Resenha - Behemoth (Hangar 110, São Paulo, 08/05/2008)

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Por Maurício Dehò
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O ano está ruim apenas para o bolso dos brasileiros, já que chovem shows por aqui. Foi o caso de Ozzy e Iron Maiden, só para citar os gigantes que aportaram em São Paulo recentemente. Na música extrema, as coisas também estão animadoras pelo Brasil. Depois de Obituary, o Marduk também já deu as caras e tudo ficou melhor ainda quando o Behemoth, uma potência mais recente do Death/Black Metal, anunciou sua passagem por aqui, após ter tocado na turnê de "Demigod" (2004), um verdadeiro divisor de águas na carreira da banda.

Fotos: Rafael S. Karelisky

Desta vez, eles chegam com mais um petardo matador, o disco "The Apostasy", lançado em 2007 e um item recorrente na lista dos melhores do ano. Uma evolução do "Demigod", ele apresenta riffs ainda mais pesados, climas sombrios e épicos e o vozeirão do líder Nergal em sua melhor forma. Bem, esperando para assistirem a tudo isso ao vivo, os fãs de São Paulo tiveram sua chance no dia 8 de maio.

Quinta-feira na sempre caótica capital paulistana, a noite metálica no Hangar 110 estava prevista para ter início às 20h, mas a banda de abertura apareceu quando já eram 21h10. O atraso não comprometeu em nada, pois lá pela meia-noite a maioria dos presentes já estaria chegando às suas casas. Os responsáveis por aquecer os ânimos já quentes dos headbangers foram os cariocas do Enterro, horda que faz um Black Metal na linha de nomes como Marduk. Em 40 minutos de show, Nihil (vocal), Osorium e Doneedah, (guitarras), Kafer (baixo) e Perazzo (bateria), tiveram sucesso no seu objetivo, mesmo com a estrutura prejudicada. Para se ter uma idéia, como a bateria de Inferno, do Behemoth, estava montada, Perazzo – excelente, por sinal – ficou na frente do palco, de cara para a galera, e o restante se apertou onde tinha espaço.

Quem se destaca mesmo é Nihil, com sua capa preta, corpse paint, crânio de um animal no pedestal do microfone e um cigarro sempre aceso. O vocalista urra o tempo todo e teve uma grande performance, aliada à precisa seção instrumental do Enterro. A banda tocou músicas que devem estar no debut "Nunc Scio Tenebris Lux", com previsão de lançamento para este ano, como "War Is My Answer". A coisa pegou fogo mesmo com o cover da grande "Bleached Bones", dos ídolos Marduk. Curiosa é a formação da banda, que conta com Alex Kafer, do Darkest Hate Warfront, e outros dois que atuam bem longe de suas bandas originais: Osorium é mais conhecido como o baterista China e Doneedah é o Donida, ambos do Matanza. Ao fim, saldo muito positivo para a banda, que saiu aplaudida.

Mas todos estavam ali por um motivo bem específico, que atende pelo nome de Behemoth. Às 22h15, começa a introdução do "The Apostasy", "Rome 64 C.E.", e os quatro monstros sobem ao palco. Nergal chega com sua vestimenta imitando uma armadura, corpse paint, bota de espinhos e o corpo sujo de tinta preta. Inferno se posiciona em seu banquinho e surgem ainda o baixista bombadão Orion e o guitarrista contratado Seth. Com uma entrada de bateria, estava começada a destruição, com a faixa que abre o recente disco. "Slaying the Prophets ov Isa" colocou a casa abaixo, uma verdadeira pancada. Nergal tem uma presença de palco excelente e já chama o público para si, enquanto tem a ajuda de Orion e Seth em grande parte dos backing vocals durante o show. A faixa tem um refrão marcante, épico, e para permitir uma reprodução mais fiel, o grupo conta com playbacks dos corais líricos e instrumentos usados na gravação. Nada que tire o brilho e a brutalidade da performance ao vivo, cheia de muita garra. E se alguém acha que a banda é Nergal e mais três, está enganado, pois o quarteto destrói como um todo.

Cornetas soam, na deixa para a faixa-título de "Demigod", grande música, seguida pelo primeiro clássico, "Antichristian Phenomenon", que tem início mais cadenciado, guitarras berrando e os guturais divididos entre Nergal e Orion. E dá-lhe "Hey! Hey! Hey!", uma vez que o vocalista e guitarrista exigia a todo o momento os gritos da galera. Nergal mostrou que nas duas passagens pelas nossas terras aprendeu um pouco de português, emendando um "Boa noite, São Paulo" e "Querem mais?", antes de afirmar, em inglês, ter sentido falta dos brasileiros. Seguindo no show, anunciou de onde eles eram: "From the Pagan Vastlands", na faixa da demo de mesmo nome, lançada a longínquos 15 anos, e posteriormente presente no debut "Sventevith (Storming Near the Baltic)".

A apresentação foi baseada em sua maior parte em músicas dos dois últimos álbuns, que realmente elevaram o Behemoth a um patamar novo em seu som, iniciado como um típico Black Metal, mas depois partindo para um Death recheado de influências e temáticas históricas. Do "The Apostasy", veio "Prometherion", que além de boas linhas de guitarra é uma prova da qualidade de Inferno nas baquetas e bumbos, sempre numa velocidade alucinante. Por falar em história, foi assim que Nergal anunciou a próxima, dizendo que o Brasil havia sido conquistado por Portugal, mas que era hora do revide: "Conquer All". Está é uma das melhores composições dos poloneses, começando pelo riff inicial (um pouco chupado de "Be All End All", do Anthrax), e partindo para muitas variações, com batidas, solos, paradinhas e linhas de voz memoráveis.

A grandiosa "Christgrinding Avenue" provou a aceitação do disco "The Apostasy" e foi sucedida por um pequeno solo de Inferno e "Slaves Shall Serve", uma das mais brutais da noite. O interessante é que, por mais técnico e rápido que seja o Behemoth, tudo é muito preciso e bem executado, um ponto positivo diante da barulheira complexa do quarteto. "At The Left Hand ov God" iniciou talvez a melhor seqüência do show. A faixa foi a escolhida para ter um baita clipe neste mais recente trabalho. Um pouco mais cadenciada, ela acabou sem Nergal, com problemas em sua guitarra, e logo foi seguida por "As Above So Below", puramente pesada na simplicidade de seus riffs. Grande momento, com mais um show de Inferno!

Foi hora então de clássicos. Primeiro com "a música que iniciou tudo", como disse Nergal, "Summoning of the Ancient Gods", presente na demo "The Return of the Northern Moon", de 1993. Depois um clássico recente, a rapidíssima "Sculping the Throne ov Seth", abertura de "Demigod" e, por fim, a tradicional "Christians to the Lions", que teve até paradinha para a galera cantar sozinha, para deleite de Nergal e companhia.

Encaminhando-se para o final, o Behemoth tocou "Decade of Therion" e "Chant for Eschaton 2000", duas das mais pedidas e aclamadas, ambas do disco "Satanica", de 1999. Para esta última, Nergal abandonou sua "armadura" e apareceu com a máscara que figura na capa de "The Apostasy", dando um curto toque teatral à apresentação. E por sinal, foi o momento mais "True" do show, com direito a coreografias de Seth e Orion. E olha que, do jeito que os musculosos Nergal e Orion apareceram sem camisa ao fim do show e se deram uns banhos de cerveja, a imagem do Manowar veio rapidamente à cabeça. Brincadeiras à parte, quem sofreu foram os fãs, que eram prontamente empurrados quando tentavam subir ao palco (um levou até um pisão de Nergal). Por sinal, é hora de um elogio ao Hangar 110. Com todos os problemas da casa, o fato de o público ficar literalmente aos pés dos ídolos e de o local ser pequeno deixa tudo mais íntimo. Além disso, o som esteve bom durante o show, apenas com as guitarras ficando um pouco baixas. Vale lembrar que realmente são poucos os locais em que podem tocar bandas de Metal Extremo em São Paulo, então o resultado foi positivo.

Para fechar, Nergal fez um trato com o público: só voltaria do backstage se os brasileiros "ficassem malucos". Dito e feito, ele voltou para um cover. A música escolhida foi a divertida "I Got Erection", da banda norueguesa Turbonegro, que toca um Deathpunk. Sem qualquer pudor, o frontman a dedicou às beldades brasileiras.

Depois de apenas 1h20min de show e 16 músicas, mas sem o tradicional encerramento com "Pure Evil & Hate", o Behemoth se despediu do Brasil, já que infelizmente foi a única apresentação da banda por aqui – eles vieram de uma tour americana com o Dimmu Borgir, e ainda passaram por Chile e Argentina. Apesar do pouco tempo, foi na medida já que, fora a citada faixa, as melhores músicas foram apresentadas. Com muita energia, um som original e um peso fenomenal, o Behemoth deu uma aula de Metal, classifique os poloneses de Black ou de Death. "The Apostasy" é o ápice da banda, que provou isso ao vivo. Pelo menos até o próximo trabalho. É aguardar ansiosamente por um novo disco e para rever cenas como as daquela quinta-feira nas telinhas de nossas TVs, no próximo DVD da banda, que segundo Nergal já está nos planos.

Formação:
Nergal: vocal e guitarra
Orion: baixo e vocal
Seth: guitarra e vocal
Inferno: bateria

Set list:
Rome 64 C.E.
Slaying the Prophets Ov Isa
Demigod
Antichristian Phenomenon
From The Pagan Vastlands
Prometherion
Conquer All
Christgrinding Avenue
Slaves Shall Serve
At The Left Hand Ov God
As Above So Below
Summoning (Of the Ancient Ones)
Sculpting the Throne Ov Seth
Christians to the Lions
Decade of Therion
Chant for Eschaton 2000
I Got Erection (Turbonegro cover)

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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