Hard In Rio: Review dos shows do Firehouse e Ted Poley no Rio
Resenha - Hard In Rio (Circo Voador, Rio de Janeiro, 18/11/2007)
Por Rafael Carnovale
Postado em 26 de novembro de 2007
Do desejo de 3 amigos em fazer um show totalmente voltado para o hard-rock eis que presenciamos num domingo de temperatura amena e dentro de um feriadão o festival Hard In Rio, que reuniu no já tradicional Circo Voador as bandas Firehouse e Ted Poley Band (voltando ao Brasil pela segunda vez em menos de 3 meses), com abertura dos cariocas da Masters (antiga Snow). Um deleite para os fãs de hard-rock, sedentos por show e até mesmo um ponto curioso: Ted Poley já havia dado seu recado ao vivo alguns meses atrás, quando veio ao Brasil para alguns shows, mas o Firehouse parecia incógnito em terras brasileiras, salvo uma "promo-tour" feita em 1996, quando divulgavam o disco "3". Nesta ocasião a banda tocou até no programa da XUXA (!), mas shows ao vivo, não fizeram.
Eis que chegando ao circo por volta das 17hs encontrávamos os tradicionais fãs de hard, vestidos a caráter, com calças de couro, jaquetas e muito laquê no cabelo, além de fãs de rock e metal, provando que hard e metal podem sim conviver harmonicamente sem brigas ou conflitos. Era um domingo do chamado rock "farofa", com direito a muita festa e ansiedade. Por volta de 750 pessoas compareceram ao evento. Não foi uma super-lotação, mas quem foi foi de coração e com muita vontade de agitar, logo, 750 pareceram 2000, tamanha a empolgação.
Com certo atraso (por volta das 20hs) a Masters sobe ao palco, com o "cover" de "Blood Polution" (do filme "Rockstar"). Já os tinha visto quando ainda se chamavam Snow, na abertura do show do Talisman no teatro Rival BR, mas confesso que não sabia como a banda, que perdera seu fundador e compositor Marc Snow (guitarra) iria se portar. Riq Ferris (vocal), Diego Padilha (baixo) e os novos membros Davis Ramay e Jay Sixx (guitarras) e Mark Vinny (bateria) vieram com todo gás, e em seguida mandaram "On Fire" (uma das melhores do CD de estréia, intitulado "Snow") e "Tearin´ Down The House". Mark teve a dura tarefa de substituir Marc Snow, e o fez com habilidade e maestria, enquanto que Jay ainda soa um tanto deslocado. A banda levou sons novos como "On The Run" e "Are You Ready?" (mais pesados, uma nova e interessante faceta) e o já conhecido cover de "Wild Child" do WASP. Ao final da apresentação de cerca de 50 minutos, o alívio por saber que um dos melhores nomes do hard-rock brasileiro continua com tudo e merecendo toda gama de elogios, inclusive os bradados a plenos pulmões pelo vocalista Ted Poley, que novamente iria usá-los como banda de apoio, e que pretende levá-los para excursionar na Europa. Nada mais justo, porque talento os caras têm de sobra.
No intervalo são anunciados alguns shows para 2008, e inclusive uma tentativa de negociação com Paul Stanley (Kiss), que segundo o dono da loja Headbanger Carlos Gelio já se mostrou interessado. Tomara que tais shows rolem, já que os fãs de hard-rock existem e não são poucos.
Mais alguns minutos e eis que o festeiro Ted Poley entra para não só um show, mas uma celebração hard. Iniciando seu show com o tema do "Spider-Pig" (ou "Porco Aranha" para quem, como eu teve que assistir o filme dos Simpsons em sua versão dublada), seguida por "Crazy Nites" (com um pequeno efeito pirotécnico) e "Love On Me". Ted é simplesmente os anos 80 em forma de gente: pula, grita, bate no peito e manda ver em sons pesados e cativantes como "Beat The Bullet" e "Smile" (de seu novo CD, de mesmo nome). Sobraram elogios para a Masters, que servia de banda apoio e para o tecladista convidado Bruno Sá (Allegro), que ainda teve tempo para um curto solo.
Para provar que Ted literalmente se entregou neste show, durante "Don´t Walk Away" o mesmo sumiu, reaparecendo no meio da pista junto com os fãs. O cara é carisma puro, e um "set" que mescla sons do Danger Danger (sua banda) como "Bang Bang" e "Naughty Naughty", com sons solo e "Lately" (do projeto Bonemachine) ajudaram a deixar o público em êxtase, pedindo por mais, no que Ted atendeu prontamente com "Monkey Business", "Rock America" e "I Still Think About You". Vale citar o perfeito entrosamento entre o vocalista e sua banda de apoio (quem não soubesse que eram os caras da Masters poderia imaginar que eles se conhecem há anos), e a boa voz de Ted, além de sua energia no palco. A banda encerrou o show com o tema dos Simpsons, e com Ted pedindo para que todos mantivessem a energia lá em cima para o show do Firehouse.
Mais um pequeno intervalo e eis que às 23h30 CJ Snare (vocais), Bill Leverty (guitarras), Michael Foster (bateria) e Allen Mckenzie (baixo) subiram ao palco com "Helpless" e "Lover´s Lane" , seguida pela excelente "All She Wrote" (com direito a CJ gritando "Somebody Scream!", como fizera no ao vivo "Bring´em Out Live"). Seguem-se "Hold Your Fire" (do segundo CD, de mesmo nome) e a linda balada "When I Look Into Your Eyes", com ótima resposta do público.
O Firehouse prova com este show que o papo de que as bandas de hard anos 80 são sim formadas por bons instrumentistas e músicos. CJ possui um gogó afinado e potente (embora no fim do show o sinal de cansaço seja evidente), Bill é um excelente guitarrista, Michael parecia que ia saltar da bateria de tanta técnica e peso e Allen mandava muito bem no baixo.
A banda leva a boa "Shake and Tumble" para seguir com um momento mágico: "Door To Door", do último CD, "Prime Time". Com Michael fazendo um excelente vocal e CJ nos teclados, um número hard de primeira é executado (com direito a um solo de bateria no meio), levando o público ao delírio. Embora eu afirme categoricamente que o Firehouse é mais profissional no palco, não transparecendo tanto a entrega e energia que Ted Poley usou e abusou, "Love Of A Lifetime" e a magistral "Reach For The Sky" soam matadoras, encerrando a primeira parte do show. O público cantava todas as letras junto com CJ, que ainda mandou o bordão "CHUPA ESSA MANGA!", ganhando com facilidade a galera.
Era claro que a balada "I Live My Life For You" e o "hit" "Don´t Treat Me Bad" ficariam para o bis, mas ninguém poderia esperar que os caras tocassem o cover de "Highway To Hell" (AC/DC), que estará presente no futuro CD de covers, prometido para 2008. Com Allen encarnando Bom Scott nos vocais, a banda arrasou, podendo depois executar os já citados "hits". Um showzaço, digno de uma banda que ainda tem muita lenha para queimar no hard-rock.
Saldo final: fãs extasiados, produção satisfeita e a promessa que o Hard In Rio se repetirá em 2008, trazendo mais nomes do hard-rock mundial que nunca tiveram a chance de se apresentar no Brasil, para shows no Rio de Janeiro. Cruzem os dedos e comecem a torcer, porque se o primeiro já foi mágico, imagina o que virá no futuro.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



42 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de setembro
Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
Assista o primeiro show da Cretin Family (Ramones, Green Day, Rancid e Blink-182)
Tuomas Holopainen diz que refaria apenas uma letra em 30 anos de Nightwish
O disco do Rush que baixista do Napalm Death considera perfeito
Por que Luís Mariutti foi barrado no show do Angra, segundo o próprio
O riff do Black Sabbath que Eddie Van Halen vivia pedindo para Tony Iommi tocar
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
A banda que Robert Plant definiu como "clinicamente morta" após ir a show deles
O álbum do Led Zeppelin que Ozzy Osbourne considerava um dos grandes discos de metal
O tipo de banda que fazia Angus Young dizer que bocejaria até não aguentar mais
O clássico dos Rolling Stones que tentou repetir "Satisfaction", mas Keith Richards odiava
As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
O hit do Led Zeppelin que Robert Plant acha ótimo: "Rock progressivo enlouquecido"
Metal Hammer lista discos achincalhados que merecem uma segunda chance
Ronnie James Dio: a real opinião dele sobre Ozzy Osbourne, resumida em entrevistas
Em 1994, Renato Russo alertava para o perigo de desejar volta do regime militar no Brasil
Empresário explica como decisão errada do Barão Vermelho prejudicou imagem da banda

Lacrimosa em seu primeiro show com Orquestra
Masters of Voices (Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, 13/07/2026)
Com toda sua experiência e talento do seu novo vocalista, Nazareth conquista o público mineiro
Covil Brutal recebe Sentence, Pathologic Noise e Critical Fear em Belo Horizonte
Prime Rock Brasil 2026 reúne gerações do rock nacional em noite histórica no Mineirão
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



