Resenha - Anthrax (Claro Hall, Rio de Janeiro, 26/02/2005)

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Por Rafael Carnovale
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Fotos: Anderson Guimarães

E o “mosh” não rolou... não que este segundo show do Anthrax no Rio de Janeiro (o primeiro foi em 1993, na turnê de “Sound of White Noise”) tenha sido ruim. Pelo contrário. As 800 pessoas que compareceram ao Claro Hall com certeza saíram muito satisfeitas pelo massacre sonoro ouvido durante as quase 4 horas de show (somando-se o tempo das competentíssimas bandas de abertura), mas faltou gente... “MOSH” é para casa cheia, com muita gente pulando... e faltou gente nesse show... o que teria havido?

Não há como culpar alguém especificamente: os cariocas tinham acabado de sair de um carnaval agitado, aonde gasta-se o que se tem e às vezes o que não se tem. O preço do ingresso de fato estava “salgado”, e some-se a isso o fato do Anthrax, apesar de ser uma excelente banda, não ter um nome ainda forte no cenário brasileiro... tudo conspirou para que esse show tivesse audiência vazia. Se resta uma lição, ela deve ser assimilada pelo público, pelos promotores de evento e pela imprensa em geral... para que não comecem a considerar o Rio de Janeiro como um local perdido para shows, o que é uma forte mentira.

O Claro Hall de fato não estava lotado, mas quem foi tratou de compensar esse fato com bastante empolgação. A primeira banda a subir ao palco foi o HICSOS, banda do Rio de Janeiro, divulgando seu primeiro cd “Eatin` Concrete”, que foi a faixa de abertura do show. A banda foi prejudicada pelo fato da casa encontrar-se bem vazia durante seu show (cerca de 250 pessoas estavam assistindo ao evento naquele momento), mas compensou isso com muita garra e talento, com seu heavy metal fortemente calcado no movimento “thrash” oitentista, desfilando músicas como “The Two Sides of the System” (dedicada a politicagem mundial) e “Insane Future”. Por problemas técnicos, “Who Cares”, que também estava no “set” acabou sendo limada, e a banda se apresentou por 30 minutos, com um bom show. Pena que o público ainda não prestigia as bandas nacionais como se deve, quando o evento traz uma banda internacional, porque o Hicsos fez um show forte e consistente. Destaque para o baterista Marcelo Ledd e para o baixista/vocalista Marco Antônio.

Um pequeno intervalo e o palco começa a ser preparado para o SCARS, que está voltando à ativa, após 7 anos de afastamento. Os paulistas trouxeram uma produção caprichada, com direito a fogos, panos de fundo e ilustrações reproduzindo a capa de seu EP “The Neither Hell”. Com o singelo grito de “O INFERNO É AQUI” (parte do conceito do EP “The Neither Hell”), o vocalista Régis começa o show com “Creatures That Come Alive in The Dark”, seguida de “Warfare”. A banda possui ótima presença de palco, com a segurança de quem tem anos de estrada. Músicas novas como “Hidden Roots of Evil” foram bem recebidas, e o show mostrou-se bem agressivo, com forte impacto sobre o público. O vocalista Régis age como um agitador, e a galera respondeu. O “set” também teve que ser encurtado devido a problemas técnicos com o equipamento do guitarrista Alex, mas sobrou tempo para um “cover” de “Hell Awaits” do Slayer e a banda conclamando todos a invadirem o palco. Embora não tragam nada de novo (seu som é calcado no “thrash” a lá Slayer) o Scars tem ótima capacidade de interação e um contexto lírico interessante. Vale ficar de olho nos caras.

Mais um pequeno intervalo, aonde foi colocado um pano de fundo com a capa de “We’ve Come for You All” e os mestres do “mosh” começam sua insana apresentação. Scott Ian, Rob Caggiano, John Bush, Joey Vera e Charlie Benante entram com tudo abrindo seu show com “NFL”, “Got the Time” e “Caught in a Mosh”, com Bush cantando absurdamente bem, amparados pelos insanos Scott Ian e Joey Vera (que substituiu Frank Bello de maneira exemplar). Rob Caggiano é mais contido, mas é perfeito em sua função e Charlie Benante em breve irá precisar de uma bateria especialmente fabricada para ele, tamanha sua desenvoltura no instrumento. “Safe Home” deu sequência ao show, e foi um momento de maior interação com o público, que literalmente urrou o refrão da música junto com Bush. Quem achava que o “set” seria igual ao show de São Paulo se assustou com “Room for One More”, “Antisocial”, “What Doesn’t Die” (excelente música de “We’ve Come for You All”) e a surpreendente “Fueled” (única música de “Stomp 442” a ser executada).

A banda aproveita e agradece a maravilhosa recepção por parte dos fãs. “Riffs” de “I’m the Man” aparecem no ar, mas a maravilhosa “Indians” (com as tradicionais guitarras dobradas marcantes do heavy oitentista em sua introdução), seguida pelo “hit” “Only” (cantado por todos como se o Claro estivesse lotado) e outra surpresa: “Among the Living”.

A banda parecia disposta a dar 110% e surpreender os fãs a cada momento. Bush começa a gritar “Pantera, Pantera” e a banda emenda uma versão para “New Level”, numa forma de homenagem a Dimebag Darrell (“o sexto integrante da banda”, segundo Scott), que fez muitos se emocionarem e cantarem com a banda. Scott pega o microfone e aproveita para mostrar o quão feliz estava por tocar no Rio e fala que vão tocar uma música que remete ao início da banda. Quem não acreditou em suas palavras quase morreu aos primeiros acordes de “Deathrider”, seguida de “Bring the Noise” (com uma palhinha de “Whiplash” do Metallica), que encerrou o show, com uma hora e meia de puro metal.

Foi um massacre. A banda está em grande forma, e nem parece ligar para os rumores que Bush, Rob e Joey estariam deixando o barco para a reunião do “line-up” do clássico “Among the Living”. Seria uma pena se isso acontecesse, pois a banda cresceu muito na era John Bush, e só quem esteve no Claro pode confirmar o que digo. Aos vários que inventaram desculpas para não ir apenas uma palavra... perderam...

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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