos: Alexandre Cardoso
Antes do show começar, a movimentação em cima do palco era tranquila. Todos os ajustes de som pareciam estar feitos e mesmo com a acústica ruim do Credicard Hall, parecia que tudo sairia bem. Mas logo na primeira música , "Sleepwalker", deu pra perceber que boa qualidade de som era o que não teríamos naquela noite. Tudo soava embolado, e era impossível entender o que saia da boca de Dave Mustaine. E ele reclamou com sua equipe, pedindo para aumentar o volume do microfone e da sua guitarra, mas nada.
Todo mundo já sabia o que esperar de Mustaine no palco: ele se movimenta pouco, seus cabelos caem sobre seu rosto e ele mal abre a boca pra cantar. E daí? O que importa é que ele é um baita guitarrista, e sua figura apática não diminui isso.
Apesar da formação do Megadeth ter mudado novamente nos ultimos três anos, a qualidade técnica dos caras não diminuiu. O ex-guitarrista do Nevermore Chris Broderick toca pra caramba, e mudou muito pouco dos solos que não foram gravados por ele, mas mesmo assim adicionou sua pegada. Além disso, ele interagiu bastante com o público, ficando sempre na frente do palco na hora dos solos. Outro que foi bastante carismático foi o baixista James LoMenzo, que agitou muito sua cabeleira loura, fazendo caras e bocas para o público, sempre conduzindo seu baixo com firmeza. Mas o som de seu instrumento soou "pobre" para mim, parecia que estava faltando alguma peça no ampli dele. O batera Shawn Drover completa a banda, e tocou com muita competência e pegada.
O show seguiu bem, apesar dos problemas técnicos, até "Kick the Chair", que foi interrompida abruptamente, e a banda saiu do palco sem dizer uma palavra. Nessa música, o som da guitarra de Dave Mustaine sumiu, e a sua voz parecia que teria o mesmo destino... ele estava cantando MUITO mal. Um principio de revolta por parte do público surgiu, até porque todos estavam agitando desde o começo, com "Wake Up Dead", "Skin O'm My Teeth" e "Washington is Next".
Foram 5 minutos sem qualquer satisfação por parte da banda, até que um roadie foi ao microfone e falou que problemas com as guitarras estavam sendo resolvidos e o show recomeçaria em breve. Mas quem prestou bastante atenção no show e no Mustaine viu que tipo de problema "técnico" ocorreu.
Enfim, o show recomeçou com "Kick the Chair", e o som teve uma ligeira melhora. A voz de Dave também melhorou, e logo mais ele aproveitou uma pausa entre as músicas para pedir desculpas pelos problemas, pois queria oferecer aos fãs o melhor do Megadeth, com o melhor som possível.
Dali pra frente, foi mais uma hora de show, com excelentes momentos em "Tornado of Souls", "Hangar 18", "Peace Sells", "Symphony of Destruction" e o gran finale, com "Holy Wars", a música mais perfeita da noite. Ao final do show, Dave Mustaine agradeceu a todos que compareceram ao show, pegou uma bandeira do Brasil jogada por um fã e disse que a guardaria com muito carinho. Toda a banda veio à frente do palco e fez a tradicional - e sincera - reverência ao público.
Apesar da péssima qualidade sonora do Credicard Hall e da aparente incompetência de alguns roadies da banda, o Megadeth fez um grande show, dando ao público o que ele exatamente queria: heavy metal de qualidade, para acabar com pescoços e ouvidos.














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