Disconnected: Show comemorativo ao lançamento da revista
Resenha - Festa Disconnected (Garden Hall, Rio de Janeiro, 09/01/2005)
Por Rafael Carnovale
Postado em 09 de janeiro de 2005
Fotos: Fernando Ogronauta
Eis que finalmente a revista "DISCONNECTED – MADE OF METAL" foi lançada! Mais uma boa publicação para alimentar os fãs de heavy metal, e o melhor, uma revista totalmente carioca, iniciativa já tomada por outras publicações, e digna de aplausos. Para comemorar este novo começo para seus componentes, a equipe da revista organizou um mini-festival contando com as bandas cariocas Heavenfalls, Lost Forever e Allegro, que foi conferido por um público estimado em 400 pessoas. Infelizmente a verdade sobre o cenário carioca é simples e pode ser resumida em duas simples palavras: união e nulidade. União porque os 400 fãs que lá estiveram vibraram a cada minuto de cada show. E nulidade porque aqueles que reclamam da falta de shows deixam de comparecer a um evento interessante, com bandas do estado, e com um preço acessível.
O show serviu também para coroar o retorno do Garden Hall ao circuito dos shows de metal, o que é positivo, pois a casa possui uma boa estrutura, embora seja de pequeno porte. Uma boa opção para shows, principalmente num cenário complexo e inconstante como o que vivemos no Rio.
Mas vamos aos shows. Apesar dos shows estarem marcados para as 19:30, o primeiro show só começou as 20hs. A Heavenfalls entrou em cena apresentando seu novo baterista (André Andrade) e músicas de seu primeiro cd ("Ethereal Dreams"). "And the Heaven Falls", seguida de dois "medleys" ("Damned Queen/Suffering Symphony" e "At the Gates/Castles of Illusion"). Novamente repito aqui o que escrevi sobre a banda quando da abertura que fizeram para o Iron Maiden em janeiro de 2004. A falta de shows faz com que os músicos comecem suas performances de maneira muito tímida, quase insegura. A vocalista Sabrina Carrión (que possui uma boa voz) levou tempo para se acostumar ao palco, e a banda parecia "colada" ao chão. Com o decorrer do show (cerca de 50 minutos), a banda foi se empolgando, e graças principalmente ao bom guitarrista Victor Montalvão, a banda que executou a nova "Masquerade Down" (pesada, reta e oitentista) e o "cover" de "Aces Hight" do Iron Maiden (é uma puta responsa executar um clássico como este) era uma banda mais segura e bem senhora de si. Nada que mais shows não ajudem a corrigir... mas que precisam tocar mais isso é fato. Espero sinceramente que com o lançamento do segundo cd, previsto para sair até o meio do ano, isso possa ser sanado.
Como a bateria era compartilhada por todas as bandas, o intervalo entre os shows era pequeno, e perto das 21:10 o Lost Forever entrava no palco. Repito aqui o que disse sobre o Heavenfalls. A banda é extremamente técnica, o vocalista Hugo Návia possui um vocal potente (embora precise dosá-lo com mais cautela, porque semão chega ao fim do show dando sinais de cansaço), mas novamente impera a insegurança. A banda também foi infeliz ao abrir seus shows com a "suíte" "Aboard Simmetry", de mais de 10 minutos, o que foi um erro. Seria uma idéia bem mais interessante iniciar a apresentação com "Lies Behind the Mirror", que veio em seguida. Foi executado um "cover" do Symphony X e músicas do primeiro cd da banda ("The End of Beginning"). A banda mostrou extremo profissionalismo ao lidar com bastante desenvoltura diante dos diversos problemas técnicos que aconteceram em seu show (só a bateria "pifou" duas vezes, além de problemas com o som, que esteve muito aquém do esperado em todos os shows), e aproveitou o final do show para fazer o Garden Hall tremer com um "Medley" do bom e VELHO Metallica, começando com "Master of Puppets", passando por "Seek and Destroy", "Enter Sandman" "One" e outras. Curiosamente este foi o ponto alto, principalmente pelo fato da banda ter literalmente se soltado no palco. Novamente faltam mais shows, afinal, os caras precisam tocar!
Dez minutos após o término deste show eis que o Lost Forever volta ao palco para executar de novo o "medley". A explicação foi a seguinte: as apresentações estavam sendo gravadas para um posterior lançamento em DVD, e na hora do "medley" o equipamento falhou. Foi um momento infeliz, mas necessário. Perdeu-se a espontaniedade do número, e infelizmente quem assistir ao DVD verá um "medley" bem menos empolgante. Mas infelizmente isso acontece, e não é culpa nem da banda ou da organização. Digamos que foi um "acidente de trabalho".
Perto das 23 hs o Allegro subiu ao palco executando a nova "No Truth", seguida de "Third Millenium" e "Zoo", além da hard "Stormy Nights". O "line-up" da banda estabilizou-se com a entrada do baixista Cláudio Alves (ex-Dust From Misery) e particularmente considero esta a melhor formação do Allegro. Tirando os ridículos óculos "BONO VOX" usados pelo guitarrista Lula Washington (que cada vez mais se torna um monstrinho técnico em seu instrumento), a banda está tinindo. Aproveitaram para executar um belo "piano e voz" em "Someone Else?", do Queensryche, que praticamente ninguém conhecia (MALDITA GERAÇÃO TODDYNHO!!!), além de novas como "Humans" e "Human Zoo" mescladas a "Enigma" e "Self Destruction".
O grande senão do show fica pela inconstância. O novo direcionamento das músicas, mais progressivo e com "riffs" bem mais sujos contrasta fortemente com a pegada mais melódica de seu primeiro cd, gerando altos e baixos. O Allegro precisa urgentemente gravar seu segundo cd, e partir para um novo show, afinal este atual (que considero de transição) já dá sinais de desgaste. A banda também sofreu com problemas técnicos ("APAGÕES", segundo o tecladista Bruno Sá, um que estava em noite inspirada), mas a técnica dos rapazes, aliada a voz potente e ao belo desempenho como "frontman" de Ilton Nogueira ajduaram a abrandar qualquer problema.
Após uma hora de show, o Allegro se retira do palco, mas não por muito tempo. Bruno volta com um teclado a lá Polegar e aproveita para se divertir com a galera, levando o clássico "The Number of the Beast". Nesta hora os músicos de todas as bandas retornam para um "gran finalle", executando "Long Live Rock and Roll" (do Rainbow). Os vocais de Ronnie James Dio foram competentemente divididos por Hugo, Ilton e Sabrina, e foi um momento mágico. Um encerramento digno de uma grande festa.
Bom... a revista está lançada. Ao pessoal da Disconnected ficam meus sinceros parabéns pela boa organização do evento e o desejo que este abra portas para mais shows de bandas cariocas, já que o cenário já se mostrou poderoso e mítico. "LONG LIVE ROCK AND ROLL!!!!".
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