Resenha - Hard In Rio (Circo Voador, Rio de Janeiro, 18/11/2007)

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Por Rafael Carnovale
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Do desejo de 3 amigos em fazer um show totalmente voltado para o hard-rock eis que presenciamos num domingo de temperatura amena e dentro de um feriadão o festival Hard In Rio, que reuniu no já tradicional Circo Voador as bandas Firehouse e Ted Poley Band (voltando ao Brasil pela segunda vez em menos de 3 meses), com abertura dos cariocas da Masters (antiga Snow). Um deleite para os fãs de hard-rock, sedentos por show e até mesmo um ponto curioso: Ted Poley já havia dado seu recado ao vivo alguns meses atrás, quando veio ao Brasil para alguns shows, mas o Firehouse parecia incógnito em terras brasileiras, salvo uma “promo-tour” feita em 1996, quando divulgavam o disco “3”. Nesta ocasião a banda tocou até no programa da XUXA (!), mas shows ao vivo, não fizeram.

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Eis que chegando ao circo por volta das 17hs encontrávamos os tradicionais fãs de hard, vestidos a caráter, com calças de couro, jaquetas e muito laquê no cabelo, além de fãs de rock e metal, provando que hard e metal podem sim conviver harmonicamente sem brigas ou conflitos. Era um domingo do chamado rock “farofa”, com direito a muita festa e ansiedade. Por volta de 750 pessoas compareceram ao evento. Não foi uma super-lotação, mas quem foi foi de coração e com muita vontade de agitar, logo, 750 pareceram 2000, tamanha a empolgação.

Com certo atraso (por volta das 20hs) a Masters sobe ao palco, com o “cover” de “Blood Polution” (do filme “Rockstar”). Já os tinha visto quando ainda se chamavam Snow, na abertura do show do Talisman no teatro Rival BR, mas confesso que não sabia como a banda, que perdera seu fundador e compositor Marc Snow (guitarra) iria se portar. Riq Ferris (vocal), Diego Padilha (baixo) e os novos membros Davis Ramay e Jay Sixx (guitarras) e Mark Vinny (bateria) vieram com todo gás, e em seguida mandaram “On Fire” (uma das melhores do CD de estréia, intitulado “Snow”) e “Tearin´ Down The House”. Mark teve a dura tarefa de substituir Marc Snow, e o fez com habilidade e maestria, enquanto que Jay ainda soa um tanto deslocado. A banda levou sons novos como “On The Run” e “Are You Ready?” (mais pesados, uma nova e interessante faceta) e o já conhecido cover de “Wild Child” do WASP. Ao final da apresentação de cerca de 50 minutos, o alívio por saber que um dos melhores nomes do hard-rock brasileiro continua com tudo e merecendo toda gama de elogios, inclusive os bradados a plenos pulmões pelo vocalista Ted Poley, que novamente iria usá-los como banda de apoio, e que pretende levá-los para excursionar na Europa. Nada mais justo, porque talento os caras têm de sobra.

No intervalo são anunciados alguns shows para 2008, e inclusive uma tentativa de negociação com Paul Stanley (Kiss), que segundo o dono da loja Headbanger Carlos Gelio já se mostrou interessado. Tomara que tais shows rolem, já que os fãs de hard-rock existem e não são poucos.

Mais alguns minutos e eis que o festeiro Ted Poley entra para não só um show, mas uma celebração hard. Iniciando seu show com o tema do “Spider-Pig” (ou “Porco Aranha” para quem, como eu teve que assistir o filme dos Simpsons em sua versão dublada), seguida por “Crazy Nites” (com um pequeno efeito pirotécnico) e “Love On Me”. Ted é simplesmente os anos 80 em forma de gente: pula, grita, bate no peito e manda ver em sons pesados e cativantes como “Beat The Bullet” e “Smile” (de seu novo CD, de mesmo nome). Sobraram elogios para a Masters, que servia de banda apoio e para o tecladista convidado Bruno Sá (Allegro), que ainda teve tempo para um curto solo.

Para provar que Ted literalmente se entregou neste show, durante “Don´t Walk Away” o mesmo sumiu, reaparecendo no meio da pista junto com os fãs. O cara é carisma puro, e um “set” que mescla sons do Danger Danger (sua banda) como “Bang Bang” e “Naughty Naughty”, com sons solo e “Lately” (do projeto Bonemachine) ajudaram a deixar o público em êxtase, pedindo por mais, no que Ted atendeu prontamente com “Monkey Business”, “Rock America” e “I Still Think About You”. Vale citar o perfeito entrosamento entre o vocalista e sua banda de apoio (quem não soubesse que eram os caras da Masters poderia imaginar que eles se conhecem há anos), e a boa voz de Ted, além de sua energia no palco. A banda encerrou o show com o tema dos Simpsons, e com Ted pedindo para que todos mantivessem a energia lá em cima para o show do Firehouse.

Mais um pequeno intervalo e eis que às 23h30 CJ Snare (vocais), Bill Leverty (guitarras), Michael Foster (bateria) e Allen Mckenzie (baixo) subiram ao palco com “Helpless” e “Lover´s Lane” , seguida pela excelente “All She Wrote” (com direito a CJ gritando “Somebody Scream!”, como fizera no ao vivo “Bring´em Out Live”). Seguem-se “Hold Your Fire” (do segundo CD, de mesmo nome) e a linda balada “When I Look Into Your Eyes”, com ótima resposta do público.

O Firehouse prova com este show que o papo de que as bandas de hard anos 80 são sim formadas por bons instrumentistas e músicos. CJ possui um gogó afinado e potente (embora no fim do show o sinal de cansaço seja evidente), Bill é um excelente guitarrista, Michael parecia que ia saltar da bateria de tanta técnica e peso e Allen mandava muito bem no baixo.

A banda leva a boa “Shake and Tumble” para seguir com um momento mágico: “Door To Door”, do último CD, “Prime Time”. Com Michael fazendo um excelente vocal e CJ nos teclados, um número hard de primeira é executado (com direito a um solo de bateria no meio), levando o público ao delírio. Embora eu afirme categoricamente que o Firehouse é mais profissional no palco, não transparecendo tanto a entrega e energia que Ted Poley usou e abusou, “Love Of A Lifetime” e a magistral “Reach For The Sky” soam matadoras, encerrando a primeira parte do show. O público cantava todas as letras junto com CJ, que ainda mandou o bordão “CHUPA ESSA MANGA!”, ganhando com facilidade a galera.

Era claro que a balada “I Live My Life For You” e o “hit” “Don´t Treat Me Bad” ficariam para o bis, mas ninguém poderia esperar que os caras tocassem o cover de “Highway To Hell” (AC/DC), que estará presente no futuro CD de covers, prometido para 2008. Com Allen encarnando Bom Scott nos vocais, a banda arrasou, podendo depois executar os já citados “hits”. Um showzaço, digno de uma banda que ainda tem muita lenha para queimar no hard-rock.

Saldo final: fãs extasiados, produção satisfeita e a promessa que o Hard In Rio se repetirá em 2008, trazendo mais nomes do hard-rock mundial que nunca tiveram a chance de se apresentar no Brasil, para shows no Rio de Janeiro. Cruzem os dedos e comecem a torcer, porque se o primeiro já foi mágico, imagina o que virá no futuro.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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