Resenha - FreeJazz Festival (Jockey Club, São Paulo, 26/10/2001)
Por Patrícia de Pierro e Carol Oliveira
Postado em 26 de outubro de 2001
Como todos vocês já devem saber, um ingresso para o Free Jazz Festival é muito disputado, imaginem então as credenciais???
Para cobrir o evento desse ano, conseguimos apenas convites (que não davam direito a fotografar), mas que mesmo assim, foram muito bem aceitos por nós. Desse modo, tentaremos mostrar para vocês internautas, tudo o que rolou no palco Main Stage, considerado o principal do evento.
Não há dúvidas de que na primeira noite do Free Jazz todas as atenções estavam voltadas para os melancólicos do Belle & Sebastian, mas quem chegou cedo viu um show animado, cheio de guitarras distorcidas e baladas suaves, vindo diretamente da Califórnia e comandado pelo vocalista e ex-skatista Jason Lytle, que se apresentou com sua banda Grandaddy.
Logo em seguida, vindos de Reykjavík, capital da Islândia, os quatro rapazes do Sigur Rós mostraram, como eles próprios dizem, um Pop do futuro, usando até guitarras com arco de violino.
O público gostou e aplaudiu o grupo, que é considerado um dos mais quentes do momento, e impressiona cada vez mais com a grande vendagem de discos.
Mas, para os românticos de plantão, assim que o primeiro acorde saiu de um dos oito instrumentos da banda escocesa Belle & Sebastian, um show alegre começou e deixou o público totalmente encantado. Um apresentação empolgante com repertório cheio de deliciosas e singelas canções dos cinco anos de carreira da banda entre elas estavam "Wandering Alone", "Jonathan David", "Judy And the dream of horses" "I Fought in war"e "The wrong girl". Nem mesmo a falta da vocalista Isobel Campbell, que depois dos atentados terroristas se negou a viajar de avião, foi capaz de prejudicar o desempenho do grupo. Stuart Murdoch assumiu sozinho os vocais e, numa brincadeira, até chamou uma garota da platéia para cantar a parte de Isobel em uma das músicas. O show incluiu também uma homenagem ao Brasil com uma versão de "Baby", música composta por Caetano Veloso e interpretada pelos Mutantes.
A banda, que deu um show de simpatia e sintonia com o público, encerrou sua apresentação com "Legal Man" e foi a mais aplaudida na noite.
No Sábado foi a vez dos DJ´s fazerem a festa. Se apresentaram Richard D. James do Aphex Twin, Roni Size Reprazent e DJ Dolores com a Orchestra Santa Massa.
E para fechar em grande estilo no Domingo, nada melhor que os veteranos da Soul Music e uma das maiores divas do R&B (Rhythm & Blues) da atualidade. Estamos falando dos Temptations e da cantora e compositora norte-americana Macy Gray.
Comemorando 40 anos de carreira, The Temptations mostraram que mesmo sem a sua formação original, dela só restou o barítono Otis Williams, ainda conseguem animar o público que lotou o Jockey Club.
O sucesso da fórmula musical do grupo estava em alternar canções dançantes com letras inteligentes, como "I’m Loosing You", "Get Ready" e "I Can’t Get Next to You", e baladas românticas, como "You’re my Everything", "Just My Imagination" e a mais esperada da noite "My Girl", que foi trilha de diversos bailinhos da década de 70 e também do filme "Meu Primeiro Amor", com Macaulay Culkin. Nessa música uma surpresa, os músicos convidaram quatro pessoas da platéia para cantar com eles. Foram risadas e aplausos, uma brincadeira em grande estilo!
Dezenas de hits fizeram parte do Set List do grupo que não deixou dúvidas de ser uma das melhores apresentações do festival.
E por volta de meia noite e meia, no Main Stage do Free Jazz Festival, rolou o último show dessa edição. Macy Gray entrou em cena pra fazer a casa cair, com seu casaco de pele rosa, um chapelão anos 70 e uma camisa da seleção brasileira. A cantora, que se apresentou com dois tecladistas, três backing vocals, naipe de metais, guitarra baixo e bateria, mostrou um show profissional, ousado e uma energia contagiante no palco em músicas como "Relating to a Psycopath", "Sexual Revolution" e o grande hit "I Try".
Infelizmente o Free Jazz está com os seus dias contados. O evento que chegou à sua 16º edição, só poderá ser patrocinado até o ano que vem, e ao invés de assumir um final triste e melancólico, o Festival promete agitar ainda mais no próximo ano.
Então... a gente se encontra por lá!!!!
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