Resenha - Avec Tristesse (Garage, Joinville, 16/04/2005)

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Por Clóvis Eduardo e Priscila Cardinali
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O underground tem sempre seus bons e maus momentos, e isto é ainda mais perceptível quando tudo acontece em um momento só. O ponto negativo neste evento realizado no Garage, em Joinville (SC) foi o baixo número de expectadores, mas para dar maior peso na balança, três bandas, dentre elas o Avec Tristesse, deram um jeito de colocar um sorriso cativo no rosto de pouco menos de 100 expectadores.
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O local, digamos que foge um pouco dos padrões de beleza dos cafés e bares famosos do estado. Afinal, quando se tem luz elétrica e um palco, falta alguma coisa? Disposição e alegria devem ficar por conta de bandas e artistas, e creio que isso deva ser regra geral.

Abrindo o show às 23h, a Dunamys da própria Joinville mandou ver um set baseado em músicas próprias e alguns covers. O “power” metal melódico (sim, existe energia de sobra nesta banda), que pode ser conferido na demo “Kai Dunathai Luthenai”, fica ainda mais vigorosa no palco. Canções próprias como “The Truth”, “H.S.A.” e “Dunamys” foram recebidas de maneira tímida pelo público, mas deram conta de injetar um gás com “Carry on” do Angra, e “Black Diamond”, do Stratovarius, que fechou o set. O início melódico e virtuoso, terminaria de maneira obscura e sombria.

Em seguida, a banda Creófago, de Florianópolis faz uma apresentação com 10 músicas, dando valor ao material próprio e aos covers. Death metal, com doses acentuadas de Black em músicas muito boas como “Rotten Cunt”, “Conquered by Fate”, “Lonely Solution” e “Lake of Shit”. Com merecimento, o grupo formado por Bruno (vocal), Felipe e Vicente (guitarra), Votto (bateria) e Jefferson (baixo) merece destaque no cenário catarinense como uma das boas revelações. Depois de ter atravessando um período de “férias”, O quinteto manda ver com garra suas músicas e finalmente faz o pequeno público começar a vibrar. Os covers de “Blinded By Fear” do At The Gates, “Arise” do Sepultura e “The Will to Kill” do Malevolent Creation mostraram a que patamar a banda Creófago ainda pode chegar.

Com duas apresentações não tão curtas, um bom som e iluminação básica e simples, a galera começou a chegar perto do palco para conferir uma das melhores bandas brasileiras da atualidade. O Avec Tristesse vem do Rio de Janeiro, com bagagem de já ter feito shows ao lado de grandes nomes do metal mundial como Dark Funeral (apesar dos problemas de organização) em 2003 e Dimmu Borgir em 2004. Pedro Salles (guitarra e vocal), Nathan Thrall (bateria e vocais) Alexandre Granhen (guitarra), Rafael Gama (baixo) e com Rigel Romeu assumindo o posto de Flávio Vizeu nos teclados fizeram um show que balançou os expectadores e que serve para consolidar a maturidade que a banda vem atingindo a cada show.

Quem ouviu o último CD “How Innocence Dies” pode confirmar que os músicos são muito técnicos e possuem groove suficiente para levar músicas cadenciadas e rápidas em segundos. O show foi aberto com “I Am But One” e “All Love is Gone” e o público foi contagiado com urros, passagens lentas e muita quebradeira. Em seqüência outra do “How Innocence Dies”, e mais leve, “A View Of The End” e um cover impressionante do Katatonia, “Clean Today”. “She, The Lust”, do primeiro CD, “Ravishing Beauty” de 2002 também foi lembrada. A banda também anuncia que um novo material já está sendo planejado, e uma música nova foi apresentada no local, chamada “So Beautifull I Just Can Belive”. Outro cover bem escolhido foi “This Mortal Coil” da banda Carcass. A essas alturas, a voz de Pedro Salles ecoava no Garage de forma deslumbrante, e todos ficavam boquiabertos com a técnica e velocidade de Rafael no baixo.

Bastantes solicitadas, “Lost in Your Complexity” e “Paean” foram aclamadas e com certeza, tiveram um momento de glória especial no show. Mesmo com um público pequeno, a banda sentia-se feliz com a agitação dos presentes que pediam cada vez mais. Outro momento de extrema alegria para a galera foi o cover de “The Drapery Falls” do Opeth. Realmente, é certo afirmar que o Avec Tristesse poderá encabeçar logo a lista das principais bandas do país, pois apesar de investir em covers – uma prática depreciável para muitos, já que significa falta de personalidade em investir apenas em músicas próprias – se dá bem nas escolhas e vai certo na veia do público alvo.

Toda esta mistura intitulada Dark Metal terminaria mais cedo, infelizmente. Durante a música “Angel of The Dark”, Nathan teria problemas no bumbo e a apresentação terminaria mais cedo. Tristeza ainda maior sabendo que depois desta, o bis seria com “Roswell 47” do Hypocrisy. Infelizmente fica para outra ocasião.

Em turnê pelo Sul do País, a banda encontrou a mais variada série de dificuldades, mas mesmo assim, no palco ou em conversas com os fãs e amigos, apenas deixou rolar a vontade de fazer festa e tocar música boa. Parabéns ao Avec Tristesse que mesmo com pouco público, soube com maturidade fazer um ótimo show e com certeza, fazer por valer o status de grande banda nacional.

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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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