Resenha - I Metal Symphony (Nova Lima, MG, 30/06/2001)

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Por Felipe Aleixo
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Frio, distância, atraso, público escasso: circunstâncias adversas que sucumbiram diante da memorável performance de bandas cuja entrega e diligência no meio White têm propiciado momentos marcantes de superação e reconhecimento. De fato, o I Metal Symphony - evento de White Metal ocorrido em Nova Lima (MG) no dia 30/06 – foi protagonizado com excelência pelas bandas em questão, a saber, Dynasty e Stauros, para as quais abriu a banda Resistance. Ímpeto, peso e espontaneidade podem ser apontadas como características comuns a todas as apresentações, as quais contagiaram o público presente e evidenciaram o inestimável potencial das referidas bandas.

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Da abertura do Resistance, ficaram impressões extremamente positivas. Executando o repertório de praxe, a banda revelou-se surpreendentemente madura. As disparidades entre os volumes dos instrumentos (inicialmente, as guitarras e o teclado estavam meio escondidos na massa sonora) não abalaram o grande desempenho da banda. Destaque deve ser conferido às melodias cativantes, soberbamente delineadas por guitarras intrépidas e por um teclado consistente. Destaque ainda maior deve ser conferido ao entrosamento musical dos guitarristas, Tuta e Frazinho, cujos respectivos virtuosismos foram muito bem alternados e sincronizados. Para aqueles que acompanham o Resistance desde seus primórdios, não restam dúvidas quanto ao crescimento da banda, o que suscita perspectivas muito otimistas para a mesma. Da apresentação do Resistance pode-se dizer, em suma, que foi um prólogo digno das fabulosas apresentações que a sucederam.

Quando o Dynasty aportou no palco e desferiu os primeiros acordes da nova “Straight Talk”, já deixava explícita a desenvoltura e o impacto que lhe são tão peculiares ao vivo. Munida de muita segurança e total domínio do que fazia, a banda ofereceu fantásticas oportunidades de gozo para um público que pode se deleitar ao som de um Heavy Metal puro e genuíno. O repertório executado foi vasto, englobando músicas desde o longínquo trabalho “Into the righteousness” até a mais recente demo “Following The Sing”. Petardos metálicos como “Following the Sign” e “A Face in the Dark” (cover do Barren Cross, pedido exaustivamente pelo público) foram irrepreensivelmente executados, de forma sempre coerente com o potencial da banda. Potencial este que ficou mais explicitamente evidenciado na figura de Nahor de Andrade, vocalista da banda (com influências melódicas bem carregadas), cujo vocal impecável e a postura cativante dignificaram sobremaneira a apresentação do Dynasty. Extremamente carismático, Nahor consegue descontrair (por vezes, arrancou risadas minhas) e instigar o público com sua absoluta presença de palco. Presença esta que esteve muito bem integrada à qualidade dos intrumentistas, dentre os quais julgo importante destacar o batera “estreante” Ademir, cuja pegada poderosa conferiu grande peso ao som do Dynasty. Aliás, Ademir foi submetido com sucesso à aprovação do público ao solar agressivamente por mais de um minuto. Em síntese, o Dynasty mandou muito, entregando-se e doando-se sem reservas como legítima banda de White que é. Não pode passar em branco a declaração de Filipe Duarte (baixo): “Para quem não sabe, somos uma banda evangélica sim e não temos vergonha disso”.

Encerrada a apresentação do Dynasty, o pastor Fábio Carvalho disse algumas palavras preciosas, expressando de forma clara e direta a mensagem cristã (Rm 10:9) e afirmando com veemência que Cristo era a razão de tudo que estava ocorrendo ali. Estava, então, preparado o cenário para a mais aguardada banda da noite, o Stauros, considerada por muitos como a mais eminente banda nacional de White Metal na atualidade. A banda dirigiu-se ao palco com humildade e logo já estava bombardeando o público com metal da mais alta qualidade. “Rusty Machine” abriu impetuosamente o impetuoso show da banda, o qual, por um bom tempo, transcorreu em níveis elevadíssimos de intensidade e vibração. O poderio sonoro da banda revelou-se absolutamente conciso e consistente. Fascinante foi o equilíbrio sonoro estabelecido entre cada instrumento e entre estes e o vocal. A cozinha rítmica impecável e as guitarras imponentes criaram as condições perfeitas para que esta prodigiosa banda justificasse, no palco, a significativa repercussão de seu mais recente álbum, Seaquake. Por sinal, Seaquake foi o carro chefe do show. Petardos como “Vital Blood”, “Dance of the seeds”, “Friendly Hand” sacudiram as estruturas do recinto. Contudo, nem só de êxtases metálicos foi constituída a apresentação do Stauros. Renatinho (guitarra solo), executando magistralmente “The moment”, instaurou um clima mais introspectivo, no qual todas as atenções se voltaram para a técnica absurda do guitarrista. Pouco depois, a banda, executando “Toda Dor”, voltaria a inflamar o público. Público este que, diga-se de passagem, se portou de forma tocante, entoando em coro quase todas as letras da banda, mesmo quando o idioma utilizado nelas era o inglês (o que ocorre com todas as músicas de Seaquake). Reconhecimento justo para uma banda que sempre militou pela causa cristã. Neste sentido, Renatinho foi bem enfático ao glorificar o nome de Jesus Cristo em determinado momento do show.

Com uma saideira (registre-se a participação toda especial de Filipe do Dynasty no baixo de Vê), o Stauros finalizou o I Metal Symphony. Embora as circunstâncias sugerissem o contrário, o evento obteve pleno êxito. Êxito este atestado não na contagem dos ingressos vendidos, mas na constatação da satisfação gerada pelas mais de três horas de intimismo, tranqüilidade, ausência de drogas e, sobretudo, metal cristão autêntico e da mais alta qualidade.

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